
Artur Semedo artursemedo@revistapubliracing.com.br
há 4 dias



Redação Publiracing
19 de out. de 2025



Artur Semedo artursemedo@revistapubliracing.com.br
12 de out. de 2025




Carro vencedor de dois Grandes Prêmios em 1986, pilotado por Ayrton Senna, representa o auge técnico e humano da Fórmula 1 turbo e pode atingir até US$ 12 milhões.
O Lotus 98T, um dos carros mais emblemáticos da história da Fórmula 1 e peça central da temporada de 1986 de Ayrton Senna, será colocado à venda com estimativa entre US$ 9,5 milhões e US$ 12 milhões. Pilotado pelo brasileiro em uma das fases mais intensas e indomáveis do automobilismo, o modelo não é apenas um carro de corrida histórico, mas um símbolo de uma era em que potência, risco e genialidade coexistiam sem limites claros.
Construído para disputar o Campeonato Mundial de Fórmula 1 de 1986, o Lotus 98T foi o último monoposto da categoria a ostentar a icônica pintura preta e dourada da John Player Special. Dos apenas quatro chassis produzidos, o exemplar em questão — o 98T-3 — é considerado o mais valioso: foi utilizado exclusivamente por Ayrton Senna durante a primeira metade daquela temporada, período em que o brasileiro conquistou duas vitórias, cinco pole positions e mais três pódios em apenas oito largadas.
O 98T entrou definitivamente para a história nos Grandes Prêmios da Espanha e dos Estados Unidos. Em Jerez de la Frontera, Senna protagonizou uma das performances mais memoráveis da Fórmula 1. Com o turbo ajustado para mais de 4 bar de pressão, o Renault V6 de 1,5 litro produzia números estimados superiores a 1.000 cavalos em configuração de classificação. O resultado foi uma pole position histórica, quase um segundo e meio mais rápida que a do concorrente mais próximo.
Na corrida, Senna venceu Nigel Mansell por apenas 0,014 segundo — a terceira chegada mais apertada da história da Fórmula 1. “Do apagar das luzes à bandeirada, não houve tempo para pensar em nada além de pilotar o mais rápido possível”, resumiu o brasileiro após a prova.

A segunda vitória veio em Detroit, em uma corrida que se transformou em aula de pilotagem. Após um furo lento que o jogou para oitavo lugar, Senna iniciou uma recuperação impressionante, ultrapassando carros de Ferrari, McLaren, Williams e Ligier até reassumir a liderança. O triunfo foi consolidado após um acidente de Nelson Piquet, que selou um dos capítulos mais dramáticos da temporada.
O Lotus 98T foi projetado por Gérard Ducarouge e representava uma evolução profunda em relação ao modelo anterior. O chassi passou a ser uma estrutura integral de fibra de carbono e alumínio, mais leve e rígida, enquanto a aerodinâmica foi refinada para lidar com níveis extremos de potência.
O grande diferencial, porém, estava na traseira. Com a saída da Renault como equipe oficial, a fabricante francesa concentrou seus esforços no fornecimento de motores para a Lotus. O propulsor EF15bis, desenvolvido em Viry-Châtillon sob a liderança de Bernard Dudot, introduziu soluções avançadas como válvulas com acionamento pneumático e bobinas de ignição individuais por vela.

Em ritmo de corrida, o motor entregava cerca de 900 cavalos. Na classificação, com turbos especiais, ausência de wastegates e até injeção de água, a potência era tão elevada que ultrapassava a capacidade de medição dos dinamômetros da época. A diferença entre o carro de corrida e o de classificação podia chegar a 300 cavalos — um número impensável nos padrões atuais.
Segundo Steve Hallam, engenheiro-chefe de Senna em 1986, os turbos precisavam ser trocados após cada volta rápida. “Eles ficavam incandescentes. Os mecânicos usavam luvas grossas de amianto e o ar ao redor literalmente faiscava de tão quente”, recordou.
A temporada de 1986 talvez tenha sido a melhor chance de título de Senna antes de sua ida à McLaren. Embora o campeonato tenha escapado, o impacto do brasileiro foi definitivo. Em apenas sua terceira temporada na Fórmula 1, ele já era herói nacional e referência técnica e emocional do grid.
O Lotus 98T sintetiza esse momento como poucos carros conseguiram. Extremamente potente, difícil de domar e visualmente marcante, ele se tornou um ícone não apenas pela engenharia, mas pela forma como Senna o conduziu ao limite — e além.


Desde que deixou a Lotus, em 1988, o chassis manteve uma cadeia de propriedade impecável, passando por algumas das coleções mais respeitadas do automobilismo mundial. Restaurado posteriormente pela renomada Paul Lanzante Ltd., o carro encontra-se em condição irrepreensível, pronto tanto para exposição quanto para voltar à pista.
Mais do que um objeto de coleção, o Lotus 98T é um testemunho físico de um período irrepetível da Fórmula 1 — quando regulamentos permissivos, máquinas brutais e pilotos extraordinários moldaram uma era em que homens e máquinas realmente testavam os limites do possível.
Galeria de Imagens




























Para encerrar este capítulo histórico, importa referir que o Lotus 98T de Ayrton Senna será leiloado pela RM Sotheby’s, uma das mais prestigiadas casas de leilões do mundo no segmento de automóveis clássicos e de competição. O modelo integra o leilão “Sealed – Lotus 98T”, com o início das licitações marcado para quarta-feira, 4 de março de 2026, num processo que deverá atrair colecionadores e entusiastas de todo o mundo. Trata-se de uma oportunidade rara de adquirir não apenas um carro de Fórmula 1, mas um dos mais emblemáticos símbolos da era turbo e da carreira de Ayrton Senna.
👉 A Revista Publiracing acredita em jornalismo isento, relevante e de qualidade. Se também valoriza informação independente, considere apoiar o nosso trabalho.
Saiba mais clicando aqui ou vá para o link de apoio abaixo





















Comentários