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DAKAR 2018: Em sua 18ª presença na prova, Carlos Sousa vai estrear com a Duster no maior rali do mun

  • Correspondente na Europa ( Portugal )José Ribeiro
  • 5 de jan. de 2018
  • 5 min de leitura

DAKAR 2018: Em sua 18ª presença na prova, Carlos Sousa vai estrear com a Duster no maior rali do mundo

Com o número 315 nas portas da Duster, o piloto Carlos Sousa estará amanhã (sábado) à partida da edição 2018 do Dakar. O português admite estar “muito expetante e curioso” com este regresso ao mais duro e apaixonante rali do mundo. Afinal, para além da estreia com o Duster e de ter um novo navegador, há dois anos que está afastado das competições. Mas apesar das condicionantes, o piloto de Almada sonha com um resultado final entre os dez primeiros. O Dakar 2018 decorrerá entre amanhã (6) e o dia 20 de janeiro, com passagem pelo Peru, Bolívia e Argentina.

A partida para a 40ª edição está marcada para amanhã (sábado), na cidade peruana de Lima. Será a primeira de 14 etapas e 15 dias (um para descanso), num total de 8793 quilómetros, 4329 dos quais disputados ao cronómetro (para os automóveis). Um verdadeiro teste de resistência para as mecânicas, mas também para a capacidade física e psicológica de pilotos e navegadores.

A 24 horas de largar para o seu 18º Dakar, o p

ortuguês recorda que “há pouco mais de três meses nem sequer sonhava com este regresso. Estava sem correr desde 2016, quando recebi um telefonema a convidarem-me para participar no Dakar com a Duster”.

O português integra a equipa oficial da Renault Sport Argentina (a gama Dacia é comercializada no país vizinho como no Brasil sob a marca Renault). Equipados com um motor V8 da Aliança Renault-Nissan, com 390 cavalos de potência, os Duster querem ser uma das surpresas da prova, beneficiando da experiência e da rapidez dos dois pilotos da equipa: Carlos Sousa e o argentino Emiliano Spataro.

O sonho de um resultado no top-10!

O piloto português acredita que “é possível sonhar com a conquista de um resultado final entre os dez primeiros. Nas edições anteriores, o Duster mostrou que pode surpreender, mas claro que o Dakar é sempre o Dakar. Muito duro e difícil, fértil em imponderáveis e uma verdadeira loteria. Para além disso, mais uma vez, com uma lista de participantes de luxo, com muitos pilotos talentosos inseridos em estruturas com grandes meios.”

DAKAR 2018: Em sua 18ª presença na prova, Carlos Sousa vai estrear com a Duster no maior rali do mundo

Mas apesar do otimismo em conquistar um lugar no top-10 pela 12ª vez na sua carreira, Carlos Sousa está consciente dos condicionalismos associados à sua participação: “Vai ser a minha prova de estreia com o Duster, vou estrear um novo navegador (o francês Pascal Maimon, vencedor da prova em 2002) e há dois anos que estou afastado das competições. Além disso, só fiz um teste com a equipa e muito curto. Ou seja, motivos suficientes para ter uma estratégia bem definida: muita contenção nas primeiras etapas e, a partir daí, se houver condições e se se justificar, imprimir um ritmo forte.”

As dunas das primeiras etapas podem ser um aliado

Como a edição deste ano do Dakar começa logo com as dunas do Peru, Carlos Sousa acredita que “isso pode ser uma vantagem para mim. Se a prova começasse com percursos tipo rali, estou certo que ia perder muito mais tempo para os pilotos da frente, pois para além da falta de ritmo, entre o Duster e o navegador, tenho todo um mundo novo para descobrir. Assim, acredito que a minha experiência nas dunas pode atenuar esses condicionalismos, mas com a consciência que, na areia do deserto, as coisas ou correm muito bem, ou estupidamente mal.”

Mas se “a falta de ritmo” é uma das maiores preocupações de Carlos Sousa, outra é a adaptação que vai ter de fazer ao Duster e à pilotagem de um carro equipado com motor a gasolina. Na realidade, depois de ter participado nas últimas cinco edições do Dakar ao volante de viaturas equipadas com motores a diesel, o piloto de Almada confessa que “nos primeiros dias, vou ter dificuldade em explorar todo o potencial do motor do Duster. Em relação a um a diesel, um bloco que tem menos binário nos baixos regimes e que obriga a uma pilotagem completamente diferente, com mais recurso à caixa de velocidades e a rotações mais elevadas.”

Um navegador que já venceu o Dakar

Para Carlos Sousa, a edição 2018 do Dakar também fica marcada pela estreia de um novo navegador: o francês Pascal Maimon, vencedor do Dakar 2002, ao lado do japonês Hiroshi Masuoka. “É uma das referências da modalidade na arte da navegação. O seu histórico diz tudo sobre a sua experiência e competência. Também é um especialista em mecânica, pelo que a escolha não podia ser mais certa,” sublinha o piloto nacional.

O Duster Dakar

O Duster Dakar é equipado com o motor V8 VK56 da Aliança Renault-Nissan. Um bloco com 5.450cc de cilindrada, 390 cavalos de potência e 45 Kgm de torque. Na sequência da experiência acumulada desde 2013, a Duster Dakar apresenta-se à partida da edição 2018 com importantes evolução técnica na suspensão traseira, mas também no sistema de refrigeração dos freios.

O português Carlos Sousa vai participar com a unidade com que Emiliano Spataro participou na edição 2017 do Dakar. Um carro com poucos quilómetros, uma vez que o argentino desistiu logo na terceira etapa, com problemas na suspensão traseira, e na sequência da passagem num salto mais pronunciado.

DAKAR 2018: Em sua 18ª presença na prova, Carlos Sousa vai estrear com a Duster no maior rali do mundo

O 18º Dakar de Carlos Sousa

O Dakar 2018 é também o 18º da carreira de Carlos Sousa. Com participações em quase metade das edições do mais duro e apaixonante rali do mundo, não raras vezes é apelidado de “Senhor Dakar”. Mas o português é muito mais do que um dos incontornáveis da lista de participantes. O saldo é mais que positivo: em 17 presenças na prova, 11 vezes chegou ao final no top-10 da classificação geral e soma sete vitórias em etapas. Como melhor resultado, o quarto lugar conquistado na edição de 2003, a que se juntam dois quintos lugares (2001 e 2002), três sextos (2010, 2012 e 2013), três sétimos (2005, 2006 e 2007), um oitavo (2015) e um décimo em 1997. A estreia aconteceu em 1996.

O Dakar 2018

A 40ª edição do Rally Dakar terá lugar entre 6 e 20 de janeiro, percorrendo, pela 10ª vez consecutiva países na América do Sul. Para comemorar uma edição épica, a organização da ASO (Amaury Sport Organisation) preparou uma prova que atravessará três países: Argentina, Bolívia e Peru (país que regressa depois de uma ausência de cinco anos), ao longo de 14 etapas e 15 dias (um para descanso), num total de 8793 km, 4329 dos quais disputados ao cronómetro (para os autos).

Explorando setores desconhecidos, mas também propondo o tradicional e muito exigente desafio da condução na areia do deserto (sete etapas disputadas em dunas) e da condução em altitude, o Dakar 2018 promete ser dos mais seletivos dos últimos anos, iniciando-se no Peru (com seis etapas), atravessando a Bolívia (durante quatro etapas) e terminando na Argentina (com mais seis etapas).

A etapa de amanhã

Sábado, 6 de janeiro/1ª Etapa (Lima/Pisco) – 272 km (SS: 31 km)

Arrancando do Peru, o Dakar serve logo na etapa de abertura um dos seus “pratos fortes”: a areia. Com uma distância seletiva relativamente curta, será a primeira prova de fogo para os especialistas deste tipo de pista e o primeiro desafio para os restantes concorrentes. A descida, antes de chegar à margem de um lago, poderá fazer a diferença, devido à delicadeza de condução que exigirá.

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