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Expressas: March 711 de José Carlos Pace volta à vida e passa a integrar a coleção de Emerson Fittipaldi no Museu do Caramulo em Portugal
Jaroslav Sussland - jaros@revistapubliracing.com.br
29 de dez. de 2025
3 min de leitura
Após vários meses de restauração, o March 711 de 1972 pilotado por José Carlos Pace chegou ao Museu do Caramulo para integrar a “The Fittipaldi Collection”, trazendo consigo uma história que cruza os primeiros passos da Williams na Fórmula 1, a estreia de Pace na categoria máxima e a amizade duradoura com Emerson Fittipaldi. A notícia foi divulgada pela nossa edição para Portugal e que pode ser lida aqui
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O Museu do Caramulo recebeu, em 29 de dezembro de 2025, um dos monopostos mais emblemáticos da Fórmula 1 dos anos 1970: o March 711, chassi #711/3, utilizado por José Carlos Pace em sua temporada de estreia no campeonato mundial, em 1972. O automóvel passa agora a integrar a “The Fittipaldi Collection”, um acervo dedicado à história do automobilismo e, em particular, ao legado de Emerson Fittipaldi.
A história deste carro começa ainda antes de a Williams se tornar o colosso que é hoje. Em 1966, Frank Williams fundou sua pequena equipe, comprando um Brabham para Piers Courage. Com poucos recursos, mas grande determinação, a estrutura evoluiu e, em 1971, adquiriu este March 711 para Henri Pescarolo, ainda sob a denominação Frank Williams Racing Cars. A temporada foi modesta, com um quarto lugar em Silverstone como melhor resultado.
Em 1972, já sob o nome Team Williams Motul e com o apoio de novos patrocinadores, a equipe adquiriu um March 721 para Pescarolo, ficando o 711 do ano anterior para o estreante José Carlos Pace. Apesar de já não ser um projeto de última geração, o monoposto manteve competitividade suficiente para permitir que Pace somasse seus primeiros pontos na Fórmula 1, graças a um quinto lugar.
Concebido por Robin Herd e Geoff Ferris, o March 711 apresentava soluções técnicas avançadas para a época, como o chassi monocoque, suspensão dianteira inboard e radiadores montados nas laterais, numa filosofia próxima à do Lotus 72. Sua imagem ficou marcada pela asa dianteira elevada, criada por Frank Costin, eficaz em pista limpa, mas menos estável em tráfego.
O modelo foi utilizado por várias equipes e pilotos, incluindo nomes como Ronnie Peterson, Andrea de Adamich, Niki Lauda e Mike Beuttler, tornando-se um dos monopostos mais representativos do início da década de 1970.
Após passagens pouco felizes pela Surtees, José Carlos Pace atingiria o ponto alto da carreira em 1975, com o Brabham BT44 do Martini Racing Team, incluindo a vitória no Grande Prêmio do Brasil, em Interlagos, numa histórica dobradinha brasileira com Emerson Fittipaldi. É precisamente a ligação pessoal entre ambos que explica a presença deste March na coleção.
“Este March tem um enorme valor sentimental para mim”, recorda Emerson Fittipaldi. “O primeiro kart em que corri foi-me emprestado pelo Moco, de quem também fui mecânico. Depois de vencer o Mundial em 1972, liguei para Frank Williams e quis comprar o Williams March do Moco. Eu e meu irmão Wilson adquirimos o carro, que desde então faz parte da nossa coleção.”
A restauração do chassi #711/3 foi realizada ao longo de vários meses com o apoio da AMSport, do CINFU e da VANTITEC, envolvendo técnicas modernas de impressão 3D e usinagem CNC, devolvendo ao monoposto sua configuração e aparência originais.
A “The Fittipaldi Collection”, onde agora se encontra o March 711, pode ser visitada permanentemente no Museu do Caramulo, de terça a domingo, permitindo ao público contato direto com uma peça central da história da Fórmula 1 e do automobilismo brasileiro.
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