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Ferrari CZ26: exemplar único reinterpreta o SF90 Stradale com inspiração no design industrial dos anos 70

  • Foto do escritor: Jaroslav Sussland - jaros@revistapubliracing.com.br
    Jaroslav Sussland - jaros@revistapubliracing.com.br
  • há 2 minutos
  • 4 min de leitura

Criado pelo programa Special Projects para um cliente norte-americano, o Ferrari CZ26 mantém a base técnica e as prestações do SF90 Stradale, mas recebe uma carroçaria totalmente redesenhada. O projeto aposta numa linguagem mais geométrica e minimalista, acompanhada por profundas alterações aerodinâmicas e por um habitáculo desenvolvido especificamente para este exemplar único.


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A Ferrari apresentou o CZ26, o mais recente one-off desenvolvido pelo programa Special Projects da marca. Criado em colaboração com um cliente dos Estados Unidos e desenhado pelo Ferrari Design Studio, sob a direção de Flavio Manzoni, o automóvel utiliza como ponto de partida o SF90 Stradale, mantendo as respetivas especificações técnicas. A intervenção concentra-se, assim, no desenho, aerodinâmica, materiais e personalização, procurando dar à berlinetta uma identidade substancialmente diferente do modelo que lhe serve de base.


Uma nova carroçaria sobre a base do SF90 Stradale

O CZ26 abandona grande parte das referências visuais do SF90 Stradale e adota uma composição marcadamente horizontal. A Ferrari descreve uma silhueta de dois volumes construída em torno de uma massa central semelhante a uma cápsula, enquadrada por quatro guarda-lamas bastante pronunciados. O resultado é uma carroçaria baixa e larga, com superfícies relativamente limpas e elementos funcionais integrados no próprio desenho.


Na dianteira, uma grelha funcional ocupa praticamente toda a largura e concentra módulos de iluminação ultrafinos, entradas de ar para os travões, sensores e outros componentes. A extremidade dianteira vertical constitui uma das maiores diferenças face aos atuais Ferrari de produção. Na traseira, a opção por uma secção truncada é acompanhada por grupos óticos em consola e por um difusor de forte desenvolvimento horizontal, recurso utilizado também para acentuar visualmente a largura do automóvel.


A influência declarada pela Ferrari vem de alguns exemplos do design industrial italiano da década de 1970, reinterpretados numa carroçaria contemporânea. As entradas de ar laterais, componentes em fibra de carbono que prolongam visualmente as cavas das rodas e os elementos aerodinâmicos deixam, por isso, de surgir como peças isoladas para fazerem parte da composição geral da carroçaria.



Argento Veloce e detalhes específicos

A pintura escolhida para este exemplar chama-se Argento Veloce, um tom prateado desenvolvido especificamente para criar um efeito visual líquido sobre as superfícies. O contraste é feito através de apontamentos em Rosso Lampante e de componentes em fibra de carbono pigmentada.


As jantes também foram desenhadas exclusivamente para o CZ26, combinando pintura preta brilhante com um tratamento superficial obtido através de projeção de microesferas. Na traseira surgem ainda saídas de escape em titânio com acabamento natural. O tejadilho e os pilares em preto procuram, por sua vez, criar a impressão de uma cabine independente inserida no volume principal da carroçaria.


Interior segue a mesma abordagem técnica

A personalização prolonga-se ao habitáculo. A Ferrari utilizou um tecido técnico preto desenvolvido para o projeto, combinado com aplicações nos bancos produzidas através de fabrico aditivo. Os apontamentos Rosso Lampante repetem o contraste utilizado no exterior, enquanto o logótipo CZ26 bordado identifica o caráter único do automóvel.


Há diferentes tratamentos de fibra de carbono no interior. Superfícies acetinadas convivem com uma variante brilhante que integra filamentos metálicos na própria estrutura do material. Alguns componentes dos painéis das portas e da zona superior do tablier recebem ainda a mesma cor da carroçaria.



Aerodinâmica obrigou a redesenhar sistemas do SF90

As diferenças face ao SF90 Stradale não são apenas estéticas. A nova carroçaria levou a Ferrari a rever extensivamente a gestão aerodinâmica e térmica. Na dianteira, o conjunto central de radiadores foi reposicionado, enquanto novos canais de bypass procuram conciliar a refrigeração com o aumento da carga aerodinâmica sobre o eixo dianteiro.


O fundo do automóvel e os geradores de vórtices também foram redesenhados. Nas extremidades do para-choques dianteiro, um sistema de cortina de ar atua sobre a turbulência produzida pelas rodas, procurando reduzir a resistência aerodinâmica.


Na traseira, as alterações incluem um spoiler superior de grandes dimensões e um difusor específico, ambos desenvolvidos para aumentar a carga aerodinâmica sem penalizar excessivamente a eficiência. A tampa do compartimento do motor foi igualmente modificada e recebeu novas aberturas destinadas à dissipação térmica.


Um Ferrari único, mas mecanicamente conhecido

Apesar da transformação visual e aerodinâmica, a Ferrari não anuncia alterações à cadeia cinemática. O CZ26 conserva as especificações técnicas do SF90 Stradale, o que significa que o projeto deve ser interpretado sobretudo como uma reinterpretação formal e funcional de uma arquitetura já existente, e não como um novo modelo de produção.


O CZ26 integra o Special Projects, programa através do qual a Ferrari desenvolve automóveis únicos para clientes específicos, partindo de modelos existentes e trabalhando diretamente entre cliente e equipa de design. Neste caso, a intervenção mostra até que ponto a arquitetura do SF90 Stradale pode assumir uma identidade distinta quando carroçaria, aerodinâmica, materiais e habitáculo são redesenhados em torno de um único exemplar.


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