Mercado de motocicletas acelera no Brasil e Abraciclo eleva previsão de vendas para 2,35 milhões em 2026


A indústria brasileira de motocicletas caminha para encerrar 2026 com crescimento na produção, nas vendas e nas exportações. Após registrar 1,78 milhão de emplacamentos nos nove primeiros meses do ano, o maior volume da série para esse período, a Abraciclo revisou suas projeções e agora estima 2,35 milhões de motocicletas licenciadas até dezembro. A produção no Polo Industrial de Manaus deverá alcançar 2,1 milhões de unidades, enquanto as exportações podem crescer 11,3%. Os números mostram a força do mercado de duas rodas, impulsionado principalmente pelos modelos de baixa cilindrada, embora as categorias de maior desempenho também apresentem avanços.
A Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo) revisou para cima suas estimativas para o setor em 2026, após os resultados acumulados entre janeiro e setembro superarem os volumes registrados no mesmo período do ano anterior. A entidade passou a projetar a fabricação de 2,1 milhões de motocicletas no Polo Industrial de Manaus (PIM), crescimento de 6% em relação a 2025. A previsão anterior era de 2,07 milhões de unidades, o que representa um acréscimo de 30 mil motocicletas na expectativa de produção para este ano.
A revisão também alcançou o mercado interno. A estimativa de emplacamentos passou de 2,3 milhões para 2,35 milhões de unidades, volume que, se confirmado, representará crescimento de 6,9% sobre 2025. Para as exportações, a Abraciclo elevou sua projeção de 45 mil para 48 mil motocicletas, alterando a expectativa de expansão anual de 4,4% para 11,3%. A atualização reflete o desempenho observado até setembro, mas não elimina as oscilações mensais de produção e vendas que marcaram o período.
Segundo Marcos Bento, presidente da Abraciclo, o avanço da demanda está associado tanto à procura por alternativas de mobilidade quanto à renovação da oferta das fabricantes. A motocicleta continua sendo utilizada como meio de transporte individual e ferramenta de trabalho, especialmente em atividades de entrega e prestação de serviços. O executivo também aponta um interesse crescente por modelos de média e alta cilindrada, segmento que atende consumidores com expectativas diferentes em relação a desempenho, conforto e tecnologia.
Produção em Manaus registra melhor acumulado desde 2008
Entre janeiro e setembro de 2026, as fabricantes instaladas no Polo Industrial de Manaus produziram 1.645.034 motocicletas, crescimento de 9,9% em comparação com os nove primeiros meses de 2025. De acordo com a Abraciclo, trata-se do melhor resultado para esse intervalo desde 2008, indicando que a atividade industrial voltou a atingir volumes não observados há quase duas décadas.
Somente em setembro, foram fabricadas 186.758 motocicletas, o maior resultado para o mês desde 2011. A produção avançou 10,4% em relação a setembro de 2025, mas apresentou retração de 8,5% na comparação com agosto de 2026, quando haviam saído das linhas de montagem 204.085 unidades. A diferença entre as comparações anual e mensal demonstra que o crescimento acumulado não ocorre de maneira uniforme ao longo do calendário.
Para alcançar a nova projeção de 2,1 milhões de motocicletas em 2026, a indústria precisará produzir aproximadamente 455 mil unidades no último trimestre, o equivalente a uma média mensal próxima de 152 mil motocicletas. O volume necessário é inferior à média registrada entre janeiro e setembro, de aproximadamente 183 mil unidades por mês, o que ajuda a contextualizar a revisão realizada pela associação, embora não represente garantia de cumprimento da meta.
Street, Trail e motonetas concentram mais de 84% da produção
A composição da produção brasileira continua marcada pela predominância de motocicletas destinadas ao uso cotidiano. No acumulado dos nove primeiros meses, a categoria Street respondeu por 842.150 unidades, equivalentes a 51,2% do total fabricado. Na segunda posição ficaram as Trail, com 328.636 motocicletas e participação de 20%, seguidas pelas motonetas, com 214.200 unidades, correspondentes a 13% da produção.
Somadas, essas três categorias representaram aproximadamente 84,2% das motocicletas fabricadas no país entre janeiro e setembro. A concentração evidencia o peso dos veículos utilizados em deslocamentos urbanos, trajetos mistos e atividades profissionais, mesmo diante da expansão de segmentos associados ao lazer e ao desempenho.
Em setembro, a liderança permaneceu com as Street, responsáveis por 97.298 unidades e 52,1% da produção mensal. O volume foi 16,9% superior ao de setembro de 2025, apesar de uma redução de 5,2% em relação a agosto. As Trail registraram 36.946 unidades, crescimento anual de 5,1%, enquanto as motonetas somaram 24.400 motocicletas, avanço de apenas 0,8% na mesma comparação.
Entre as categorias de menor participação, alguns resultados chamaram a atenção. A produção de motocicletas Naked aumentou 34,4% em relação a setembro de 2025, alcançando 3.474 unidades, enquanto as Sport cresceram 37%, com 1.917 unidades. Já as Big Trail apresentaram retração anual de 30,8%, encerrando o mês com 1.158 motocicletas produzidas. Esses movimentos mostram diferenças relevantes entre os segmentos, embora os volumes mais reduzidos tornem as variações percentuais particularmente sensíveis às mudanças de produção.
Produção de motocicletas por categoria — setembro de 2026
Categoria | Unidades | Variação ante set./25 |
Street | 97.298 | +16,9% |
Trail | 36.946 | +5,1% |
Motoneta | 24.400 | +0,8% |
Scooter | 14.871 | +4,5% |
Naked | 3.474 | +34,4% |
Off-Road | 3.068 | +6,5% |
Sport | 1.917 | +37,0% |
Crossover | 1.608 | -22,7% |
Big Trail | 1.158 | -30,8% |
Classic | 739 | -26,4% |
Sport Touring | 430 | +388,6% |
Cruiser | 362 | -16,6% |
Super Sport | 356 | +84,5% |
Touring | 131 | +81,9% |
Total | 186.758 | +10,4% |
Fonte: Abraciclo — fabricantes associadas. Variações em relação a setembro de 2025.
Alta cilindrada cresce 19,7%, mas modelos menores seguem dominantes
A análise por faixa de cilindrada confirma que o crescimento do mercado não está restrito às motocicletas de entrada. A produção de modelos de alta cilindrada aumentou 19,7% nos nove primeiros meses de 2026, totalizando 46.543 unidades. Apesar do avanço, esse grupo representou apenas 2,8% de todas as motocicletas fabricadas no período.
A liderança permanece amplamente concentrada na baixa cilindrada, com 1.295.499 unidades produzidas e participação de 78,8%. As motocicletas de média cilindrada ocuparam a segunda posição, com 302.992 unidades, equivalentes a 18,4% do total. A distribuição mostra que os modelos de menor capacidade continuam sustentando o volume industrial, enquanto as faixas superiores apresentam oportunidades de expansão em nichos específicos.
O comportamento de setembro manteve essa estrutura. As motocicletas de baixa cilindrada responderam por 145.418 unidades, ou 77,9% da produção mensal. Na sequência ficaram as de média cilindrada, com 36.566 unidades e participação de 19,6%, enquanto as de alta cilindrada somaram 4.774 motocicletas, correspondentes a 2,5%.
Embora o avanço das motocicletas maiores seja relevante, a diferença de escala entre as faixas continua expressiva. A produção de baixa cilindrada nos nove primeiros meses foi quase 28 vezes superior à de alta cilindrada, evidenciando que a principal base do setor brasileiro permanece vinculada a veículos de menor capacidade cúbica e, em geral, mais acessíveis.
Emplacamentos chegam a 1,78 milhão e estabelecem recorde para o período
O mercado interno apresentou desempenho ainda mais expressivo em números absolutos. Entre janeiro e setembro, foram emplacadas 1.783.972 motocicletas, crescimento de 10,5% em relação ao mesmo período de 2025. Segundo a Abraciclo, o resultado representa um recorde de licenciamentos para os nove primeiros meses do ano.
Em setembro, o mercado registrou 205.120 emplacamentos, praticamente estável nas comparações anual e mensal. O volume foi 0,4% inferior ao de setembro de 2025 e 0,1% menor que o registrado em agosto de 2026. Considerando os 21 dias úteis do mês, a média diária ficou em 9.768 motocicletas licenciadas.
A diferença entre o desempenho acumulado e o resultado mensal indica que o mercado mantém um patamar elevado de comercialização, mas sem crescimento contínuo em todas as comparações. Também é importante distinguir produção e emplacamentos: os números industriais da Abraciclo abrangem as fabricantes associadas instaladas em Manaus, enquanto os licenciamentos refletem o mercado brasileiro, incluindo veículos de diferentes origens.
Para que a projeção de 2,35 milhões de emplacamentos seja atingida, será necessário licenciar aproximadamente 566 mil motocicletas entre outubro e dezembro. Isso corresponde a uma média próxima de 189 mil unidades mensais, abaixo das aproximadamente 198 mil registradas por mês no acumulado de janeiro a setembro.
Exportações avançam 23,7% no acumulado de 2026
As vendas externas também contribuíram para a revisão das expectativas da associação. Nos nove primeiros meses de 2026, as fabricantes associadas à Abraciclo exportaram 36.489 motocicletas, crescimento de 23,7% em comparação com o mesmo intervalo de 2025. O desempenho levou a entidade a elevar a projeção anual para 48 mil unidades, ante as 45 mil anteriormente estimadas.
Em setembro, foram embarcadas 4.826 motocicletas para outros países. O resultado representou queda de 8,2% em relação a setembro de 2025, mas crescimento de 12,5% sobre agosto deste ano. A variação reforça que, apesar da expansão acumulada, o mercado externo também apresenta oscilações ao longo dos meses.
Para cumprir a nova previsão anual, as fabricantes precisarão exportar outras 11.511 motocicletas no último trimestre, média de aproximadamente 3.837 unidades mensais. A Abraciclo não detalhou, no material divulgado, quais países ou modelos foram responsáveis pelo crescimento das exportações.
Perspectivas para o último trimestre
A revisão das projeções ocorre em um momento em que o mercado brasileiro de motocicletas combina demanda elevada, produção industrial em crescimento e maior diversificação de modelos. Os números acumulados até setembro mostram que o setor mantém uma expansão relevante, com destaque para as motocicletas de baixa cilindrada, responsáveis pela maior parte do volume produzido e comercializado no país.
Ao mesmo tempo, o crescimento de 19,7% na fabricação de motocicletas de alta cilindrada indica uma evolução em segmentos de menor escala, mas com características de consumo distintas das observadas no mercado de entrada. A ampliação da oferta e o interesse por modelos mais equipados ajudam a explicar esse movimento, embora as motocicletas voltadas à mobilidade cotidiana continuem predominantes.
A expectativa de 2,35 milhões de emplacamentos e 2,1 milhões de unidades produzidas em 2026 dependerá do desempenho do último trimestre. Caso os volumes projetados se confirmem, o setor encerrará o ano com novos avanços em relação a 2025, consolidando um período de crescimento que já levou a produção de Manaus e os licenciamentos nacionais aos maiores patamares registrados em muitos anos.
Fonte: Abraciclo — dados de produção, emplacamentos e exportações referentes a janeiro a setembro de 2026, com projeções revisadas para o encerramento do ano.
Quer estar sempre atualizado? Siga o nosso canal no WhatsApp e receba as notícias no seu celular.
👉 Acreditamos que setores fortes dependem de pessoas bem informadas — de conteúdos que orientam, contextualizam e geram valor real para o mercado.
É essa visão que nossos leitores, profissionais e marcas apoiam. Ao se associar à Publiracing, você fortalece uma cultura de jornalismo independente, fidedigno e relevante. Uma cultura que valoriza o contexto acima da superficialidade, o rigor acima do sensacionalismo e a credibilidade acima da desinformação.
Quando a informação é produzida com responsabilidade, todo o ecossistema ganha: o público fica informado e toma decisões conscientes, as marcas comunicam com maior impacto e o setor se desenvolve.
Saiba mais clicando aqui ou vá para o link de apoio abaixo









Comentários