GWM inicia testes com caminhão movido a hidrogênio no Brasil e aposta em retrofit para acelerar a descarbonização do transporte
- Jaroslav Sussland - jaros@revistapubliracing.com.br
- há 5 horas
- 3 min de leitura

Protótipo desenvolvido em parceria com instituições brasileiras já percorreu 500 quilómetros em testes na Bahia. Tecnologia combina célula de combustível, bateria de alta capacidade e autonomia de até 500 quilómetros, enquanto a fabricante também trabalha na conversão de caminhões a diesel para hidrogênio.
A GWM deu mais um passo no desenvolvimento de soluções para o transporte pesado de baixa emissão ao iniciar, na Bahia, os testes de um caminhão movido a célula de combustível de hidrogênio. O protótipo está a ser montado no Senai Cimatek Park, em Camaçari, e integra um projeto desenvolvido em parceria com o Senai Cimatek, a Hytron e a Petrogal, contando ainda com o apoio da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
O veículo utiliza tecnologia desenvolvida pela FXTT, subsidiária da GWM Hydrogen especializada em soluções de propulsão a hidrogênio, e representa mais uma etapa na estratégia da fabricante para ampliar o uso desta tecnologia em aplicações comerciais.
O caminhão é um Fuel Cell Electric Vehicle (FCEV), combinando uma bateria com capacidade de 105 kWh e um sistema de célula de combustível alimentado por hidrogênio armazenado em cilindros com capacidade total de 40 quilogramas.
Segundo os dados divulgados, o conjunto desenvolve uma potência de 544 cv, proporcionando uma autonomia de até 500 quilómetros, características pensadas para operações de transporte rodoviário de média e longa distância.
O protótipo já acumulou 500 quilómetros de testes e continuará o programa de desenvolvimento até atingir pelo menos 1.000 quilómetros de validação, permitindo avaliar o desempenho da tecnologia em condições reais de utilização.
Hidrogênio ganha espaço no transporte pesado
Embora os caminhões elétricos a bateria estejam a ganhar presença em operações urbanas e regionais, muitos fabricantes continuam a considerar o hidrogênio como uma solução particularmente adequada para o transporte pesado de longa distância.
A principal vantagem está na rapidez do reabastecimento e na elevada autonomia, fatores considerados essenciais para reduzir o tempo de imobilização dos veículos em operações logísticas intensivas.
Ao contrário dos motores de combustão convencionais, um veículo equipado com célula de combustível produz eletricidade a bordo através da reação química entre hidrogênio e oxigênio, tendo como única emissão direta vapor de água.
Retrofit pode reduzir custos da transição
Além do desenvolvimento de novos veículos, a GWM revelou que trabalha também num sistema de retrofit destinado à conversão de caminhões atualmente equipados com motores diesel para tecnologia de célula de combustível.
A estratégia pretende oferecer uma alternativa economicamente mais acessível para empresas que procuram reduzir as emissões das suas frotas sem necessidade de substituir integralmente os veículos existentes.
Caso a solução avance para produção comercial, poderá representar uma forma de acelerar a descarbonização do transporte rodoviário de mercadorias, prolongando simultaneamente a vida útil dos caminhões atualmente em operação.
O projeto desenvolvido na Bahia insere-se num movimento cada vez mais amplo de desenvolvimento de tecnologias de hidrogênio para o setor dos transportes, numa altura em que fabricantes, centros tecnológicos e empresas de energia procuram soluções capazes de reduzir as emissões de carbono sem comprometer a autonomia e a produtividade exigidas pelo transporte pesado.
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