Simpósio da AEA debate como eletrificação, biocombustíveis e novas tecnologias estão transformando os lubrificantes automotivos


A transformação da mobilidade está impondo novas exigências à indústria de lubrificantes, aditivos e fluidos automotivos. Da evolução dos motores híbridos às necessidades de gerenciamento térmico dos veículos elétricos, passando pelo avanço do biodiesel e dos combustíveis alternativos, a engenharia precisa desenvolver soluções capazes de acompanhar diferentes tecnologias de propulsão. Esses desafios estarão no centro da 19ª edição do Simpósio Internacional de Lubrificantes, Aditivos e Fluidos, promovido pela Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), no dia 27 de outubro, em São Paulo.
A eletrificação dos veículos, as metas de descarbonização e a diversificação das fontes de energia estão modificando profundamente o desenvolvimento dos sistemas de propulsão. Nesse cenário, os lubrificantes e fluidos técnicos assumem funções cada vez mais específicas, que ultrapassam a tradicional redução do atrito e a proteção contra o desgaste mecânico. A compatibilidade com novos materiais, a eficiência energética, o controle de temperatura e a segurança dos componentes passaram a integrar uma agenda de desenvolvimento que envolve fabricantes de veículos, empresas químicas, fornecedores de aditivos e especialistas em engenharia automotiva.
É nesse contexto que a AEA realiza, em 27 de outubro de 2026, a 19ª edição do Simpósio Internacional de Lubrificantes, Aditivos e Fluidos. O encontro acontecerá das 9h às 17h30, no Millenium Centro de Convenções, em São Paulo, reunindo representantes da indústria e especialistas para discutir quatro eixos considerados estratégicos: sustentabilidade, eletrificação, digitalização e lubrificação.
A programação será coordenada por Fernanda Ribeiro, da Iconic; Margareth Carvalho, da Infineum; Pamela Barreto, da Vibra; e Roberta Teixeira, também da Iconic. A abertura contará com a participação do presidente da AEA, Marcus Vinicius Aguiar, e de Fernanda Ribeiro, dando início a quatro sessões técnicas dedicadas às mudanças que já afetam o desenvolvimento de motores, combustíveis e fluidos automotivos.
Motores híbridos e eletrificação exigem novas especificações de lubrificantes
A primeira sessão, denominada Evolução dos Motores e das Especificações de Lubrificantes, abordará a necessidade de adaptar os produtos às novas condições de funcionamento dos sistemas de propulsão.
Marcus Vercelino, da Lubrizol, apresentará a palestra “GF-8 e Motores Híbridos: Novos Desafios para os Lubrificantes de Motor”, examinando a evolução das especificações técnicas diante das particularidades dos motores utilizados em sistemas híbridos.
Esses conjuntos podem apresentar condições de operação distintas das encontradas em veículos exclusivamente a combustão. Dependendo da arquitetura híbrida e do perfil de utilização, o motor térmico pode funcionar de maneira intermitente, com ciclos frequentes de partida e desligamento e períodos prolongados sem atingir temperaturas elevadas. Tais características exigem atenção à estabilidade do lubrificante, à proteção contra o desgaste e à gestão de contaminantes.
A segunda apresentação será conduzida por Clarence B. McCollum, da Richful, com o tema “Lubrificação na Era da Eletrificação: a Perspectiva dos OEMs para Veículos Híbridos e Elétricos”. A discussão deverá considerar as necessidades dos fabricantes de equipamentos originais, conhecidos pela sigla OEM, diante da introdução de componentes eletrificados e de novos requisitos para os fluidos utilizados nos veículos.
Nos automóveis totalmente elétricos, embora não exista um motor de combustão que necessite de óleo lubrificante, continuam presentes sistemas mecânicos que exigem lubrificação, como engrenagens, rolamentos e redutores. Dependendo do projeto, os fluidos também precisam apresentar características específicas de compatibilidade elétrica e térmica.

Descarbonização coloca veículos elétricos, Programa MOVER e máquinas agrícolas no debate
A segunda sessão será dedicada aos Vetores da Descarbonização, reunindo apresentações sobre tecnologias de propulsão, políticas industriais e aplicações fora do segmento de automóveis de passeio.
Leandro Benvenutti, da Infineum, discutirá os requisitos técnicos dos lubrificantes para veículos elétricos e os riscos associados ao não atendimento das especificações. A palestra deverá abordar um tema relevante para a confiabilidade dos sistemas eletrificados, nos quais a escolha inadequada de fluidos pode comprometer a proteção dos componentes e o desempenho dos conjuntos mecânicos.
Na sequência, Carolina Silva, da Comissão Técnica da AEA, apresentará o papel dos lubrificantes no Programa MOVER, iniciativa brasileira voltada à mobilidade verde e à inovação industrial. O tema estabelece uma ligação entre a evolução dos produtos utilizados nos veículos e as políticas destinadas a estimular eficiência energética, desenvolvimento tecnológico e redução de impactos ambientais na cadeia automotiva.
A sessão será concluída com Pedro Ribeiro, da CNH, que abordará novos sistemas de propulsão e combustíveis alternativos para máquinas agrícolas. O segmento apresenta necessidades particulares, relacionadas à elevada carga de trabalho, às condições severas de operação e à importância da disponibilidade dos equipamentos durante as atividades no campo.
A discussão amplia o alcance do simpósio para além dos automóveis, evidenciando que a transição energética também envolve máquinas e veículos utilizados em atividades produtivas, cujas exigências operacionais podem determinar caminhos tecnológicos diferentes.
Hidrogênio, biodiesel e instabilidade no fornecimento de aditivos
A terceira sessão, Formulação, Aditivos e Resiliência da Cadeia de Suprimentos, concentrará as discussões nos desafios químicos e industriais relacionados ao desenvolvimento de lubrificantes.
Robert Wulff, da APL, apresentará estratégias de formulação destinadas à redução de emissões em motores de combustão alimentados por hidrogênio. Embora o hidrogênio seja frequentemente associado às células de combustível, também pode ser utilizado em motores de combustão interna adaptados. Essa aplicação apresenta exigências próprias de lubrificação, gestão térmica e controle de emissões.
Outro tema será o comportamento dos lubrificantes e combustíveis diante de concentrações elevadas de biodiesel. Rodolfo Ferreira, da Afton Chemical, discutirá como a tecnologia pode contribuir para preservar o desempenho dos produtos nessas condições.
A presença de biodiesel em misturas com diesel mineral influencia propriedades como estabilidade à oxidação, comportamento em diferentes temperaturas e interação com determinados materiais. A composição dos combustíveis também pode afetar as condições de funcionamento dos motores e, consequentemente, os requisitos dos lubrificantes.
O terceiro painel da sessão será conduzido por Rafael Ribeiro, da Chevron Oronite, que examinará a flexibilidade das formulações diante das instabilidades globais de suprimento, considerando as perspectivas dos fabricantes de veículos e da indústria.
O tema ganhou relevância em um setor dependente de cadeias internacionais de matérias-primas, componentes químicos e aditivos especializados. Alterações na disponibilidade desses produtos podem exigir adaptações industriais, mas qualquer substituição precisa preservar o atendimento às especificações técnicas e aos requisitos de desempenho estabelecidos para cada aplicação.

Biodiesel B20, fluidos de arrefecimento e comportamento do consumidor
A quarta sessão, denominada Mercado, Consumidor e Ambiente Regulatório, ampliará a discussão para as transformações comerciais e normativas que acompanham a evolução tecnológica.
Patricia Pavanelli, da Ipsos, apresentará uma análise sobre tendências de consumo e mudanças no mercado da mobilidade, considerando um cenário em que diferentes tecnologias de propulsão convivem e disputam espaço nas decisões de compra.
Em seguida, Fernanda Ribeiro, da Iconic, abordará a segurança, a qualidade e a importância da regulamentação dos fluidos de arrefecimento. Esses produtos desempenham uma função essencial no controle térmico dos sistemas automotivos, incluindo motores de combustão, circuitos de refrigeração de componentes eletrificados e sistemas associados às baterias, conforme a arquitetura de cada veículo.
A correta especificação dos fluidos é determinante para prevenir problemas como corrosão, degradação de materiais e perda de eficiência na transferência de calor. A discussão sobre regulamentação ganha importância diante da variedade de produtos disponíveis no mercado e da necessidade de assegurar compatibilidade com os requisitos definidos pelos fabricantes.
O último tema será apresentado por Alexandre Melo, da S&P Global Energy, com a palestra “Biodiesel Rumo ao B20: Desafios, Oportunidades e Impactos no Mercado”.
A perspectiva de ampliação da participação do biodiesel na mistura comercializada no Brasil coloca em discussão aspectos técnicos, econômicos e logísticos que envolvem produtores de combustíveis, fabricantes de motores, fornecedores de componentes e empresas de lubrificantes. O B20 corresponde a uma mistura com 20% de biodiesel, proporção que exige avaliação de compatibilidade e desempenho conforme as aplicações e especificações envolvidas. O debate sobre essa possibilidade não significa, por si só, que sua adoção esteja definida.
Fabricantes discutirão o futuro da mobilidade e o papel dos lubrificantes
O encerramento do simpósio contará com um debate dedicado à visão dos fabricantes de veículos sobre a mobilidade do futuro e o papel dos lubrificantes nessa transformação.
A proposta é reunir diferentes perspectivas sobre a evolução dos sistemas de propulsão, considerando que motores de combustão, conjuntos híbridos, veículos elétricos e tecnologias alternativas continuarão a apresentar necessidades específicas de desenvolvimento.
O encontro também será marcado pela entrega dos troféus aos melhores trabalhos técnicos do SIMEA 2026 — Seminário Internacional de Engenharia Automotiva, realizado nos dias 26 e 27 de agosto. A premiação reconhece contribuições técnicas apresentadas em um dos principais fóruns de discussão da engenharia automotiva brasileira.
AEA e Publiracing Brasil completam 15 anos de parceria na divulgação da engenharia automotiva
A edição de 2026 também ocorre em um momento significativo para a relação institucional entre a Associação Brasileira de Engenharia Automotiva e a Revista Publiracing Brasil, que completam 15 anos de parceria. Ao longo desse período, a Publiracing atua como Media Partner de todos os eventos promovidos pela AEA, acompanhando e divulgando discussões técnicas, pesquisas e iniciativas relacionadas ao desenvolvimento da indústria automotiva brasileira. A colaboração contribui para aproximar o conhecimento produzido por engenheiros, pesquisadores, fabricantes e fornecedores de um público mais amplo, por meio de uma cobertura jornalística especializada que procura traduzir temas complexos sem perder o rigor técnico. A continuidade dessa parceria reflete a importância da circulação de informação qualificada em um setor marcado por mudanças tecnológicas, regulamentares e industriais.
O simpósio será realizado em 27 de outubro de 2026, das 9h às 17h30, no Millenium Centro de Convenções, em São Paulo. A programação reunirá especialistas de empresas, fornecedores de tecnologia e representantes da engenharia automotiva para examinar como os fluidos e lubrificantes deverão acompanhar a evolução dos veículos e das fontes de energia nos próximos anos.
📅 Data: 27 de outubro
📍 Local: Milenium Centro de Convenções – São Paulo/SP
🎟️ Inscrições: https://www.aea.org.br/home/eventos/xiv-simposio-internacional-de-lubrificantes-aditivos-e-fluidos
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