Em entrevista à Revista Publiracing, líder da Stock Car, Felipe Fraga, fala sobre carreira e possibi
- Entrevista de Artur Semedo / Revista Publiracing
- 7 de dez. de 2016
- 4 min de leitura

Interlagos será palco da decisão da temporada 2016 da Stock Car. Mais importante categoria do automobilismo brasileiro, a competição está perto de ter seu mais jovem campeão da história, e só uma hecatombe vai tirar o titulo do piloto da CIMED Racing.
O tocantinense ostenta vários recordes que dificilmente serão batidos nos próximos meses e até anos. É o mais jovem piloto a vencer na Stock Car (18 anos e 7 meses), mais jovem a vencer a Corrida do Milhão (21 anos) e ainda é o recordista de troféus de melhor ultrapassagem com nove manobras premiadas na carreira. No atual campeonato, Fraga tem 282 pontos, enquanto Rubens Barrichello, único piloto que pode tirar seu título, está 37 pontos atrás. A prova em São Paulo irá conceder 60 pontos ao vencedor.
É com esta perspectiva que a Revista Publiracing entrevistou Felipe Fraga, na semana que antecede a decisão ele falou um pouco da carreira, mas principalmente da decisão deste fim de semana.
Revista Publiracing (RP): Como primeira pergunta desta entrevista, gostaríamos de saber como foi sua trajetória no esporte a motor até chegar neste momento em que se pode tornar o mais jovem campeão da Stock Car?

Felipe Fraga (FF) : Eu comecei no kart, assim como a grande maioria dos pilotos profissionais, e depois iniciei carreira de fórmula na Europa começando na Fórmula Renault Aps, que passava pela Itália, França, Bélgica, Áustria e Espanha na temporada 2012. Eu tive um ano de estreia positivo e terminei o campeonato em nono lugar com dois pódios conquistados. Para me manter na Europa estava muito caro e por isso optei por fazer a temporada do Brasileiro de Turismo em 2013 e consegui o título logo no meu primeiro ano. Em 2014, eu estreei na Stock Car com uma vitória na Corrida de Duplas em São Paulo e ganhei mais uma corrida em Goiânia. Em 2015, eu aprendi muito coisa entrando na Cimed Racing e em 2016 eu estou no melhor momento da minha carreira com poles, vitórias e consistência em pódios.
RP: Com a vantagem confortável que leva para a última corrida, qual será a atitude do Felipe. Manter suas características que o levam a ser um dos mais aguerridos pilotos do grid, ou irá manter uma postura mais conservadora, com cuidado especial para fugir das confusões?.

FF: A vontade de vencer está dentro de qualquer piloto que queira ser campeão, mas é claro que nessa última etapa será preciso correr bastante com a cabeça. Prefiro largar na frente e já adquirir uma vantagem logo início, ao invés de ficar com receio de poupar meu carro durante a prova. Nas últimas corridas, quando eu já tinha uma boa vantagem de pontos na liderança, eu estava pilotando dessa forma.
RP: Para fugir das confusões habituais na Stock Car, em momentos críticos como largadas, uma boa posição no grid é fundamental, o mais longe possível do meio do pelotão, onde as principais confusões acontecem. É assim que o Felipe pensa?. Vai com foco principal numa boa classificação e largar lá na frente, o mais longe possível de eventuais toques e acidentes?.
FF: O ponto positivo da Cimed Racing é que temos tido um carro muito bom no treino classificatório e ainda mais confiável para as corridas. Eu venho de boas classificações nas últimas etapas e isso ajuda bastante na hora de pensar na tática para a prova. É claro que toques acontecem não apenas no meio do pelotão, mas acredito que tem sido bastante importante largar entre os primeiros, e vou lutar para estar na frente do Barrichello na hora de definir o grid.
RP: Com título ou sem ele, você tem seu lugar garantido no grid de 2017, já pensa no próximo ano?
FF: Meu foco agora é total na decisão do título e obviamente tenho certeza que em 2017 também vou ter um carro bastante competitivo e vou continuar lutando por vitórias e pelo título.
RP: Em relação ao futuro, ele passa exclusivamente pelo Brasil, ou existe uma vontade em experiências ou oportunidades em categorias TOP do automobilismo com carros de turismo, como o WTCC, DTM ou NASCAR por exemplo?
FF: Eu quero fazer história na Stock Car, acredito que seja importante mostrar para os brasileiros o quanto ela é uma categoria que tem grandes pilotos. Tenho o sonho de competir em outras categorias tops pelo mundo, mas no momento eu estou mais focado no meu resultado de pista aqui no Brasil e em ser campeão.
RP: O automobilismo brasileiro está sem categorias escola, sem projetos sérios de formação de novos pilotos, e com a crise econômica que afasta investimentos por parte de eventuais patrocinadores, como você observa os próximos anos no automobilismo brasileiro?
FF: Tem sido um período difícil para pilotos, patrocinadores e organizadores de eventos, mas mesmo com todas essas dificuldades temos muito talento nas pistas, e creio que isso vai continuar a acontecer.
A Revista Publiracing agradece a entrevista e deseja sorte para a última corrida do ano em Interlagos.
Fotos: Fernanda Freixosa e Duda Barros









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