Fenabrave admite que avanço dos carros chineses derruba preço dos usados no Brasil
- Jaroslav Sussland - jaros@revistapubliracing.com.br

- há 9 horas
- 3 min de leitura

O crescimento das marcas chinesas no mercado brasileiro está provocando um realinhamento de preços que já pressiona o segmento de veículos usados, principalmente os modelos premium. A avaliação foi feita pelo presidente da Fenabrave, Arcelio Júnior, durante o congresso nacional da entidade, realizado no Expo Imigrantes, na zona sul de São Paulo, que reuniu concessionários e fornecedores de todo o país. Segundo ele, a queda no preço dos carros novos — puxada pela concorrência chinesa — obriga as revendas a reduzir também o valor dos seminovos em estoque e a redobrar a cautela na hora de avaliar veículos recebidos de clientes na troca.
"Quanto maior o valor, maior o impacto"
Para Arcelio Júnior, o efeito é proporcional ao preço do automóvel: quanto mais caro o modelo, maior tende a ser o impacto financeiro da desvalorização sobre o estoque das concessionárias. A fala reflete um cenário já percebido pelo setor — o de que carros de luxo e importados, que durante anos mantiveram preços sustentados pela escassez de oferta, começam a sofrer correções mais rápidas na tabela Fipe à medida que os fabricantes tradicionais baixam o preço dos modelos zero-quilômetro para competir com as marcas chinesas.

Fabricantes como Volkswagen, Renault e Toyota já anunciaram descontos e bônus para tentar reter clientes: a Volkswagen chegou a reduzir o preço do Nivus Highline em até R$ 30 mil, enquanto a Renault passou a oferecer bônus de troca entre R$ 25 mil e R$ 30 mil na compra do Duster. Com o zero-quilômetro mais barato, o usado equivalente perde referência de preço e precisa se ajustar para não encalhar nas lojas.
Chinesas já são 16% da rede de revendedores autorizados
O avanço das marcas chinesas no Brasil não se limita às vendas: segundo dados apresentados por Arcelio Júnior, elas já respondem por cerca de 16% dos revendedores autorizados no país, o equivalente a aproximadamente 1.380 concessionárias. Em alguns estados, essas marcas chegam a representar mais de 40% do faturamento dos grupos de revenda. A Fenabrave reúne 8.533 concessionárias distribuídas por 951 municípios, com mais de 383 mil empregos diretos.
Casos como o do BYD Dolphin Mini, elétrico vendido a partir de R$ 109.990, ilustram a mudança de patamar da concorrência: em fevereiro deste ano, o modelo liderou o varejo nacional de veículos, à frente de concorrentes tradicionais do segmento de entrada.

Mercado de novos em expansão, com pressão sobre preços dos usados
A pressão sobre os preços dos usados ocorre em meio a um cenário de crescimento das vendas de veículos novos. Com base nos dados de julho, a Fenabrave projeta um avanço de 8% no total de emplacamentos em 2026, superando 2,9 milhões de unidades entre automóveis, ônibus e caminhões — resultado atribuído por Arcelio Júnior à maior concorrência entre marcas e a programas de incentivo do governo federal, como o Carro Sustentável.
Para concessionários, o novo cenário exige mais atenção na precificação dos usados recebidos em troca, já que a diferença entre o preço de um carro novo mais barato e o de um seminovo similar tende a diminuir, reduzindo a margem de revenda e aumentando o risco de perdas em estoques avaliados por valores que já não correspondem à realidade do mercado.
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