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Chery Tiggo 2 recebe zero estrelas no Latin NCAP e apresenta risco de incêndio em teste de colisão

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Redação Publiracing
há 5 horas
8 min de leitura

Chery Tiggo 2 recebe zero estrelas no Latin NCAP e apresenta risco de incêndio em teste de colisão


O Chery Tiggo 2, comercializado também como Tiggo 2 Pro e Tiggo 2 Pro Max em mercados da América Latina, recebeu zero estrelas na primeira avaliação de segurança divulgada pelo Latin NCAP em 2026. O SUV fabricado na China registrou pontuação nula na proteção de adultos e crianças, apresentou deformações estruturais preocupantes e revelou risco de incêndio durante o impacto frontal. O resultado expõe deficiências que vão além da ausência de equipamentos de assistência à condução.


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O Latin NCAP, programa independente de avaliação da segurança de veículos novos comercializados na América Latina e no Caribe, divulgou o primeiro resultado de 2026, já sob os protocolos de testes atualizados. O modelo avaliado foi o Chery Tiggo 2, incluindo as denominações comerciais Tiggo 2 Pro e Tiggo 2 Pro Max, que terminou a avaliação com a classificação mínima de zero estrelas.


O resultado chama a atenção não apenas pela nota final, mas pela natureza das falhas identificadas. Durante os ensaios, os técnicos verificaram proteção deficiente para o tórax do motorista, instabilidade estrutural, riscos elevados para ocupantes infantis e a possibilidade de incêndio após uma colisão frontal.


Embora o modelo disponha de quatro airbags e controle eletrônico de estabilidade (ESC) de série, esses equipamentos não foram suficientes para compensar as deficiências observadas nos testes.


Zero estrelas e pontuação nula para adultos e crianças


O Chery Tiggo 2 apresentou os seguintes resultados nas quatro áreas avaliadas pelo Latin NCAP:


Categoria avaliada

Resultado

Proteção de ocupantes adultos

0%

Proteção de ocupantes infantis

0%

Proteção de pedestres e usuários vulneráveis

48,89%

Assistência à segurança

45,45%

Classificação geral

0 estrelas

Os percentuais de 0% nas categorias de proteção de adultos e crianças não significam que todos os componentes avaliados tenham apresentado ausência absoluta de proteção. São resultados calculados de acordo com os critérios e as regras de pontuação do programa, incluindo penalizações por falhas críticas.


No caso do Tiggo 2, a combinação de desempenho insuficiente na proteção do tórax do motorista e risco de incêndio levou à atribuição de zero pontos na área de proteção dos ocupantes adultos.


O veículo foi submetido a avaliações de impacto frontal e lateral, proteção contra lesões cervicais, segurança de pedestres, funcionamento do controle eletrônico de estabilidade e comportamento em manobra evasiva, conhecida como teste do alce.


Estrutura instável e proteção deficiente para o motorista

No teste de impacto frontal, o Latin NCAP identificou instabilidade tanto na estrutura da carroceria quanto na região dos pés dos ocupantes.


Essa condição é relevante porque a capacidade de preservar o espaço de sobrevivência e controlar as deformações da carroceria influencia diretamente as cargas transmitidas aos ocupantes durante uma colisão.


O resultado também revelou elevada compressão do tórax do motorista, classificada como proteção pobre pelo programa.


A deformação torácica medida nos bonecos instrumentados é um dos indicadores utilizados para avaliar a probabilidade de lesões em acidentes. Valores elevados podem indicar maior risco de danos graves, dependendo das condições do impacto.


Outro ponto identificado foi a ausência de proteção lateral para a cabeça como equipamento de série.


Por esse motivo, o teste de impacto lateral contra poste não foi realizado, circunstância que prejudicou a pontuação do modelo.


Esse ensaio é particularmente importante para avaliar a proteção da cabeça e do tórax em colisões laterais contra objetos estreitos e rígidos, como postes e árvores.


A ausência de airbags de cortina ou de outro sistema equivalente de proteção lateral para a cabeça deixa uma limitação relevante na configuração de segurança avaliada.


Chery Tiggo 2 recebe zero estrelas no Latin NCAP e apresenta risco de incêndio em teste de colisão

Risco de incêndio durante o impacto frontal

Entre as ocorrências registradas, uma das mais graves foi a identificação de risco de incêndio durante o ensaio de impacto frontal.


O Latin NCAP considera essa condição especialmente preocupante porque um incêndio após a colisão pode agravar as consequências do acidente, dificultar a saída dos ocupantes e representar perigo adicional para as equipes de resgate.


Bancos traseiros também apresentam deficiências de segurança

As preocupações não ficaram restritas aos ocupantes dianteiros.

Segundo o Latin NCAP, o Tiggo 2 não dispõe de pré-tensionadores nem de limitadores de carga dos cintos de segurança nos bancos traseiros.


Os pré-tensionadores ajudam a reduzir a folga do cinto nos primeiros instantes de uma colisão, enquanto os limitadores de carga permitem controlar a força exercida sobre o tórax durante a retenção do ocupante.


A ausência desses dispositivos não determina, isoladamente, o resultado de um teste, mas limita os recursos disponíveis para controlar o movimento e as cargas sobre o corpo.

O veículo também não conseguiu demonstrar proteção adequada para uma ocupante adulta de baixa estatura sentada na segunda fileira durante um impacto frontal.


Essa avaliação passou a integrar o protocolo atualizado do Latin NCAP, que utiliza um boneco representativo de uma mulher adulta de baixa estatura.


Além disso, o programa identificou desempenho estrutural insuficiente em impactos traseiros e proteção entre marginal e pobre contra lesões cervicais por efeito chicote, tanto nos bancos dianteiros quanto nos traseiros.


Essas lesões podem ocorrer quando a cabeça e o pescoço são submetidos a movimentos bruscos de aceleração e desaceleração, especialmente em colisões traseiras.


Proteção infantil: risco de ejeção e cargas elevadas na cabeça e no pescoço

A avaliação dos ocupantes infantis foi outro dos pontos críticos do Tiggo 2.

O modelo recebeu 0% nessa categoria, após registrar pontuação nula nos testes dinâmicos e nas verificações de instalação dos sistemas de retenção infantil.


No ensaio frontal, o boneco que representa uma criança de dez anos apresentou valores biomecânicos elevados na cabeça e no pescoço.

No impacto lateral, também foram registradas cargas preocupantes na cabeça desse ocupante.


A situação foi particularmente grave na avaliação com o boneco representativo de uma criança de três anos.


Durante o impacto lateral, os técnicos observaram exposição significativa da cabeça e risco de ejeção do sistema de retenção.


Esses resultados indicam limitações na capacidade do conjunto formado pelo veículo e pelo dispositivo de retenção infantil de controlar adequadamente os movimentos da criança durante uma colisão.


O Latin NCAP também identificou problemas nas ancoragens do tipo i-Size, que não cumpriram os requisitos estabelecidos pelo programa.


Como consequência, o modelo recebeu zero pontos tanto na avaliação da capacidade de instalação correta dos sistemas de retenção infantil quanto na verificação prática dessa instalação.


A combinação dessas falhas explica o resultado particularmente baixo na proteção infantil.


Chery Tiggo 2 recebe zero estrelas no Latin NCAP e apresenta risco de incêndio em teste de colisão

Novo protocolo passa a avaliar crianças maiores e adultos de baixa estatura

O resultado do Tiggo 2 ganha importância adicional por ser o primeiro divulgado em 2026 sob os critérios atualizados do Latin NCAP.

Entre as alterações introduzidas está a avaliação de um ocupante infantil de dez anos, ampliando a análise para além das crianças menores tradicionalmente representadas nos testes.

Outra mudança é a inclusão de um boneco adulto de baixa estatura no banco traseiro, representativo de uma mulher de menor porte físico.


Essas alterações procuram avaliar situações que podem não ser suficientemente representadas por ensaios concentrados em ocupantes adultos de dimensões médias ou em crianças pequenas.


No Tiggo 2, os novos critérios evidenciaram deficiências na proteção de passageiros da segunda fileira, particularmente crianças maiores e adultos de baixa estatura.

É importante considerar que a classificação obtida corresponde ao protocolo de 2026.


Sem sistemas ADAS, mesmo como opcionais

O desempenho do Chery Tiggo 2 também foi limitado pela ausência de sistemas avançados de assistência à condução. De acordo com o Latin NCAP, a configuração avaliada não oferece recursos ADAS, nem mesmo como equipamentos opcionais.


Entre os sistemas ausentes estão:

  • Frenagem autônoma de emergência para detecção de veículos.

  • Monitoramento de ponto cego.

  • Sistemas de assistência à permanência em faixa.

  • Assistência inteligente de velocidade.

  • Limitador de velocidade.

Na categoria de assistência à segurança, o modelo alcançou 45,45%.


A pontuação foi obtida principalmente pelo sistema de alerta de uso do cinto de segurança, que recebeu a pontuação máxima correspondente, e pelo controle eletrônico de estabilidade, que garantiu parte dos pontos disponíveis.


O resultado demonstra que a presença de ESC e de alertas de cinto, embora importante, não substitui tecnologias capazes de auxiliar na prevenção de acidentes.


A ausência de frenagem autônoma de emergência, por exemplo, significa que o modelo não dispõe desse recurso de intervenção automática para tentar evitar ou reduzir a gravidade de determinadas colisões.


Latin NCAP cobra mudanças da Chery e maior transparência ao consumidor

A divulgação dos resultados foi acompanhada de críticas dos responsáveis pelo programa de avaliação.


Para Alejandro Furas, secretário-geral do Latin NCAP, o desempenho do Tiggo 2 demonstra que o modelo não acompanha a evolução dos padrões de segurança que o programa procura estabelecer para a América Latina e o Caribe.


O dirigente também defendeu a adoção de sistemas obrigatórios de identificação da classificação de segurança dos veículos, permitindo que os consumidores tenham acesso aos resultados antes da compra.


Stephan Brodziak, presidente do Conselho de Administração do Latin NCAP, classificou o resultado como inaceitável, especialmente pela combinação de pontuação nula na proteção de adultos e crianças com o risco de incêndio identificado.


O responsável defendeu que a Chery corrija as deficiências e demonstre eventuais melhorias por meio de novos testes independentes.


As declarações reforçam uma discussão recorrente na região: a diferença entre cumprir os requisitos legais mínimos para comercialização e alcançar níveis elevados de proteção em avaliações independentes.


Um veículo pode estar homologado para venda em determinado mercado e, ainda assim, apresentar resultados insatisfatórios em testes de segurança mais exigentes.


O que o resultado significa para os consumidores brasileiros?

O resultado exige atenção, mas também uma distinção importante.

A avaliação divulgada pelo Latin NCAP refere-se ao Chery Tiggo 2, Tiggo 2 Pro e Tiggo 2 Pro Max fabricados na China, conforme a identificação utilizada pelo programa.


A classificação não deve ser automaticamente atribuída a outros modelos da família Tiggo, como Tiggo 5X, Tiggo 7 ou Tiggo 8, que possuem projetos e configurações de segurança diferentes.


Também não é tecnicamente correto transferir a nota para veículos de outras gerações ou especificações sem verificar a correspondência entre as versões.


Para o consumidor brasileiro, o principal ponto é compreender que nomes comerciais semelhantes não significam necessariamente estruturas, equipamentos ou níveis de proteção equivalentes.


Antes da compra, é importante verificar a versão específica do veículo, a quantidade e o tipo de airbags, a presença de controle eletrônico de estabilidade, os sistemas de assistência disponíveis e os resultados de avaliações independentes aplicáveis à configuração comercializada.


Segurança não pode ser avaliada apenas pela quantidade de airbags

O caso do Chery Tiggo 2 evidencia uma questão fundamental na segurança automotiva: a presença de airbags e controle eletrônico de estabilidade não garante, isoladamente, um bom desempenho em colisões.


A proteção dos ocupantes depende do funcionamento integrado de vários elementos, incluindo a estrutura da carroceria, as zonas de deformação programada, os cintos de segurança, os sistemas de retenção infantil e os dispositivos de proteção da cabeça e do tórax.


Da mesma forma, os sistemas de assistência à condução atuam na prevenção de acidentes, mas não substituem a capacidade estrutural de proteger os ocupantes quando uma colisão acontece.


No Tiggo 2, o Latin NCAP identificou falhas em diferentes componentes desse conjunto, desde a resistência estrutural até a retenção de crianças e adultos nos bancos traseiros.

O risco de incêndio observado no impacto frontal acrescenta uma preocupação que ultrapassa as lesões provocadas diretamente pela desaceleração.


A classificação de zero estrelas representa, portanto, mais do que um resultado desfavorável em uma avaliação independente. Ela expõe deficiências concretas de proteção que merecem esclarecimentos e medidas corretivas por parte do fabricante.

Para os consumidores da América Latina e do Caribe, o teste reforça a importância de analisar a segurança de cada veículo com base em resultados técnicos, e não apenas na lista de equipamentos anunciados.


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