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Revista Publiracing
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Comparativo: Renault Kwid e Nissan March, duas propostas distintas de olho no mesmo consumidor


A busca por soluções cada vez mais eficientes energeticamente, de baixo preço nas concessionárias, e que ainda reúnam itens de conforto e segurança considerados essenciais pelo público, são os argumentos que devem estar reunidos no tipo de produto em que algumas marcas vêm investindo cada vez mais, o veículo hatch pequeno ou de entrada, claramente direcionados a uma utilização urbana, de reduzidas dimensões, mas cada vez mais confortáveis, conectados e divertidos.

E o mercado brasileiro tem observado ao longo da última década uma evolução muito interessante nas propostas deste segmento. Dos básicos Fiat Uno ou VW Gol do passado, aos produtos disponibilizados hoje em dia nas concessionárias, o tempo vem trazendo um universo de tecnologias, soluções que alguns anos atrás eram exclusividades de veículos de gamas superiores.

Dessa caminhada, escolhemos dois produtos que mostram como mesmo na busca do mesmo perfil de cliente, caminhos diferentes podem ser seguidos. O Nissan March já tem alguns anos de Brasil. Nunca deixando de ser atualizado ao longo desse período, tanto esteticamente como em termos tecnológicos, e passou a ser olhado ainda com mais carinho após o inicio de sua produção na planta da Nissan em Resende, no estado do Rio de Janeiro.

Já o Kwid, é novo por aqui. Com uma proposta ousada, a Renault conseguiu, com êxito, reunir alguns dos itens mais desejados do momento, numa proposta de preço competitivo, chamada de “o SUV dos compactos”, um exagero utilizado pelo marketing da marca, claro, mas que inclui uma lista bem recheada de itens, um pouco mais de altura em relação ao solo, numa proposta de design moderno, e que lhe conferem um perfil diferenciado em relação aos pequenos hatch disponibilizados até aqui.

Como esta matéria não se destina a ser uma exaustiva descrição dos modelos, até porque já o fizemos em matérias anteriores realizadas individualmente, nossa intenção foi mostrar como caminhos diferentes podem ter como objetivo o mesmo perfil de cliente.

Para equilibrar as coisas em termos de preço, reunimos a mais completa das versões do Kwid, a Intense com o Pack Connect, e que tem preço sugerido de R$ 41.440,00 lado a lado com a versão mais em conta do Nissan March, a inicial S, com preço sugerido de R$ 44.990,00.

Com os dois lado a lado e duas importantes semelhanças, o motor 1.0 de três cilindros e o câmbio manual de 5 marchas, hora então de entender os caminhos que cada marca escolheu para sua solução urbana.

Com características mais comuns para este tipo de veículo, o Nissan tem um centro de gravidade mais baixo, é mais comprido, mais largo, mais alto e com entre eixos também ele maior que o do Kwid. Com essas dimensões uma prévia sensação de mais estabilidade e equilíbrio favorecendo o modelo japonês, acabou por ser confirmada nos dias de contato com ambos os veículos. Mas a Renault quis transmitir maior versatilidade ao seu modelo, elevando a altura em relação ao solo (180 mm), favorecendo os anglos de ataque e saída, mas que obviamente apenas garante um pouco mais de capacidade para enfrentar as irregularidades e obstáculos de nossas estradas e ruas, tentando assim justificar a citada expressão “SUV dos compactos”.

O Nissan March não esconde sua idade, embora o ótimo trabalho dos designers da Nissan o mantenham bem agradável e simpático. Nesta versão de entrada a principal ausência é dos faróis de neblina, que estão presentes no Kwid. Para-choque dianteiro e traseiro além de espelhos retrovisores são na cor da carroceria. As rodas são para ambos os modelos de aço, com calotas, muito atraentes no caso do Kwid.

Esteticamente o Kwid reflete seu projeto mais recente, interessante e incorporando na grade frontal a identidade que a marca utiliza atualmente em alguns de seus modelos, se integrando de forma muito harmoniosa com o grupo ótico dianteiro. Plásticos em cor escura são utilizados nas caixas das rodas, moldura das janelas laterais e ainda no para-choques traseiro. Tudo discreto, sem exageros, formando um conjunto jovem e atraente. O que também ajuda a transmitir esse conceito ao Kwid é a caixa escura nos espelhos retrovisores, se integrando muito bem em qualquer cor do modelo que faz parte do catálogo de opções.

Momento de passarmos para o interior. As maiores dimensões do March lhe permitem oferecer também mais espaço para condutor e passageiros. O transporte de quatro pessoas é realizado sem grandes dificuldades no modelo japonês, esse mesmo grupo, vai um pouco mais apertado no Kwid, especialmente na frente onde, dependendo da envergadura dos ocupantes, os braços por vezes se tocam. Observando os materiais utilizados na cabine, integração e acabamento das peças, fica evidente que a Nissan está na frente, oferecendo um modelo mais sólido, muito na linha da tradição japonesa, com menos ruídos internos e menor entrada dos sons externos, especialmente dos barulhentos motores de três cilindros que equipam ambos os modelos, e que no caso do Kwid invade a cabine sem cerimônias.

Cabe, no entanto, um parêntese para referir que o Renault deu um passo em frente neste segmento, elevando o nível no acabamento deste tipo de veículos, de entrada, principalmente na qualidade dos materiais utilizados.

Para quem deseja alguns dos itens mais desejados da atualidade, os mais comuns, claro, eles estão todos lá, no modelo da Renault. Ar condicionado, central multimídia com câmera de ré e navegador, airbags frontais e laterais (apenas frontais no Nissan March S) e retrovisores com ajuste elétrico.

Já o March, apesar da qualidade que merece destaque do sistema de áudio Kenwood da unidade que testámos, perde, no entanto, com a ausência dos itens de desejo generalizado nesta versão inicial, os citados acima, central multimídia com navegador e câmera de ré, por exemplo.

No March podemos destacar todas as portas com vidros elétricos e sistema de “um toque”

Dirigindo pela cidade interpretamos as diferenças no comportamento dinâmico de cada modelo. Os dois são equipados com uma nova geração de motores 1.0 de três cilindros e no caso brasileiro, flex. Cada vez mais econômicos, versáteis e ágeis, estes propulsores vêm se consolidando e vencendo alguma desconfiança se tornando a receita ideal para o segmento dos pequenos urbanos.

De 12 válvulas em ambos os casos, o propulsor da Renault entrega 67 CV com torque máximo de 9,8 kgfm a 4.250 rpm quando abastecido com etanol. Já no caso do Nissan, o “coração” tem 77 CV e torque de 10 Kgfm a 4.000.

A transmissão é manual de cinco marchas nos dois modelos, e são as diferenças de configuração do câmbio que levam a que o modelo da Renault seja mais nervoso. Já o Nissan cresce de forma mais suave, mas consistente, ficando a sensação que tem sempre um pouco mais de recursos para entregar. Claro que os 10 CV a favor do modelo japonês fazem diferença na hora de solicitarmos um pouco mais dos veículos.

A direção é assistida eletricamente em ambos os modelos. Precisas e rápidas permitem agilidade no dia a dia da cidade. Já a configuração de suspensão mais “convencional” do Nissan nos deixou mais confiantes para alguma exigência maior numa eventual situação de emergência, deixando o March sempre mais estável e “na mão”. A tentativa de deixar o Kwid com ares de SUV, elevou seu centro de gravidade, o que obviamente prejudica sua estabilidade em situações extremas. No entanto a essência do veículo é deixa-lo mais apto às irregularidades do dia a dia, e isso a Renault conseguiu.

Terminamos falando dos freios que são eficientes nos dois modelos, mais suaves no Nissan, e de tocada mais imediata no Kwid. No March eles são ABS com controle eletrônico de frenagem (EBD) e assistência de frenagem. Já no pequeno Renault o ABS também está presente no pacote, auxiliando na manobra de frear de forma segura e rápida os 758 kg do modelo francês que é consideravelmente mais leve que a opção japonesa com peso de 925 kg.

Com motores eficientes, ambos os modelos foram abastecidos com gasolina ao longo do nosso teste, ressaltando que a diferença na capacidade máxima dos taques é de apenas três litros, com total de volume para 41 Litros no March, e 38 Litros no Kwid. No entanto o Renault como veículo mais leve, é também mais econômico. Nosso teste mostrou médias de 14,9 km/l na cidade no caso do veículo francês, e 12,6 km/l no March, também em circuito urbano, e naquele que é o habitat natural de ambos.

Considerado um modelo de entrada, o Kwid vem cativando pelas linhas jovens e modernas, por entregar nesta versão Intense um pacote de itens muito completo, ao que somado ao seu baixo apetite por combustível, vem chamando a atenção do público. Até final do mês de junho foram 29678 unidades emplacadas, no que é sem dúvida um ótimo resultado para a marca e para o modelo, que já se aproxima do ritmo de vendas do Sandero, líder da marca francesa ao longo dos últimos anos.

Já o March entra no grupo dos chamados hatch pequenos, e que mesmo com uma gama bem mais ampla de opções de acabamento, oferta de duas motorizações (1.0 e 1.6), câmbio automático CVT além do nosso manual, mas apenas viu sair das concessionárias da marca 6592 unidades, acumulado dos primeiros seis meses do ano, segundo os dados da Fenabrave.

O resultado reflete um pouco da nossa interpretação sobre as duas opções. O Kwid é uma proposta mais jovem e que por um preço menor, já vem com alguns dos itens que são o desejo da grande maioria dos clientes que querem um carro zero, mesmo que seja para dirigir na cidade. Já o Nissan é claramente mais robusto, mais integro, de uma forma clara, com mais qualidade de acabamento e dos materiais. No entanto para ter acesso a alguns itens que são de série no Kwid, o cliente da Nissan tem que pagar bem mais que o valor desta versão S, e como o perfil do cliente nesta faixa de preço (até 45 mil) parece privilegiar tecnologia e conectividade, o Kwid se mostra uma opção mais atrativa.

Avaliação em números

Renault Kwid Intense Nissan March S

Design 7 6

Espaço e Conforto 5 6

Freios 6 6

Conectividade e Tecnologia 7 5

Acabamento 6 7

Motor / Consumo 7 7

Transmissão 6 6

Suspensão 6 6

Direção 6 6

Segurança e Auxílios 6 6

Total 62 61

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