Os 115 anos de automobilismo da Renault
- Revista Publiracing
- 1 de jun. de 2016
- 8 min de leitura

Há muito tempo que a Renault compreendeu a importância do desporto e a participação em competições para a imagem de uma montadora de veículos.

A primeira grande vitória da Renault remonta a 1902, com o triunfo de Marcel Renault no Paris-Viena. Três Type K e quatro Voiturettes foram inscritos pela marca para competir lado a lado com adversários como o Mercedes do Conde Zborowski ou o Panhard de Henry Farman. O percurso incluía vias íngremes e sinuosas, além de uma duríssima passagem pelos Alpes. O sucesso de Marcel Renault a uma velocidade média de 62,5 km/h marca o nascimento de um nome de respeito na competição automóvel.
Em 1906, a Renault inscreve-se no primeiríssimo Grande Prémio da História, disputado nas ruas dos arredores de Le Mans. Com o Type AK, dotado de um chassi leve e de um motor de 12,9 litros e quatro cilindros, o húngaro Ferenc Szisz se impôs ao fim de mais de 12 horas de corrida, sob um calor sufocante e numa pista quase em estado líquido. Esta vitória contribuiu naquele momento para aumentar as vendas da marca francesa durante vários anos.
Os anos loucos e a conquista de recordes
Nos anos 20 e 30, a Renault concentra-se nos recordes de velocidade e desenvolve, em 1926, o espetacular Renault 40CV Type NM. Equipado com um motor de 9,0 litros e um único lugar, uma carroceria aerodinâmica tipo cupê e rodas visíveis, concluiu as 24 horas à velocidade média de 173 km/h. Um número impressionante para um automóvel daquela época.
O Nervasport
Nos anos 1930, a Renault produz a gama Nerva e continua a perseguir recordes nas estradas da Europa e de África. Com as suas curvas inspiradas na aviação e o seu 8 cilindros em linha, o Nervasport falha por duas décimas de segundo a vitória no Rali de Monte Carlo de 1932. No entanto, impõe-se nos Ralis de Monte Carlo e Liège-Roma-Liège em 1935 e termina o Rali de Marrocos na segunda posição, atrás do Bugatti.

No circuito de Montlhéry, este automóvel revela-se ainda mais eficaz. Em abril de 1934, um Nervasport especialmente preparado para o evento, regista vários recordes de resistência em todas as categorias. Percorre mais de 8000 km em 48 horas, a uma média superior a 60 km/h e com uma velocidade de ponta que ultrapassa os 200 km/h. O design da sua carroçaria influenciará as linhas dos futuros carros Renault.
O Étoile Filante dos anos 1950
Concebido após dois anos de testes em túnel de vento, o Étoile Filante pisa os lagos salgados de Bonneville (Utah, Estados Unidos) em setembro de 1956. Dotado de uma soberba cor azul, este automóvel absolutamente invulgar dispõe de um chassi tubular e de duas grandes “asas” semelhantes às de um avião. O revestimento de poliéster esconde uma turbina ultra potente, que desenvolve 270 cv às 28 000 rpm. Num piscar de olho à aeronáutica, o conjunto é alimentado a querosene e totalmente isento de vibrações, graças à rotação da turbina. Logo nas primeiras voltas, o seu designer Jean Hébert estabelece um novo recorde de velocidade nos 308,85 km/h. Um feito que ainda não foi ultrapassado!
Entretanto, a Renault triunfa nos ralis. A marca do losango inscreve o inovador Dauphine com motor atrás em numerosas provas. Monopoliza os quatro primeiros lugares do rali Mille Miglia e vence a Volta à Córsega de 1956, antes de se impor no mítico Rali de Monte Carlo dois anos mais tarde.

Os primórdios com a Gordini
Criador de automóveis de corrida a que deu o seu nome, Amédée Gordini desenvolve uma versão radical do Dauphine no final dos anos 50. A união Renault-Gordini revela-se profícua e conduz à concepção dos lendários R8, R12 e R17 Gordini. O R8 Gordini brilha nomeadamente nos ralis, corridas de montanha e circuitos. Em 1966, a sua extraordinária popularidade leva a marca a lançar o Troféu Renault 8 Gordini, pioneiro das fórmulas de promoção.
Em 1971, o motor do Renault 12 Gordini é utilizado nos monolugares do primeiro Campeonato de França de Fórmula Renault. Numerosos campeões em início de carreira fizeram e ainda fazem aqui a sua formação, entre eles Jacques Laffite, Jean Ragnotti, Alain Prost, Sebastian Vettel, Kimi Räikkönen e Lewis Hamilton.
Rapidamente, as instalações de Gordini em Paris se tornam demasiado exíguas para as ambições da marca e a 6 de fevereiro de 1969 são inauguradas as novas instalações em Viry-Châtillon.
Inicialmente, a Renault concentra-se no desenvolvimento de um motor V6 2,0 litros, apresentado oficialmente em janeiro de 1973. O bloco rapidamente se revela competitivo no prestigiado Campeonato da Europa de Sport 2,0 litros. Em seguida, a Renault disputa o Campeonato do Mundo FIA de Sport com uma versão sobrealimentada deste motor.

A Renault Sport é fundada em 1976 e nesse mesmo ano é lançado um programa de desenvolvimento de monolugares. Primeira etapa: o Campeonato da Europa de Fórmula 2 com o V6.
Vitória em Le Mans e primeiros passos na F1
Os carros da Renault com motor sobrealimentado mostram-se muito rápidos no Campeonato do Mundo FIA de Sport, com belas séries de pole positions e melhores voltas da corrida. Todos os ingredientes estão reunidos para que, em 1978, Didier Pironi e Jean-Pierre Jaussaud arrebatem uma vitória histórica nas 24 Horas de Le Mans. Após este sucesso retumbante, a Renault pode então concentrar-se na etapa seguinte: a Fórmula 1.
O motor Turbo
Há já alguns anos que o regulamento técnico da disciplina autorizava a utilização de um motor sobrealimentado, mas ninguém se atrevera ainda a dar esse passo. Ninguém antes da Renault. Em 1976, o construtor francês inicia discretamente testes em pista com uma versão 1,5 litros do seu V6. Várias corridas são programadas para a época seguinte.
Propulsionado por um V6 turbo, o RS01 faz a sua estreia no Grande Prémio da Grã-Bretanha de 1977. Confiado a Jean-Pierre Jabouille, o carro não viu a bandeira quadriculada mas sem dúvida que marcou todos. Até ao final do ano, seguem-se outros quatro Grandes Prémios, permitindo à Renault adquirir uma preciosa experiência. A aprendizagem continua ao longo da época de 1978, até que Jabouille conquista os primeiros pontos da Renault na F1. A passagem ao motor com turbo duplo no Grande Prémio do Mónaco de 1979 representa um progresso tangível. A equipa resolveu, finalmente, os problemas e Jabouille obtém uma primeira vitória histórica em casa, depois de ter partido da pole position em Dijon.
Rallying to victory
Paralelamente, a Renault continua a sua senda nos ralis. A marca sagrou-se Campeã do Mundo de equipes em 1973. Em 1977, Guy Fréquelin sagra-se Campeão de França de Ralis com o Alpine A310 Grupo 5. O Renault 5 Alpine ganha fama também graças a Jean Ragnotti, segundo classificado no Rali de Monte Carlo de 1978 e, depois, vencedor da prova em 1981 e da Volta à Córsega de 1985 com o Renault 5 Turbo.
A Renault aventura-se igualmente no Cross-Country e no Paris-Dakar. Inscrito a título particular, o Renault 20 dos irmãos Marreau impõe-se na edição de 1982 do célebre safari africano.

Por seu lado, o investimento da Renault na Fórmula 1 começa a dar frutos. Em 1983, a Renault consegue a segunda posição no Campeonato do Mundo com Alain Prost, vencedor de quatro Grandes Prémios mas que termina a temporada dois pontos atrás de do brasileiro Nelson Piquet. No mesmo ano, a Renault torna-se pela primeira vez fornecedora de motores de uma segunda escuderia, associando-se à Lotus. Outros acordos para o fornecimento de motores são, em seguida, celebrados também com a Ligier e Tyrrell. No Grande Prémio de Portugal de 1985, Ayrton Senna obtém a sua primeira vitória na F1 com um V6 Renault. No final de 1985, a equipa de fábrica cessa as suas atividades como equipe para se concentrar no seu papel de fornecedora de motores. Em 1986, o trio Senna-Lotus-Renault mostra-se o mais rápido da grid e o brasileiro conquista oito pole positions.
F1, o chamamento da vitória
A Renault volta oficialmente à Fórmula 1 no final dos anos 1980, desta vez em parceria com a Williams. Nigel Mansell, que conhece os motores Renault na sua passagem pela Lotus, se junta à equipa no final do ano.
Começa então um extraordinário período de sucessos. No fim do ano 1991, a equipe Williams-Renault é já a equipe a ser vencida. Mansell destaca-se na temporada de 1992 e oferece o seu primeiro título mundial à Renault.

Antigo piloto da Renault, Alain Prost junta-se à Williams em 1993. Também ele volta a erguer a taça antes de se retirar. Outras épocas de grande sucesso se seguirão, em 1996 com Damon Hil e 1997 com Jacques Villeneuve. A Williams-Renault é também por diversas vezes campeã do Mundo de equipes, em 1992, 1993, 1994, 1996 e 1997.
Em 1995, a Renault reforça o seu envolvimento, celebrando uma nova parceria desta vez com a escuderia Benetton. Michael Schumacher obtém o título mundial de pilotos, ao mesmo tempo que a Benetton se impõe como equipe. Com as suas duas equipes clientes, a Renault conquista seis títulos mundiais consecutivos, entre 1992 e 1997.
A Renault retira-se oficialmente da disciplina máxima do automobilismo no final da temporada de 1997. A Williams, a Benetton e, mais tarde, a nova escuderia BAR, utilizarão motores de origem Renault sob as designações Supertec, Mecachrome e Playlife. Em Viry-Châtillon, uma célula de desenvolvimento continua a concentrar-se num futuro programa de F1.
Simultaneamente, a Renault continuava brilhando nos ralis e um momento marcante que foi a vitória de um Maxi Mégane na Volta à Córsega de 1997.

O regresso à F1
Uma vez mais, a ausência oficial da Renault nos grids da Fórmula 1 não durou muito. No início de 2001, a marca do losango anuncia a compra da escuderia Benetton para regressar como equipe. Durante essa temporada, a Renault foi a fornecedora de motores dos carros saídos de Enstone, até que a estrutura renasce, no ano seguinte, sob o nome de Renault F1 Team.
Em 2003, Fernando Alonso conquista na Malásia a primeira pole position da equipa. O jovem espanhol consegue ainda melhor na Hungria onde assina o primeiro sucesso do Renault F1 Team. No ano seguinte, Jarno Trulli oferece a vitória à Renault na mais prestigiada prova automobilística: o Grande Prémio do Mónaco.
Em 2005, Alonso é a figura do momento: torna-se Campeão do Mundo enquanto a Renault se impõe no campeonato de equipes, com oito vitórias do espanhol e do seu companheiro de equipe Giancarlo Fisichella.
Apesar da importante revolução tecnológica que representa a passagem do V10 para o V8, a Renault continua a sua história de sucesso em 2006.

Em 2007 a Renault assina uma parceria com a Red Bull Racing e os monolugares azuis não tardam a revelar-se extremamente eficientes. Em 2010, Vettel conquista finalmente o título e torna-se o mais jovem campeão do mundo da história da F1. A escuderia Red Bull-Renault vence o título como equipe.
Ao mesmo tempo que a Renault concentra a sua atividade no fornecimento de motores, Sebastian Vettel mantém-se intocável no Campeonato do Mundo, batendo todos os recordes ao vencer quatro títulos consecutivos até 2013. A par da Red Bull Racing, a Renault fornece também a Lotus F1 Team, a Caterham F1 Team e a Williams F1 Team. Ao longo do período V8, este bloco, concebido e desenvolvido pelos 250 engenheiros de Viry-Châtillon dominou em absoluto, conquistando mais de 40% das provas disputadas e um número recorde de poles.
Para além da F1
A Renault Sport Technologies prossegue o desenvolvimento dos seus compeonatos monomarca como a Fórmula Renault 2000 e o Clio Cup. Nos ralis, o Clio Super 1600 impõe-se rapidamente com vários títulos internacionais, entre 2003 e 2005.
Em 2005, a fusão entre a Eurocup Formula Renault V6 e as World Series by Nissan leva à criação da World Series by Renault. Eventos gratuitos e abertos ao grande público, a World Series by Renault são uma combinação de competições de alto nível, demonstrações de futuras estrelas da F1 e animações destinadas a toda a família.

O início de uma nova aventura
2014 foi um ano de revolução na Fórmula 1 com um avanço radical na tecnologia de motores.
O novo grupo propulsor da Renault na F1 combina a arquitetura da antiga geração de motores sobrealimentados com potentes motores elétricos e uma série de sofisticados sistemas de recuperação de energia que reduzem o consumo em 40%.
A Renault continua a fornecer a Red Bull Racing e a sua escuderia-irmã, a Toro Rosso, bem como a Lotus F1 Team. Depois de reavaliar profundamente a sua estratégia, a Renault anuncia, no final de 2015, o seu regresso à competição como equipe.
Em 2016, a Renault está de regresso como Renault Sport Formula One Team.
Informações e fotos gentilmente cedidas pela Renault Sport
















































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