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Produção e vendas de veículos crescem em 2025, mas Anfavea prevê avanço mais moderado em 2026
Redação Publiracing
há 6 horas
3 min de leitura
Mesmo com juros elevados e desaceleração económica no segundo semestre, o sector automóvel brasileiro fechou 2025 em terreno positivo. A Anfavea aponta crescimento sustentado da produção, forte recuperação das exportações e um mercado interno resiliente, mas alerta para um 2026 mais desafiante.
O mercado automóvel brasileiro conseguiu fechar 2025 com crescimento pelo terceiro ano consecutivo, contrariando a desaceleração económica registada no segundo semestre. Segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), os emplacamentos subiram 2,1% face a 2024, enquanto a produção avançou 3,5%, impulsionada sobretudo pela forte recuperação das exportações, que cresceram 32,1%. Para 2026, a entidade projeta nova alta, ainda que mais contida, num cenário marcado por juros elevados, incertezas geopolíticas e maior pressão competitiva externa.
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Produção mantém trajetória de alta
As fábricas brasileiras produziram 2,644 milhões de autoveículos em 2025, um crescimento de 3,5% em relação ao ano anterior. Para 2026, a previsão da Anfavea é de um avanço adicional de 3,7%, para cerca de 2,741 milhões de unidades. O crescimento deverá concentrar-se nos veículos ligeiros, com alta estimada de 3,8%, enquanto o segmento de camiões e autocarros deverá registar expansão mais modesta, de 1,4%, alcançando 154 mil unidades.
Mercado interno resiste, mas ainda abaixo do pré-pandemia
O mercado doméstico encerrou o ano com 2,690 milhões de emplacamentos, alta de 2,1%. Apesar do resultado positivo, o volume ficou cerca de 100 mil unidades abaixo do nível registado em 2019, evidenciando que a recuperação total ao patamar pré-pandemia ainda não foi atingida.
O desempenho desigual entre os segmentos chama a atenção: enquanto os automóveis ligeiros sustentaram o crescimento, o mercado de camiões sofreu retração de 9,2%, com os modelos pesados — voltados ao transporte de longas distâncias — a registarem queda expressiva de 20,5% em relação a 2024, reflexo direto do impacto dos juros elevados sobre o investimento.
Exportações disparam e importações mudam de perfil
O comércio externo foi o grande motor do sector em 2025. As exportações de autoveículos cresceram 32,1%, atingindo 528,8 mil unidades. Para 2026, a expectativa é de crescimento mais discreto, de 1,3%, com 536 mil unidades, ainda fortemente sustentado pela procura argentina.
No sentido inverso, as importações também aumentaram, com alta de 6,6%. Um dado estruturalmente relevante é a mudança na origem dos veículos importados: pela primeira vez, Mercosul e México deixaram de liderar a lista, já que países fora desses acordos passaram a representar 50,2% dos importados vendidos no Brasil. A China respondeu por 37,6% dos 498 mil veículos importados emplacados em 2025, consolidando-se como o principal fornecedor externo.
A Anfavea avalia que este fluxo poderá arrefecer em 2026, com o início da produção local de híbridos e elétricos, o fim de incentivos à importação de kits SKD e CKD e a recomposição do imposto de importação prevista para julho.
Perspetivas cautelosas para 2026
Para o presidente da Anfavea, Igor Calvet, o ambiente de 2026 deverá ser semelhante ao observado na segunda metade de 2025, marcado por taxa Selic elevada e persistência de tensões geopolíticas. Embora o sector continue a crescer, o ritmo tende a ser mais moderado, exigindo maior atenção às mudanças estruturais, como a electrificação e a concorrência dos importados asiáticos.
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