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Avaliação: Com a qualidade japonesa e motor 1.5 Turbo a gasolina, versão Touring do Civic ameaça ger


Tem modelos que nos deixam especialmente entusiasmados quando falamos deles, as razões são sempre as mais variadas, e vão desde o motor, passando pelo acabamento, as inovações de design ou ainda as tecnológicas, entre muitas outras características que poderíamos referir quando falamos de um modelo, e o enquadramos em seu segmento e sua proposta.

No entanto, poucos têm, em nossa opinião, esta capacidade como o Honda Civic, especialmente na sua versão mais completa (e nervosa), a Touring. Personalidade adquirida desde que a Honda assumiu o risco de fugir do lugar comum, ou da zona de conforto, e lançou a geração 10 do seu sedã médio.

Desde aquele momento ele deixou de lado a popularidade que tinha até ali, e que lhe conferia uma disputa a dois com o Corolla da Toyota, para entrar num outro patamar, de produto, e até mesmo de cliente.

Se com as versões, Sport, EX e EXL, a Honda ainda busca o cliente do sedã médio mais “tradicional” que privilegia principalmente a segurança e espaço para a sua família através de um veículo de maior envergadura e segurança, já com a versão avaliada por nós, a Touring, a marca mira o cliente que, além dos fatores listados, busca um carro capaz de entregar através do exclusivo motor 1.5 Turbo de 173 CV, aquele toque de esportividade que o aproxima das opções germânicas no segmento, tanto em capacidade quanto em tecnologia.

O Honda Civic é um veículo de postura agressiva, imponente e muito moderna. Nesta versão topo de linha ele junta esportividade e alguns itens de conforto.

Em nossa habitual observação externa destaque para o conjunto ótico Full Led, que passa pelos faróis dianteiros e luzes de neblina, a assinatura diurna DRL, passando pelas lanternas traseiras e sinalizadores de mudança de direção integrados nos espelhos retrovisores (com rebatimento elétrico e da cor da carroceria).

Visível ainda um dos diferenciais desta versão Touring em relação às demais versões do Civic, o teto solar, toque de conforto necessário para um sedã que busca um cliente mais exigente. Outro dado marcante do design do Civic é a correta harmonização das maçanetas com a imponente e marcante grade dianteira, utilizando o acabamento em cromado para ambas as peças e entregando a necessária sofisticação para um veículo que tem preço sugerido na concessionária de R$ 127.600. Lembrar que a esse valor temos que adicionar a opção de cor R$ 1.200 para versões metálicas e perolizadas, ou R$ 1.500 para cores especiais, como a nova tonalidade que acaba de chegar com a versão 2019 do modelo.


As rodas são de liga leve 17" diamantadas, e onde são instalados os pneus de medida 215 / 50R17. Esteticamente o Honda Civic geração 10 é um veículo de porte imponente e “estilo” de cupê e de baixa distancia em relação ao solo 1.433 (mm). Ainda como principais dimensões destacamos os 2.700 de entre eixos, 4.637 de comprimento e 1.799 de largura. Antecipando a descrição do anterior, mas aproveitando o momento do texto, referencia para os generosos 519 litros de volume do porta-malas, digno da postura que ostenta. Ainda na traseira, e finalizando nosso resumo ao design, destacamos o escapamento duplo, nada mais correto para um veículo de perfil mais esportivo.

Hora de acessar ao interior, o que é feito utilizando a facilidade da chave tipo canivete, com sensor aproximação, ela permite entrar no Honda Civic com apenas um toque na maçaneta. Nossa chave tem ainda função de abertura do porta-malas, abertura e fechamento dos vidros e do teto solar e permite ainda a partida do motor à distância. Já no interior, o espaço disponibilizado no Honda Civic é muito generoso, aliás, uma característica da marca que sempre trabalha de forma muito eficiente esta questão.

Uma sensação que imediatamente sentimos ao sentar no banco do condutor é o o baixo posicionamento, típico de um sedã esportivo, mas claro que sempre dá para realizar ajustes no banco (elétrico com oito posições) e no volante (coluna de direção com ajuste de altura e profundidade) e assim obter uma posição mais de acordo com o conforto, e segurança, desejado pelo condutor.

Olhando à volta o interior do Honda Civic sempre passa uma sensação de muita solidez e sofisticação, com o revestimento em couro sendo utilizado, nos bancos, volante e alavanca do câmbio. Fica claro, e antecipando um pouco o resultado do nosso teste dinâmico, que através dos quilômetros percorridos nos mais diversos tipos de piso, a correta integração das peças, o que aliado à qualidade dos materiais utilizados, entrega um interior de poucos ruídos indesejáveis e bom isolamento acústico, auxiliado ainda pela tecnologia de para-brisa com tratamento acústico para um melhor conforto sonoro. O painel de instrumentos é com acabamento softtouch (macio ao toque).

A distribuição dos principais botões é muito correta no sedã japonês, beneficiando o visual do freio de estacionamento eletrônico (EPB - Electronic Parking Brake) com função Brake Hold que permite um console central mais “limpo” e elegante, em posição elevada e com apoio de braços e porta-copos. Destacamos ainda os vidros elétricos com a função "um toque" em todas as portas, banco traseiro com apoio de braço central e porta-copos, ar-condicionado digital com a função de ajuste automático da temperatura e Dual Zone. Todos os lugares contam com cinto de segurança de 3 pontos e encosto de cabeça, e atrás o indispensável sistema ISOFIX de fixação para cadeirinhas infantis.

Já a central multimídia está corretamente integrada no painel, em ótima posição para visibilidade e toque, ela tem tela de 7” multi-touchscreen, permite visualizar a câmera de ré multivisão (três vistas) com linhas dinâmicas, além de integrar o navegador GPS. Disponibiliza ainda Wi-Fi e função Turn-by-turn (navegação assistida por voz), interface para smartphones Apple CarPlay e Android Auto com Tag Voice, Bluetooth para ligações (HFT - Hands-Free Telephone) e reprodução de músicas com ajustes no volante, leitor de MP3 / Windows Media Audio (WMA). O Honda Civic tem ainda duas entradas USB, uma para 12V e conexão HDMI.

O sistema de som, sem ser claramente uma grande aposta, é, no entanto, muito agradável, distribuindo o som pelo habitáculo através de 4 alto-falantes e 4 tweeters com 180W de potência.

É chegada a hora de dar partida ao ótimo motor 1.5 Turbo 16V DOHC Duplo VTC de injeção direta, exclusivamente a gasolina, e que entrega 173 CV às 5500 rpm. O acionamento do mesmo é feito através do botão Start/Stop e ficamos prontos para iniciar nosso teste, que, como habitualmente, se divide entre os dias de trânsito urbano na cidade de São Paulo e algumas centenas de quilômetros em rodovias ou autoestradas, numa tentativa de interpretar da forma mais correta possível os dois principais ambientes de utilização do modelo.

O Civic nesta versão topo de linha trás recursos de segurança que o posicionam muito bem no segmento. São exemplos disso os seis airbags, frontais, laterais e de cortina, a estrutura de deformação progressiva, os freios de disco nas quatro rodas com sistemas ABS e EBD, EBA (Emergency Brake Assist) e que sempre se mostraram extremamente eficientes em nosso teste, o assistente de tração e estabilidade, assistente de partidas em aclive com a opção de acionamento do já mencionado Brake Hold, o Agile Handling Assist - Assistente de dirigibilidade ágil e ainda outro diferencial da versão Touring que é sistema Honda LaneWatch que através de uma câmera instalada no espelho retrovisor direito, disponibiliza essas imagens na central quando acionada a seta para a direita e reduzindo o chamado ponto cego.

O eficiente conjunto da suspensão, tipo MacPherson na frente e Multi-link na traseira, entrega um comportamento muito equilibrado, e até surpreendente, já que consegue ser suave, absorvendo as irregularidades tão comuns nas nossas cidades, permitindo com isso o conforto desejado no circuito quotidiano, mas sem esquecer a necessária eficiência em alta velocidade, mantendo muita estabilidade em movimentos rápidos do volante. É verdadeiramente um sedã de postura muito digna, confortável para o dia a dia e confiável em alta velocidade. E já que falamos em direção, destaque merecido para a solução de assistência elétrica progressiva (EPS) com duplo pinhão e relação variável, que permite reações imediatas e precisas da direção, mais um elemento muito interessante do Civic.

O Honda Civic nesta versão Touring, tem como principal diferencial, além do já referido teto solar, a sua motorização. Este propulsor 1.5 turbo é especialmente interessante e permite reações muito rápidas através do torque de 22.4kgfm entre as iniciais 1700 e as 5500 rpm. Esta capacidade de entregar potência muito cedo, permite sempre ter potência à disposição ao longo das principais ações de uma condução normal, além da segurança com a garantia de capacidade quando a necessidade é por uma tocada mais agressiva. Não sendo um Civic Si, a versão mais esportiva do modelo disponibilizada para o Brasil, ele é muito bem capaz de surpreender quem gosta de mais esportividade, e buscaria essa capacidade em sedãs das chamadas marcas Premium, como Audi, BMW ou Mercedes-Benz.

Para trabalhar em conjunto com o ótimo motor, a transmissão automática do tipo CVT (sete velocidades) com Paddle Shifts no volante, e que apesar do tipo de câmbio, foi muito bem trabalhada em sua configuração, conseguindo assim passar toda a emoção e capacidade do motor, com subida gradual do giro de forma muito correta e de acordo com a sensibilidade do pé direito, num casamento muito interessante para o conjunto mecânico.

Através da interessante capacidade em ser dócil quando em condução que não leve seu giro para patamares muito elevados, o Honda Civic com este motor 1.5 Turbo a gasolina consegue segundo o INMETRO médias de 11,8 e 14,4 Km/l, em circuito urbano e estrada respetivamente e que não ficaram muito distantes dos conseguidos pela nossa equipe, que obteve 11,2 km/l em circuito urbano e 13,9 km/l em estrada. Bastante interessante se considerarmos que por vezes nos entusiasmamos com a capacidade do veículo que tem de peso de 1.326 Kg, acelerando um pouco mais, e comprometendo obviamente o resultado final no teste de consumo. Esses números o posicionam na categoria A, segundo o INMETRO, em eficiência para o seu segmento. Com um tanque de combustível que disponibiliza volume para 56 litros de gasolina, o Civic Touring entrega assim uma interessante autonomia, tanto na cidade como em estrada.

Com 2298 unidades emplacadas ao longo do mês de outubro (1913 em setembro) e em toda a linha Civic, o modelo da marca japonesa continua consolidado na segunda posição entre os sedãs médios no Brasil. Se o volume de 21 766 unidades vendidas ao longo de 2018 o deixa distante das 48 857 do líder Toyota Corolla, o Civic deixa também cada vez mais longe o Cruze da Chevrolet, que com 16 271 unidades vendidas até final de outubro aparece como terceira força neste importante segmento.

Lembrar que disputam clientes neste grupo de importantes e competitivos produtos, modelos como Ford Focus, Nissan Sentra, Volkswagen Jetta ou ainda o C4 Lounge da Citroën, além, claro, dos já citados veículos imediatamente acima das marcas Premium. Todos eles com as suas virtudes, tentam chamar a atenção oferecendo as mais diferentes, e cada vez mais competitivas, opções, o que acaba por qualificar ainda mais o bom, e estável, desempenho da linha Civic, que com uma proposta mais ousada, vanguardista e num primeiro momento arriscada, entrega um produto esteticamente muito interessante, com a confiabilidade da marca Honda, e nesta versão Touring testada por nós, com o toque de esportividade que o leva a ameaçar os germânicos, conseguindo chamar a atenção de consumidores que buscam um sedã confortável, tecnológico, eficiente e esportivo.

Fotos: Revista Publiracing / AJLS Comunicação e Honda (Interior)

Honda Civic Touring

Design 9

Espaço e Conforto 8

Conectividade e Tecnologia 7

Acabamento 8

Motor / Consumo 8

Transmissão 7

Suspensão 7

Direção 8

Freios 8

Segurança e Auxílios 7

Total 77

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