Mercado brasileiro chega a 265 mil veículos em setembro


O mercado brasileiro de veículos leves encerrou setembro de 2026 com 265.275 emplacamentos, crescimento de 14,5% sobre o mesmo mês do ano passado. O avanço vai além do volume: eletrificados mais que dobraram em 12 meses e chegaram a 22,9% das vendas, enquanto as marcas chinesas alcançaram 21,4%. No ranking de modelos, a Fiat Strada abriu vantagem na liderança e o elétrico BYD Dolphin Mini terminou o mês na terceira posição geral. Os dados são da Bright Consulting.
O mercado automotivo brasileiro manteve setembro em terreno positivo, embora os números indiquem um ritmo mais próximo da estabilização depois da forte expansão observada nos meses anteriores. As 265.275 unidades representam avanço de apenas 1,6% diante das 261.204 registradas em agosto, enquanto a comparação anual mostra crescimento mais expressivo, de 14,5%.
Entre janeiro e setembro, foram emplacados 2.148.732 veículos leves, 18,7% acima dos 1.809.805 registrados no mesmo intervalo de 2025.
O calendário torna o resultado mensal ainda mais relevante. Setembro teve 21 dias úteis, o mesmo número de agosto e um a menos que setembro de 2025. A média chegou a 12.632 veículos por dia, contra 12.438 no mês anterior e 10.528 há um ano. Portanto, em termos de média diária, o avanço anual foi de 20%.
Ainda assim, há uma desaceleração na taxa de crescimento quando se compara a evolução homóloga dos últimos meses: agosto havia avançado 22% sobre agosto de 2025, enquanto setembro cresceu 14,5%.
Eletrificados mais que dobram em um ano
A transformação mais evidente continua ocorrendo nas motorizações. Os veículos eletrificados — considerando BEV, PHEV, HEV, MHEV e REEV — somaram 60.821 unidades em setembro, equivalentes a 22,9% de todos os veículos leves emplacados.
Em setembro de 2025 eram 26.483 unidades e 11,4% do mercado. Em 12 meses, portanto, o volume avançou aproximadamente 129%, enquanto a participação praticamente duplicou.
Na comparação mensal houve, porém, uma acomodação: em agosto os eletrificados haviam alcançado 24,4% das vendas.
Os elétricos a bateria foram a maior categoria dentro desse universo, com 22.119 unidades e 36,4% dos eletrificados. Os híbridos plug-in vieram imediatamente depois, com 18.750 unidades e 30,8%.
Motorização eletrificada | Setembro 2026 | Participação entre eletrificados |
BEV | 22.119 | 36,4% |
PHEV | 18.750 | 30,8% |
HEV | 10.726 | 17,6% |
MHEV | 8.528 | 14,0% |
REEV | 698 | 1,1% |
Total | 60.821 | 100% |
Somados, BEV e PHEV chegaram a 40.869 unidades, correspondendo a aproximadamente dois terços dos eletrificados vendidos no mês.
Quando considerados apenas os automóveis, a presença dessas tecnologias é ainda maior. Das 214.027 unidades registradas em setembro, 58.988 eram eletrificadas, ou 27,6% do total. Nos comerciais leves, foram apenas 1.833 unidades entre 51.248 veículos, participação de 3,6%.
Dolphin Mini chega ao terceiro lugar do mercado inteiro
A expansão da eletrificação já aparece diretamente entre os veículos de maior volume do país.
A Fiat Strada terminou setembro com 16.000 emplacamentos e ampliou a vantagem na liderança. O Volkswagen Polo ficou em segundo, com 11.095 unidades.
A surpresa está logo atrás. O BYD Dolphin Mini registrou 9.385 unidades e terminou setembro como o terceiro veículo leve mais emplacado do Brasil, à frente de modelos de grande volume como Volkswagen T-Cross, Volkswagen Tera, Fiat Argo e Chevrolet Onix.
Posição | Modelo | Emplacamentos |
1 | Fiat Strada | 16.000 |
2 | Volkswagen Polo | 11.095 |
3 | BYD Dolphin Mini | 9.385 |
4 | Volkswagen T-Cross | 9.339 |
5 | Volkswagen Tera | 8.725 |
6 | Fiat Argo | 8.603 |
7 | Fiat Pulse | 7.150 |
8 | Chevrolet Onix | 7.133 |
9 | GWM Haval H6 | 6.433 |
10 | Fiat Mobi | 6.395 |
A diferença entre Dolphin Mini e T-Cross foi de apenas 46 unidades. O resultado também colocou um automóvel 100% elétrico com 3,5% de todo o mercado brasileiro de veículos leves no mês.
Entre os BEV, a concentração foi ainda mais expressiva: o Dolphin Mini respondeu sozinho por 42,4% das vendas da tecnologia. A BYD concentrou 64,7% dos elétricos a bateria registrados em setembro.
Outro eletrificado aparece no Top 10 geral: o GWM Haval H6, nono colocado com 6.433 unidades considerando suas diferentes motorizações.
Haval H6 assume liderança entre os híbridos plug-in
A disputa entre os eletrificados também apresenta movimentos importantes dentro de cada tecnologia.
Nos PHEV, a BYD permaneceu como a fabricante de maior participação, com 39,1%, mas o modelo mais vendido foi o GWM Haval H6, com 3.702 unidades plug-in e 19,7% da categoria, superando o BYD Song Pro.
Nos híbridos convencionais, o Omoda 5 liderou com 3.616 unidades, equivalentes a 33,7% do segmento. Entre os híbridos leves, o Jeep Renegade ficou na frente entre os modelos, com 1.939 unidades, enquanto a Jeep concentrou 48,4% das vendas de MHEV.
Os veículos elétricos com extensor de autonomia ainda representam uma parcela pequena: foram 698 unidades REEV em setembro, todas correspondentes ao Leapmotor C10 segundo os dados apresentados.
Marcas chinesas passam de 10,1% para 21,4% em 12 meses
A eletrificação caminha paralelamente a outra transformação importante. As fabricantes chinesas registraram 56.766 veículos em setembro, equivalentes a 21,4% do mercado.
Um ano antes eram 23.422 unidades e 10,1%. Isso significa que o volume mais que dobrou em 12 meses, com ganho de aproximadamente 11 pontos percentuais de participação.
O movimento mensal, entretanto, foi de acomodação. Em agosto, essas marcas haviam alcançado 23,2% do mercado.
A BYD terminou setembro na quarta posição entre as fabricantes, com 21.647 unidades e 8,2%, depois dos 9,4% registrados em agosto. A Geely também recuou, de forma mais acentuada em participação, enquanto Chery avançou 0,6 ponto percentual.
Fiat amplia liderança; BYD recua após sequência de crescimento
A Fiat encerrou setembro com 52.455 veículos e 19,8% de participação, ampliando seu share em 1,2 ponto percentual frente a agosto. Volkswagen ficou em segundo lugar, com 42.372 unidades e 16%, seguida pela GM, com 27.527 e 10,4%.
Posição | Marca | Emplacamentos | Share |
1 | Fiat | 52.455 | 19,8% |
2 | Volkswagen | 42.372 | 16,0% |
3 | GM | 27.527 | 10,4% |
4 | BYD | 21.647 | 8,2% |
5 | Hyundai | 14.640 | 5,5% |
6 | Toyota | 13.992 | 5,3% |
7 | Renault | 11.725 | 4,4% |
8 | Jeep | 10.457 | 3,9% |
9 | Honda | 9.609 | 3,6% |
10 | GWM | 8.943 | 3,4% |
Renault avançou 0,6 ponto percentual e chegou a 4,4%, enquanto Jeep ganhou 0,5 ponto, para 3,9%. A Chery também cresceu 0,6 ponto e alcançou 2,9%.
A Fiat teve ainda cinco veículos entre os 15 mais emplacados: Strada, Argo, Pulse, Mobi e Toro. A Volkswagen colocou Polo, T-Cross e Tera nesse grupo.
Venda direta reage, mas perde participação na comparação anual
Outro movimento de setembro ocorreu nos canais de comercialização. A venda direta registrou 128.733 unidades, crescendo 6,1% em relação a agosto e 6,4% sobre setembro de 2025.
O showroom movimentou 136.542 veículos, queda de 2,4% na comparação mensal, mas crescimento de 23,4% em um ano.
Com isso, a venda direta representou 48,5% do mercado em setembro, acima dos 46,4% de agosto, mas abaixo dos 52,2% observados um ano antes.
No acumulado, a mudança fica mais evidente. O showroom alcança 1.108.275 unidades, alta de 23,4%, enquanto a venda direta soma 1.040.457, crescimento de 14,1%. Sua participação no mercado caiu de 50,4% em 2025 para 48,4% neste ano.
SUVs já concentram 42,6% do mercado
Os SUVs mantiveram praticamente inalterada sua participação mensal, passando de 42,8% em agosto para 42,6% em setembro. A comparação anual, porém, revela uma mudança muito maior: em setembro de 2025, representavam 35,1%.
São 7,5 pontos percentuais adicionais em apenas um ano.
Os hatchbacks também cresceram, passando de 20,3% para 25,1%. O movimento inverso aparece nos sedãs: sua participação caiu de 10,4% para 6,6% no mesmo período.
Os crossovers, segundo a classificação utilizada nos dados fornecidos, recuaram de 10,3% para 5,3%. As picapes derivadas de automóveis passaram de 9,5% para 7,9%.
A comparação reforça uma transformação que já vinha sendo observada no mercado brasileiro: a concentração crescente das vendas em SUVs ocorre simultaneamente à perda de espaço de carrocerias tradicionais, particularmente dos sedãs.
Minas Gerais fica a apenas 675 veículos de São Paulo
A distribuição geográfica também apresentou uma situação incomum em setembro. São Paulo permaneceu na liderança, com 62.111 emplacamentos e 23,4% do mercado, mas Minas Gerais chegou muito perto, com 61.436 unidades e 23,2%.
A diferença foi de apenas 675 veículos.
O dado mineiro precisa ser interpretado à luz da venda direta: 82,9% dos emplacamentos realizados no estado vieram desse canal, proporção muito superior aos 42,3% registrados em São Paulo. A presença das locadoras ajuda, portanto, a explicar o volume excepcionalmente elevado de Minas Gerais.
Crescimento continua forte, mas setembro mostra acomodação
Os números de setembro deixam duas leituras distintas. O mercado brasileiro continua significativamente acima de 2025: cresce 14,5% no mês e 18,7% no acumulado, mesmo com um dia útil a menos nos primeiros nove meses de 2026.
Ao mesmo tempo, alguns dos vetores que vinham avançando rapidamente deram sinais de acomodação na comparação com agosto. Os eletrificados passaram de 24,4% para 22,9%, enquanto as marcas chinesas recuaram de 23,2% para 21,4%.
Isso não altera a dimensão da mudança quando o horizonte é ampliado para 12 meses. Em setembro de 2025, os eletrificados representavam apenas 11,4% do mercado e as fabricantes chinesas, 10,1%. Agora, ambos os grupos já superam a barreira dos 20%.
Talvez o dado mais representativo dessa transformação esteja no ranking dos modelos: um automóvel 100% elétrico terminou setembro como o terceiro veículo leve mais emplacado de todo o Brasil. O Dolphin Mini ficou atrás apenas de Strada e Polo — um resultado que mostra como a eletrificação deixou de ocupar apenas nichos do mercado brasileiro e passou a disputar diretamente algumas das posições de maior volume.
Quer estar sempre atualizado? Siga o nosso canal no WhatsApp e receba as notícias no seu celular.
👉 Acreditamos que setores fortes dependem de pessoas bem informadas — de conteúdos que orientam, contextualizam e geram valor real para o mercado.
É essa visão que nossos leitores, profissionais e marcas apoiam. Ao se associar à Publiracing, você fortalece uma cultura de jornalismo independente, fidedigno e relevante. Uma cultura que valoriza o contexto acima da superficialidade, o rigor acima do sensacionalismo e a credibilidade acima da desinformação.
Quando a informação é produzida com responsabilidade, todo o ecossistema ganha: o público fica informado e toma decisões conscientes, as marcas comunicam com maior impacto e o setor se desenvolve.
Saiba mais clicando aqui ou vá para o link de apoio abaixo









Comentários