Mundo motorizado, transporte, mobilidade, turismo, lazer e entretenimento
Buscar
Exportações recordes sustentam produção da indústria automotiva em meio a desafios internos
Redação Publiracing
9 de set. de 2025
3 min de leitura
O mês de agosto trouxe um sopro de alívio para a indústria automotiva brasileira. Segundo dados divulgados pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), o setor exportou 57,1 mil unidades, o melhor resultado desde junho de 2018. O volume representa alta de 19,3% em relação a julho e expressivos 49,3% sobre agosto de 2024.
A Argentina foi a grande responsável por esse desempenho, respondendo por 59% dos embarques no acumulado do ano. De janeiro a agosto, as exportações somam 313,3 mil veículos, avanço de 12,1% frente ao mesmo período do ano passado.
“O crescimento da nossa produção nos últimos meses decorre da maior presença de nossas associadas no mercado externo”,
afirmou Igor Calvet, presidente da Anfavea.
Produção em alta moderada
As fábricas brasileiras produziram 247 mil autoveículos em agosto, número praticamente estável frente a julho (+3%) e em leve queda de 4,8% sobre agosto de 2024. No acumulado do ano, já são 1,743 milhão de unidades, alta de 6% em relação ao ano anterior. O impulso das exportações, especialmente para a Argentina, tem sido fundamental para manter as linhas de produção ativas.
Vendas internas em alerta
O mercado doméstico, por sua vez, apresenta sinais de estagnação. Os emplacamentos totalizaram 225,4 mil unidades em agosto, e a média diária de 10,7 mil veículos foi a segunda pior do ano em comparação com 2024. No acumulado de janeiro a agosto, foram comercializados 1,668 milhão de autoveículos, apenas 2,8% acima do mesmo período de 2024.
Entre os pontos que chamam atenção está o avanço dos importados, que cresceram 12,1% no ano. Pela primeira vez na história, a China superou a Argentina como principal origem dos veículos importados emplacados no Brasil. Enquanto isso, os nacionais no varejo acumulam queda de 9,3%, contrastando com o crescimento de 17,3% dos importados. Até mesmo nas vendas diretas, que tradicionalmente sustentam a produção local, os modelos estrangeiros avançaram mais do que os brasileiros (13,8% contra 12,4%).
Carro Sustentável e eletrificação como contrapeso
Programas como o Carro Sustentável ajudaram a amortecer a queda, elevando em 26% as vendas de modelos de entrada incluídos no incentivo federal. Outro ponto positivo vem da eletrificação: os modelos híbridos e elétricos nacionais já representam 25% das vendas totais de eletrificados no ano, sinalizando uma mudança de perfil no consumo e abrindo espaço para a indústria local no segmento de maior crescimento.
Caminhões em retração
O segmento de caminhões é o que mais sente os efeitos dos juros elevados, da inadimplência e da desaceleração econômica. Pela primeira vez em 2025, a produção acumulada registrou queda: -1% em relação a 2024. O mercado interno já vinha em retração desde abril, e nem mesmo as exportações têm sido suficientes para sustentar a atividade.
“No caso dos caminhões, nem a alta das exportações está sendo suficiente para sustentar os níveis de produção, o que já começa a se refletir em perdas de postos de trabalho nas fábricas de pesados”, alertou Calvet.
Um setor em contradição
Enquanto as exportações vivem o melhor momento em sete anos, o mercado interno dá sinais de fragilidade, pressionado pela concorrência dos importados e pelo arrefecimento da economia. O desempenho do último quadrimestre será decisivo para determinar se 2025 fechará como um ano de consolidação do crescimento, puxado pelo mercado externo, ou de maior incerteza quanto ao futuro da indústria no Brasil.
Comentários