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McMurtry Spéirling PURE vai de 0 aos 96,6 km/h em 1,55 segundo e leva tecnologia de “efeito solo” ao extremo

Foto do escritor: Jaroslav Sussland - jaros@revistapubliracing.com.br
Jaroslav Sussland - jaros@revistapubliracing.com.br
há 14 horas
4 min de leitura

McMurtry Spéirling PURE vai de 0 aos 96,6 km/h em 1,55 segundo e leva tecnologia de “efeito solo” ao extremo


Com 1.000 cv, dois motores elétricos e um sistema de ventoinhas capaz de gerar até 2.000 kg de carga aerodinâmica mesmo com o carro parado, o McMurtry Spéirling PURE desafia os limites dos automóveis de pista. O pequeno monoposto britânico, que já deixou a sua marca em Goodwood e na pista de testes associada ao programa Top Gear, entra agora na fase de produção, limitada a apenas 100 unidades.


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O McMurtry Spéirling tornou-se um dos projetos elétricos mais extremos dos últimos anos, sobretudo por seguir uma abordagem diferente da adotada pelos hipercarros convencionais. Em vez de depender apenas da velocidade para gerar carga aerodinâmica, utiliza o sistema Downforce-on-Demand, baseado em ventoinhas e saias instaladas na zona inferior da carroceria. Na especificação PURE, o sistema pode produzir até 2.000 kg de downforce a partir dos 0 km/h, permitindo níveis muito elevados de aderência mesmo a baixa velocidade.


Os números ajudam a explicar o potencial do projeto. A McMurtry declara 1.000 cv, velocidade máxima de 305 km/h e forças laterais e de frenagem que podem chegar aos 3 g. Importa, porém, corrigir um dado frequentemente divulgado: a aceleração oficial anunciada não é de 0 a 100 km/h em “1,55 minutos”, nem exatamente 0-100 km/h. A especificação da fabricante indica 0-60 mph — aproximadamente 96,6 km/h — em 1,55 segundo, com one-foot rollout.


Dois motores elétricos e tração traseira

O Spéirling PURE utiliza dois motores elétricos instalados no eixo traseiro, com diferencial eletrónico, mantendo portanto a tração traseira. A versão de produção recebe uma bateria de 100 kWh, e não de 1.000 kWh, composta por células Molicel P50B NCA 21700. A capacidade representa um aumento significativo face aos 60 kWh utilizados nos protótipos anteriores.


A McMurtry estima entre 40 e 50 quilómetros de utilização a ritmo comparável ao de um LMP2, enquanto a recuperação de energia através da frenagem regenerativa pode chegar aos 200 kW. O carregamento entre 20% e 95% pode demorar entre 20 e 60 minutos, dependendo da temperatura ambiente e da potência disponível no carregador.


Também aqui existe uma diferença importante relativamente aos primeiros protótipos. Embora estes tenham ficado conhecidos pelo peso próximo de uma tonelada, a versão de produção PURE apresenta um valor anunciado de cerca de 1.350 kg, dependendo dos opcionais. O aumento está relacionado, entre outros fatores, com a bateria de maior capacidade e com as alterações introduzidas para transformar o protótipo recordista num automóvel destinado a clientes.


McMurtry Spéirling PURE vai de 0 aos 96,6 km/h em 1,55 segundo e leva tecnologia de “efeito solo” ao extremo

Um automóvel pequeno com downforce superior ao próprio peso

As dimensões continuam muito compactas para os padrões dos hipercarros atuais: são 3,815 metros de comprimento, 1,795 metros de largura e apenas 1,056 metros de altura, com distância entre eixos de 2,20 metros. O habitáculo fechado acomoda apenas o condutor.


A grande particularidade técnica continua, contudo, escondida sob a carroçaria. Ao contrário de uma asa convencional, cuja eficácia aumenta à medida que a velocidade sobe, as ventoinhas extraem ar da zona inferior e criam uma diferença de pressão capaz de “sugar” o automóvel contra o asfalto. Isso significa que uma parte substancial da aderência aerodinâmica está disponível independentemente da velocidade.


A versão de produção recebe novas ventoinhas, motores e sistema de refrigeração, além de melhorias nas saias inferiores que fazem parte do Downforce-on-Demand. Segundo a McMurtry, estas foram desenvolvidas para suportar milhares de quilómetros e podem ser recolhidas para facilitar manobras a baixa velocidade ou o carregamento do automóvel num reboque.


McMurtry Spéirling PURE vai de 0 aos 96,6 km/h em 1,55 segundo e leva tecnologia de “efeito solo” ao extremo

De Goodwood à pista de Top Gear

O nome Spéirling, palavra irlandesa que pode ser traduzida como “tempestade”, ganhou projeção internacional quando o protótipo estabeleceu em 2022 o então recorde absoluto da subida de Goodwood, com 39,08 segundos. A capacidade de gerar enorme carga aerodinâmica desde velocidades reduzidas mostrou-se particularmente eficaz numa subida marcada por curvas lentas, acelerações violentas e mudanças rápidas de direção.


Mais recentemente, o carro voltou a chamar a atenção com Travis Pastrana ao volante na pista de Dunsfold, utilizada durante anos pelo programa britânico Top Gear. O norte-americano registou uma volta de 55,9 segundos, num exercício que voltou a demonstrar a diferença entre a filosofia do Spéirling e a de superdesportivos concebidos prioritariamente para utilização em estrada.



Do protótipo recordista para uma série de 100 carros

A transformação em Spéirling PURE implicou alterações profundas: segundo a McMurtry, 95% dos componentes são novos relativamente aos protótipos. Entre as mudanças estão um novo monocoque de fibra de carbono, maior distância entre eixos, habitáculo mais espaçoso, alterações na suspensão e direção hidráulica assistida com válvulas de inspiração Fórmula 1.


Não se trata, contudo, de um automóvel homologado para circulação normal em estrada. O PURE é essencialmente um hyper track car, desenvolvido para utilização em circuito e provas específicas, com equipamento como pneus Michelin slick e discos de freio carbocerâmicos de 390 mm com pinças Brembo de seis pistões.


A produção ficará limitada a um máximo de 100 exemplares, com as primeiras entregas previstas ainda para 2026. O preço anunciado é de 995 mil libras esterlinas, antes de impostos locais, transporte e opcionais.  


Mais do que os 1.000 cv ou a aceleração próxima dos limites físicos impostos pelos pneus, é precisamente a utilização ativa da aerodinâmica que torna o Spéirling um caso pouco convencional. Num momento em que os elétricos de altas prestações disputam números cada vez maiores de potência, a McMurtry escolheu outro caminho: reduzir dimensões, controlar o peso e utilizar a diferença de pressão para transformar aderência em desempenho.


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