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Denza B5 permaneceu pelo terceiro mês consecutivo como o premium mais emplacado no Brasil

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    Redação Publiracing
  • há 1 minuto
  • 6 min de leitura


O mercado brasileiro de veículos premium fechou agosto de 2026 com 3.757 emplacamentos, queda de 16% na comparação anual e de 7% sobre julho, segundo análise da Bright Consulting. Em sentido contrário à retração do segmento, as marcas chinesas avançaram rapidamente e alcançaram participação recorde de 20,1%, contra apenas 1,3% há um ano. A BMW ampliou a liderança entre as marcas, enquanto o Denza B5 permaneceu pelo terceiro mês consecutivo como o premium mais emplacado do País.


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O comportamento do mercado premium brasileiro continua destoando do desempenho geral da indústria. Enquanto o mercado total avançou 22% em agosto e acumula crescimento de 19,3% em 2026, os veículos premium permanecem em queda nas principais comparações.

Foram 3.757 unidades em agosto, contra 4.041 em julho e 4.475 no mesmo mês de 2025. No acumulado de janeiro a agosto, são 31.601 veículos, retração de 6,4% diante das 33.780 unidades registradas no mesmo período do ano passado.


A diferença no número de dias úteis ajuda a explicar a queda mensal, mas não altera o diagnóstico na comparação anual. Agosto teve 21 dias úteis, dois a menos do que julho e exatamente o mesmo número de agosto de 2025. A média diária ficou em 179 veículos, 1,9% acima das 176 unidades de julho, mas 16% abaixo das 213 registradas há um ano. No acumulado, 2026 teve apenas um dia útil a menos, 167 contra 168, reforçando que a retração anual não decorre apenas do calendário.


Venda direta cai 31,8% e perde espaço

Um dos principais pontos de pressão veio das vendas diretas. Foram 844 unidades em agosto, queda de 19,8% sobre julho e de expressivos 31,8% em relação a agosto de 2025. Com isso, o canal respondeu por apenas 22,5% dos emplacamentos premium do mês.


As vendas de showroom mostraram maior resistência: foram 2.913 veículos, retração de 2,5% na comparação mensal e de 10% na anual.

Canal

Agosto/26

vs. julho/26

vs. agosto/25

2026

vs. 2025

Showroom

2.913

-2,5%

-10,0%

23.007

-7,5%

Venda direta

844

-19,8%

-31,8%

8.594

-3,5%

Total

3.757

-7,0%

-16,0%

31.601

-6,4%

Curiosamente, apesar da forte queda em agosto, a venda direta ainda representa 27,2% do volume acumulado em 2026, ligeiramente acima dos 26,4% observados no mesmo período do ano anterior.


BMW chega a um terço do mercado, mas Denza é quem mais avança

A BMW ampliou a liderança em agosto ao registrar 1.255 emplacamentos, equivalentes a 33,4% de todo o mercado premium. A participação aumentou 4,6 pontos percentuais em relação a julho.


O movimento mais significativo, porém, veio da Denza. A marca chinesa alcançou 683 unidades e 18,2% de participação, 5,2 pontos percentuais acima do mês anterior, consolidando a segunda posição.


A Mercedes-Benz terminou agosto em terceiro lugar, com 466 unidades e 12,4%, seguida pela Volvo, com 393 e 10,5%. As duas perderam, respetivamente, 3,2 e 5,3 pontos percentuais de participação. A Audi ficou em quinto, com 289 unidades e 7,7%.


Marca

Emplacamentos

Participação

Variação mensal de share

BMW

1.255

33,4%

+4,6 p.p.

Denza

683

18,2%

+5,2 p.p.

Mercedes-Benz

466

12,4%

-3,2 p.p.

Volvo

393

10,5%

-5,3 p.p.

Audi

289

7,7%

+0,3 p.p.

Porsche

185

4,9%

-2,3 p.p.

Land Rover

155

4,1%

-0,3 p.p.

MINI

119

3,2%

+0,6 p.p.

Lexus

113

3,0%

+0,3 p.p.

Zeekr

74

2,0%

+0,3 p.p.

O resultado da BMW não dependeu apenas de um produto. A fabricante colocou quatro modelos entre os dez premium mais emplacados, ocupando da segunda à quarta posição com X1, 320i e X3, além do X2 em oitavo.


Denza B5 supera BMW X1 e lidera pelo terceiro mês

No ranking por modelos, a transformação do mercado fica ainda mais evidente. O Denza B5 terminou agosto com 677 emplacamentos, participação de 18% e a liderança pelo terceiro mês consecutivo.


A diferença para o segundo colocado aumentou: o BMW X1 registrou 509 unidades e 13,5% do mercado. Na sequência aparecem BMW 320i, com 226; BMW X3, com 223; e Volvo XC60, com 184.

Posição

Modelo

Unidades

Participação

1

Denza B5

677

18,0%

2

BMW X1

509

13,5%

3

BMW 320i

226

6,0%

4

BMW X3

223

5,9%

5

Volvo XC60

184

4,9%

6

Mercedes-Benz GLC 300

148

3,9%

7

Audi Q5

106

2,8%

8

BMW X2

85

2,3%

9

Volvo EX40

72

1,9%

10

Zeekr 7X

72

1,9%

A presença do Zeekr 7X entre os dez primeiros, com 72 unidades, acrescenta outro elemento à mudança. Denza e Zeekr mostram que as fabricantes chinesas começam a ocupar posições que até recentemente eram dominadas quase exclusivamente pelas tradicionais marcas premium europeias e japonesas.


Chinesas saltam de 1,3% para 20,1% em apenas um ano

Essa transformação aparece de forma ainda mais clara quando as marcas chinesas são analisadas em conjunto. Em agosto de 2025, elas haviam registrado apenas 60 veículos e 1,3% do mercado premium. Um ano depois, chegaram a 757 unidades e 20,1%.


Em termos de volume, significa multiplicar as vendas por mais de 12 vezes em doze meses. Na comparação com julho, quando detinham 14,8%, o avanço foi de 5,3 pontos percentuais.


Com isso, um em cada cinco veículos premium emplacados no Brasil em agosto já pertenceu a uma marca chinesa.


O Denza B5 responde por grande parte dessa transformação: sozinho, representou 677 das 757 unidades chinesas registradas no mês, ou aproximadamente 89% desse volume. Portanto, embora a participação conjunta tenha alcançado um novo patamar, ela ainda está fortemente concentrada num único produto.


SUVs já representam praticamente três em cada quatro premium

Outra mudança estrutural está na carroceria escolhida pelo consumidor. Os SUVs chegaram a 74,2% do mercado premium em agosto, contra 72,1% em julho e apenas 58% no mesmo mês de 2025.


Em apenas um ano, portanto, a participação dos SUVs avançou 16,2 pontos percentuais.


O movimento ocorreu principalmente às custas dos sedãs e crossovers. Os sedãs passaram de 21,1% em agosto de 2025 para 13,1% neste ano, enquanto os crossovers recuaram de 13,3% para 6,5%.

Carroceria

Agosto/26

Julho/26

Agosto/25

SUV

74,2%

72,1%

58,0%

Sedã

13,1%

11,2%

21,1%

Crossover

6,5%

9,5%

13,3%

Coupé/Roadster

4,3%

5,2%

4,4%

Hatchback

2,0%

2,0%

2,9%

Coupés e roadsters mantiveram uma fatia relativamente estável, com 4,3%, enquanto os hatchbacks ficaram restritos a 2% do segmento.


Mais da metade dos premium já é eletrificada, mas volume caiu

A eletrificação permanece muito mais avançada no premium do que no restante do mercado brasileiro. Em agosto foram emplacados 2.017 veículos eletrificados, equivalentes a 53,7% de todos os premium vendidos.


O percentual elevado, entretanto, esconde uma retração em volume. As 2.017 unidades representam queda de 10,1% sobre julho, quando foram 2.244, e de 13,1% na comparação com agosto de 2025, quando chegaram a 2.322.


Os híbridos plug-in dominaram o conjunto, com 1.101 unidades e 54,6% dos eletrificados premium. Os híbridos leves somaram 506 unidades (25,1%), enquanto os elétricos a bateria registraram 318 (15,8%) e os híbridos convencionais, 92 (4,6%).


A Denza concentrou 61,5% dos PHEV, impulsionada novamente pelo B5. Entre os elétricos, a Volvo ficou com 56% do mercado e teve o EX40 como modelo mais vendido, com 72 unidades. A BMW liderou os híbridos leves, enquanto a Lexus dominou os híbridos convencionais.


A elevada participação da eletrificação não significa, portanto, que este grupo esteja imune à retração geral do premium. Ao contrário: agosto mostrou que a participação dos eletrificados pode permanecer acima da metade do mercado mesmo com redução do número absoluto de veículos vendidos.


São Paulo concentra 38,4% dos emplacamentos

Geograficamente, São Paulo mantém uma distância considerável sobre os demais mercados. O estado registrou 1.441 veículos premium em agosto, equivalentes a 38,4% do total nacional.


O Paraná aparece em segundo lugar, com 388 unidades e 10,3%, seguido por Santa Catarina, com 308 e 8,2%. Minas Gerais respondeu por 254 unidades (6,8%), enquanto o Rio de Janeiro ficou com 225 (6%).


Somados, os três estados da Região Sul — Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul — representaram 867 emplacamentos, cerca de 23% de todo o segmento no mês.


Premium encolhe, mas sua composição muda rapidamente

Os números de agosto mostram um mercado dividido entre retração de volume e transformação acelerada da sua composição. As vendas caíram 16% em relação ao ano passado e acumulam retração de 6,4% em 2026, justamente quando o mercado automotivo brasileiro como um todo avança.


Ao mesmo tempo, três movimentos ganham força: SUVs já concentram 74,2% das vendas, eletrificados representam 53,7% e fabricantes chineses alcançaram 20,1% do segmento.


BMW continua com ampla liderança e respondeu sozinha por um terço do mercado em agosto, mas a ascensão da Denza e a chegada da Zeekr ao top 10 de modelos indicam uma disputa mais ampla pela segunda metade da década.


O contraste talvez seja o dado mais importante de agosto: o mercado premium brasileiro está menor do que há um ano, mas está mudando rapidamente por dentro. E a combinação entre eletrificação, domínio dos SUVs e avanço das marcas chinesas começa a alterar uma categoria historicamente controlada pelas fabricantes premium europeias.


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