Kia pode assumir operação no Brasil e construir fábrica após negociação de dívida histórica
- Jaroslav Sussland - jaros@revistapubliracing.com.br
- há 7 minutos
- 2 min de leitura

Uma negociação entre a matriz da Kia Corporation e o governo federal pode marcar uma das maiores mudanças da indústria automotiva brasileira dos últimos anos. O acordo em discussão envolve a antiga dívida da Asia Motors no Brasil e, caso seja concretizado, poderá abrir caminho para a instalação da primeira fábrica da Kia no país e para a transferência da operação atualmente comandada pelo Grupo Gandini.
A possibilidade ganhou força nos últimos dias após diferentes veículos especializados revelarem que a Kia Corporation negocia com o governo federal uma solução para o passivo fiscal herdado da antiga Asia Motors do Brasil, empresa que, nos anos 1990, recebeu incentivos para instalar uma fábrica no país, projeto que acabou não sendo concretizado. A dívida, cujo valor nunca foi oficialmente confirmado, é frequentemente estimada em torno de R$ 6 bilhões. A hipótese em discussão seria um acordo que envolveria o perdão ou renegociação desse passivo em troca de novos investimentos industriais, incluindo a construção de uma fábrica em território brasileiro.
Se esse entendimento for alcançado, a consequência poderá ir muito além da implantação de uma unidade produtiva. A operação brasileira, hoje administrada há 34 anos pelo Grupo Gandini, poderá passar diretamente para o controle da Kia Corporation. Em entrevista concedida ao Motor1 Brasil, o presidente da Kia Brasil, José Luiz Gandini, confirmou que existe uma negociação entre a matriz sul-coreana e o governo, mas ressaltou que nenhum acordo foi fechado. Segundo o executivo, caso a Kia decida produzir veículos no Brasil, a distribuição também passaria a ser realizada diretamente pela fabricante, encerrando o atual modelo de representação independente.
Apesar das especulações, Gandini afirma que a operação segue normalmente. A prova, segundo ele, é o cronograma de lançamentos da marca, que inclui a chegada da inédita picape Tasman ao mercado brasileiro nas próximas semanas. O empresário também declarou que, se a Kia assumir diretamente os negócios no país, gostaria de permanecer ligado à empresa como concessionário, mas reforçou que esse cenário ainda depende do desfecho das negociações.
Caso a fábrica realmente seja confirmada, a Kia passará a disputar espaço de forma muito mais competitiva em um mercado onde diversas montadoras ampliam seus investimentos locais. A produção nacional poderá reduzir custos, facilitar o lançamento de novos modelos eletrificados e fortalecer a presença da marca no Brasil. Entretanto, até o momento, não existe confirmação oficial da Kia Corporation nem do governo federal sobre um acordo definitivo, e detalhes como localização da futura fábrica, cronograma e investimentos permanecem em negociação.
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