Renault e Geely ampliam investimentos no Brasil para R$ 5,8 bilhões e confirmam novo eletrificado nacional


Renault e Geely vão ampliar a ofensiva industrial no Brasil com um novo ciclo de R$ 2 bilhões em investimentos. O aporte, confirmado durante encontro de executivos dos dois grupos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília, eleva para R$ 5,8 bilhões o volume previsto entre 2025 e 2027 e terá como principais frentes um novo Renault eletrificado sobre a plataforma GEA, a produção nacional do Geely EX2 elétrico e a fabricação da tecnologia Renault Hybrid E-Tech 4x4 flex fuel.
O anúncio foi feito durante uma audiência que reuniu representantes da Renault Geely do Brasil, Renault Group, Geely Holding Group e Geely Auto com o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Pela indústria participaram, entre outros executivos, François Provost, CEO do Renault Group, Ariel Montenegro, presidente e CEO da Renault Geely do Brasil, Victor Yang, vice-presidente sênior do Geely Holding Group, e Tong Zhi Yuan, vice-presidente sênior da Geely Auto Group.
O novo investimento de R$ 2 bilhões amplia os recursos destinados à operação brasileira e coloca a eletrificação no centro da próxima etapa industrial da parceria. Segundo as empresas, o montante eleva para R$ 5,8 bilhões os investimentos previstos no período de 2025 a 2027.
Novo Renault eletrificado será produzido sobre plataforma GEA
Entre os projetos confirmados está a produção, a partir de 2027, de um novo veículo eletrificado da Renault baseado na GEA — Global Intelligent Electric Architecture, plataforma desenvolvida pela Geely para modelos eletrificados.
Não foi revelado qual será o modelo, sua carroceria, motorização, capacidade de bateria ou posicionamento comercial. A confirmação, porém, mostra um dos efeitos mais relevantes da aproximação entre os dois grupos: uma arquitetura originalmente associada à Geely também servirá de base para um futuro Renault produzido no Brasil.
A utilização da GEA permite ainda que a operação brasileira trabalhe com uma arquitetura preparada para diferentes soluções de eletrificação, mas os grupos não detalharam nesta ocasião qual sistema de propulsão será utilizado especificamente pelo novo Renault.
Geely EX2 começa a ser produzido no Brasil em dezembro
O cronograma industrial inclui também a produção brasileira do Geely EX2, prevista para começar em dezembro de 2026. O hatch 100% elétrico passa, assim, a integrar a estratégia de nacionalização da marca chinesa no país.
A produção do EX2 será mais um passo na utilização compartilhada da estrutura industrial do Complexo Ayrton Senna, em São José dos Pinhais, no Paraná, dentro da parceria entre Renault e Geely.
O complexo paranaense está sendo preparado para trabalhar com diferentes arquiteturas e tecnologias de propulsão. A estratégia industrial contempla desde veículos com motores a combustão até híbridos, híbridos flex e modelos totalmente elétricos, aumentando a flexibilidade da fábrica diante das diferentes velocidades de eletrificação do mercado brasileiro.
Renault Hybrid E-Tech 4x4 flex também será nacional em 2027
Outra confirmação importante diz respeito à tecnologia Renault Hybrid E-Tech 4x4 flex fuel, que terá produção no Brasil a partir de 2027.
A decisão reforça uma característica particular da transição energética brasileira: ao contrário de mercados que concentram a estratégia exclusivamente nos veículos elétricos a bateria, o país mantém o etanol e os sistemas híbridos flex como parte relevante dos planos de descarbonização das fabricantes.
Complexo Ayrton Senna ganha importância na parceria Renault-Geely
O investimento também reforça o papel estratégico da unidade de São José dos Pinhais dentro da associação entre Renault e Geely. A fábrica passa por uma transformação que permitirá produzir automóveis de diferentes marcas, plataformas e sistemas de propulsão.
Essa flexibilidade industrial é especialmente importante num mercado em rápida transformação. A produção simultânea de veículos a combustão, híbridos, híbridos flex e elétricos permite ajustar volumes à procura de cada tecnologia sem depender de uma única solução energética.
Para a Geely, a estrutura industrial da Renault oferece uma forma de acelerar a nacionalização de produtos no Brasil. Para a Renault, a parceria amplia o acesso a plataformas e tecnologias desenvolvidas pelo grupo chinês, incluindo a arquitetura GEA.
De R$ 2 bilhões para R$ 5,8 bilhões: o que foi confirmado
Projeto | Previsão |
Novo ciclo de investimentos | R$ 2 bilhões |
Investimento total entre 2025 e 2027 | R$ 5,8 bilhões |
Novo Renault eletrificado sobre plataforma GEA | Produção a partir de 2027 |
Geely EX2 100% elétrico | Produção a partir de dezembro de 2026 |
Renault Hybrid E-Tech 4x4 flex fuel | Produção no Brasil em 2027 |
Unidade industrial | Complexo Ayrton Senna — São José dos Pinhais (PR) |
A reunião em Brasília terminou ainda com um gesto simbólico ligado à história da Renault no automobilismo. François Provost entregou ao presidente Lula uma obra do artista brasileiro Adhemar Cabral representando, em escala de 35 centímetros, o Lotus Renault 97T, carro com o qual Ayrton Senna conquistou a sua primeira vitória na Fórmula 1, no Grande Prêmio de Portugal de 1985, no Estoril.
A ligação histórica explica também o nome da fábrica paranaense: quando inaugurou a unidade brasileira, em dezembro de 1998, a Renault batizou-a Complexo Ayrton Senna. Quase três décadas depois, é justamente essa fábrica que passa a ocupar o centro de uma nova fase da operação brasileira, agora marcada pela associação industrial entre Renault e Geely e pela convivência de diferentes tecnologias de eletrificação.
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