top of page

Editorial: Vistoria obrigatória aos 5 anos no Brasil, um debate que o resto do mundo já resolveu

  • Foto do escritor: Artur Semedo artursemedo@revistapubliracing.com.br
    Artur Semedo artursemedo@revistapubliracing.com.br
  • 23 de jan.
  • 4 min de leitura

Editorial: Vistoria obrigatória aos 5 anos no Brasil: um debate que o resto do mundo já resolveu

Se o Brasil realmente avançar com a ideia de tornar obrigatória a inspeção/vistoria periódica para veículos a partir de 5 anos, eu considero uma decisão sensata — e, curiosamente, mais alinhada com o que os mercados maduros já praticam há décadas.


O que não faz sentido é a narrativa de “vistoriar carro novo” como se isso fosse política pública moderna: carro novo, em regra, ainda está sob garantia, com manutenção prevista e baixa probabilidade de degradação crítica de segurança. O ponto de virada real, no mundo real, costuma começar alguns anos depois — exatamente quando muitos carros já mudaram de dono e passam a viver a fase mais perigosa do ciclo: manutenção adiada, peça paralela duvidosa e reparo feito para “passar barato”.


Nos últimos dias, voltou ao centro da discussão um projeto que mexe diretamente no bolso e na rotina do motorista: o PL 3507/2025, em análise na Câmara, que propõe vistoria veicular periódica obrigatória e deixa a definição de detalhes para regulamentação do Contran.  E o tema ganhou tração porque uma comissão já aprovou a ideia de periodicidade para veículos com mais de cinco anos, mantendo o assunto no radar político e do setor.


Posicione a Sua Marca Aqui
Posicione a Sua Marca Aqui

Agora, vamos comparar com o que se faz lá fora — porque esse debate fica muito mais honesto quando a gente olha como os países que tratam segurança viária como coisa séria desenharam seus sistemas.


Na União Europeia, existe uma régua mínima: a diretiva que organiza a inspeção técnica periódica estabelece o arcabouço para os Estados-membros e, na prática, a maioria segue o padrão de primeira inspeção alguns anos após o carro novo entrar em circulação — e depois intervalos regulares.  


Em Portugal, por exemplo, o ligeiro de passageiros faz a primeira inspeção aos 4 anos, depois de 2 em 2 até completar 8, e anualmente daí em diante.  Na Espanha, está isento até 4 anos, passa a ser bienal até os 10, e depois vira anual.  Na França, a lógica é muito parecida: o controle técnico ocorre até 4 anos após a primeira matrícula e, em seguida, a cada 2 anos.


No Reino Unido, o famoso MOT é ainda mais “exigente” no tempo: ele entra na vida do carro a partir de 3 anos e tem validade de 1 ano.  Já na Alemanha, o “TÜV” (inspeção principal/HU) normalmente acontece pela primeira vez após 3 anos e depois a cada 2 anos, com uma lista extensa de verificação técnica.


E quando eu olho para o Japão, um mercado obcecado por conformidade e segurança, a lógica é semelhante: carro novo tem validade inicial de inspeção de 3 anos; depois, renova a cada 2 anos. Isso está descrito de forma objetiva pelo próprio Ministério japonês (MLIT).


Percebe o padrão? Quase ninguém sério começa perseguindo “carro zero” com inspeção anual por regra. Os sistemas maduros miram o ponto em que o desgaste, a informalidade e o improviso começam a aparecer. E aqui entra, para mim, o argumento central: 5 anos no Brasil é um corte perfeitamente defensável.


Por quê? Porque, na prática do nosso mercado, com cinco anos muitos carros já passaram pelo primeiro ciclo de depreciação e troca, começam a cair na realidade do segundo dono (ou pelo menos do uso mais “desassistido”), e a manutenção deixa de ser “agenda de concessionária” para virar “o que der para fazer”. É nessa fase que eu vejo surgir o combo clássico do risco: pneu no limite, amortecedor cansado, freio com manutenção parcial, farol mal regulado, componente de suspensão com folga e, em casos piores, adaptações e gambiarras que ninguém fiscaliza. Uma inspeção técnica bem desenhada não é para punir; é para tirar de circulação o que está perigoso e forçar um mínimo de padrão.


O que eu não compro é a versão “vistoria como pedágio disfarçado”. Porque vistoria ruim, mal fiscalizada e cara demais vira isso mesmo: uma taxa. Mas isso não é argumento contra inspeção — é argumento a favor de modelo correto: critérios claros, auditoria, rastreabilidade, preço controlado, e foco no que realmente mata e machuca (freios, pneus, direção, suspensão, iluminação, estrutura e itens de segurança). O próprio debate legislativo no Brasil fala em padronização nacional e procedimentos sob o guarda-chuva do Contran, justamente porque o pior cenário é o país virar um mosaico de regras locais confusas. O sistema e os centros autorizados para essa vistoria têm que estar padronizados em termos de sistemas que avaliem os parâmetros estabelecidos e esses dados sejam centralizados. Que uma eventual desregularem em um farol, como exemplo, ou qualquer outra questão, possa ser solucionada, permitindo a volta do veiculo para nova inspeção, sem a necessidade de nova taxa, para tornar tudo bem transparente, não fomentar a industria da "reprovação" para pagar uma nova taxa, e verdadeiramente passar para o cidadão a ideia real de preocupação com a segurança e emissões.


No fim das contas, minha opinião é simples. Eu sou contra “vistoria para inglês ver”, contra fila, contra custo sem retorno e contra qualquer sistema que vire indústria de reprovação arbitrária. Mas eu sou totalmente a favor de uma regra objetiva: a partir de 5 anos, vistoria periódica faz sentido, sim — e é até conservadora quando comparada à Europa. O Brasil não precisa reinventar a roda; precisa copiar o que funciona, adaptar à nossa realidade e parar de tratar segurança viária como pauta secundária.


Veículo em condição técnica de rodar após 5 anos. isso, para mim, não é polêmica. É responsabilidade.


👉 A Revista Publiracing acredita em jornalismo isento, relevante e de qualidade. Se também valoriza informação independente, considere apoiar o nosso trabalho.

Saiba mais clicando aqui ou vá para o link de apoio abaixo





Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação

Testes Revista Publiracing

Alfa Romeo Junior Veloce 280 prova que um Alfa elétrico pode emocionar

Publiracing Portal de Notícias
Alfa Romeo Junior Veloce 280 prova que um Alfa elétrico pode emocionar
Alfa Romeo Junior Veloce 280 prova que um Alfa elétrico pode emocionar

Alfa Romeo Junior Veloce 280 prova que um Alfa elétrico pode emocionar

02:58
Alfa Romeo Junior Veloce 280: o elétrico que ainda sabe divertir

Alfa Romeo Junior Veloce 280: o elétrico que ainda sabe divertir

02:55
Bancos Sabelt, costuras vermelhas e ADN italiano: conheça o interior do Junior Veloce

Bancos Sabelt, costuras vermelhas e ADN italiano: conheça o interior do Junior Veloce

02:55
bottom of page