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Quando Henry Ford tentou mover o Modelo T a batatas: a curta e ambiciosa experiência com biocombustíveis há mais de um século
Redação Publiracing
19 de nov. de 2025
2 min de leitura
Muito antes do etanol se tornar parte da rotina automóvel no Brasil, Henry Ford já investigava combustíveis de origem vegetal para substituir a gasolina. Experimentos realizados na década de 1910 mostraram que o Modelo T podia funcionar com álcool produzido a partir de batatas, milho, madeira e resíduos agrícolas — uma pesquisa interrompida pela Lei Seca nos Estados Unidos.
Um problema antigo: encontrar alternativas à gasolina
Embora hoje seja comum falar em transição energética, as preocupações com a dependência do petróleo surgiram ainda no início do século XX. Em 1916, Henry Ford afirmava que “todos esperavam por um substituto para a gasolina”, antecipando que o custo do combustível iria tornar-se proibitivo.
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O Modelo T, lançado em 1908, já era capaz de operar com diferentes combustíveis: gasolina, querosene e álcool. Essa versatilidade abriu espaço para explorar fontes renováveis numa época em que a indústria automóvel ainda dava os primeiros passos.
Laboratórios da Ford testaram açúcar, madeira, milho e batatas
Documentos da década de 1910 mostram que os laboratórios da Ford dedicaram 18 meses ao estudo de combustíveis vegetais. Os testes transformaram em álcool materiais como:
resíduos de fábricas de enlatados,
bagaço de açúcar,
talos de milho,
e até variedades de batatas importadas da Alemanha.
Henry Ford via no encerramento de cervejarias — consequência da proibição do consumo de álcool em Michigan — uma oportunidade: transformar essas instalações em destilarias para produzir combustível. Segundo ele, isso permitiria reaproveitar investimentos já realizados e fornecer uma alternativa viável à gasolina.
Resultados animadores, mas com limitações
Os testes mostraram que o álcool combustível oferecia desempenho superior ao da gasolina em alguns cenários. Um Modelo T alimentado com álcool apresentou 15% mais potência, embora com autonomia inferior — um comportamento semelhante ao observado nos carros flex atuais.
A Ford testou inclusive tratores agrícolas Fordson movidos a etanol, defendendo que a tecnologia poderia favorecer agricultores, reduzir desperdícios e até abastecer casas por tubulações subterrâneas, à semelhança do gás natural.
Lei Seca interrompe projeto que poderia ter mudado a história dos combustíveis
A expansão dos biocombustíveis encontrou o seu maior obstáculo na Lei Seca, instituída nos Estados Unidos em 1920. Michigan já enfrentava restrições antes mesmo da proibição nacional, tornando difícil operar destilarias e inviabilizando qualquer plano de produção em larga escala.
Quando a proibição acabou em 1933, a Ford já tinha avançado com outros projetos: o Modelo A e o célebre motor V8 de cabeçote plano substituíram o antigo foco nos biocombustíveis.
Um projeto que não avançou, mas deixou legado
Embora o Modelo T movido a batatas e outros resíduos agrícolas nunca tenha chegado ao mercado, a pesquisa reflete o espírito experimental da Ford numa época marcada por rápidas transformações tecnológicas.
O interesse de Henry Ford pelos combustíveis renováveis antecipou debates que só ganharam escala global décadas depois — e hoje integra o legado de inovação que moldou a indústria automóvel moderna.
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