BYD avança na produção nacional em Camaçari ao finalizar áreas de soldagem, pintura e estamparia


Um ano após a inauguração do complexo industrial de Camaçari, na Bahia, a BYD entra numa etapa decisiva para ampliar a fabricação de veículos no Brasil. As instalações de soldagem e pintura estão na fase final de testes operacionais, enquanto a construção da unidade de estamparia avança. A fabricante pretende iniciar 2027 com uma estrutura produtiva mais integrada, reduzindo a dependência de componentes e conjuntos importados.
A BYD anunciou nesta sexta-feira, 23 de outubro, novos avanços na implantação do complexo industrial de Camaçari. Segundo a empresa, as obras civis das unidades de soldagem e pintura foram concluídas, e os equipamentos passam agora pelos testes necessários para o início das operações. Mais de 1.100 profissionais já foram contratados e estão em treinamento para trabalhar nessas instalações.
A expansão representa uma mudança importante no processo de fabricação da marca no Brasil. A operação inicial, baseada na montagem de veículos com conjuntos e componentes fornecidos por outras unidades industriais, deverá incorporar gradualmente etapas como a soldagem das carrocerias, a aplicação de pintura e a conformação de peças metálicas.
A empresa estabelece o início de 2027 como referência para essa transição. Entretanto, ainda não divulgou o calendário detalhado de entrada em funcionamento de cada unidade, os índices previstos de conteúdo local ou a proporção de componentes nacionais que serão utilizados nos veículos.
Soldagem, pintura e estamparia são fundamentais para a produção integrada
A conclusão das instalações de soldagem e pintura representa um avanço na estrutura industrial da BYD no Brasil. Essas operações constituem etapas centrais da fabricação de automóveis e exigem equipamentos, sistemas de controle de qualidade e processos específicos de produção.
Na soldagem, diferentes peças metálicas são unidas para formar a estrutura da carroceria. A precisão dimensional e a qualidade das uniões têm influência direta na integridade estrutural do veículo, na montagem dos componentes e no comportamento da carroceria em caso de colisão.
A pintura envolve procedimentos de preparação das superfícies, proteção anticorrosiva e aplicação dos revestimentos. Além do acabamento visual, essa etapa é fundamental para a durabilidade da carroceria.

Já a estamparia, cuja unidade ainda está em construção, utiliza prensas e ferramentas industriais para transformar chapas metálicas em componentes como portas, capô, teto e painéis estruturais.
A incorporação dessas operações permitirá à BYD executar uma parcela maior da fabricação dos automóveis em território brasileiro.
Isso, porém, não significa nacionalização integral dos veículos. O índice efetivo de conteúdo local dependerá também da origem de baterias, motores elétricos, sistemas eletrônicos, transmissões, componentes de suspensão e demais conjuntos utilizados na produção.
Mais de 1.100 profissionais estão em treinamento
Para colocar as novas instalações em funcionamento, a BYD afirma ter contratado mais de 1.100 trabalhadores, atualmente em processo de capacitação. A fabricante também prevê a contratação de outros 500 profissionais até o final de 2026, destinados às operações de soldagem, pintura e estamparia.
De acordo com Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD do Brasil e responsável pelas áreas comercial e de marketing da divisão automotiva, essas contratações fazem parte da preparação para ampliar as atividades industriais no início de 2027. A empresa informa que o complexo reúne atualmente cerca de 9 mil trabalhadores diretos, dos quais 90% são baianos. Segundo a BYD, a maior parte reside em Camaçari.
A meta anunciada é encerrar 2026 com pelo menos 10 mil colaboradores diretos.
O projeto industrial prevê, em sua configuração completa, a geração de até 20 mil empregos diretos e indiretos.

Fábrica deverá ampliar a capacidade para 300 mil veículos por ano
A unidade baiana possui capacidade produtiva anunciada de 150 mil veículos anuais, com previsão de ampliação para 300 mil unidades. Em uma etapa posterior, a BYD trabalha com a possibilidade de alcançar 600 mil veículos por ano, objetivo apresentado pelo presidente global da companhia, Wang Chuanfu, durante a inauguração do complexo.
Essa projeção representa uma capacidade industrial planejada, e não um volume de produção já alcançado. A expansão deverá atender ao mercado brasileiro e, futuramente, às exportações, embora a empresa ainda não tenha detalhado os países de destino, os volumes previstos ou o calendário dessas operações.
Entre os modelos associados à produção em Camaçari estão o Dolphin Mini, o sedã híbrido plug-in King, o SUV Song Pro e o elétrico Atto 2.
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