Bugatti Destrier transforma a brutalidade do Bolide em uma peça única de 1.600 cv
- Jaroslav Sussland - jaros@revistapubliracing.com.br

- há 1 minuto
- 3 min de leitura

Terceira criação exclusiva do Programme Solitaire, o Bugatti Destrier utiliza a estrutura e o conjunto mecânico do radical Bolide, mas abandona parte da linguagem aerodinâmica de competição em favor de proporções mais limpas e de um acabamento feito sob medida. O exemplar 1/1 será apresentado ao público durante a Monterey Car Week, nos Estados Unidos.
A Bugatti revelou o Destrier, terceiro automóvel produzido dentro do Programme Solitaire, programa dedicado a projetos únicos para clientes da fabricante. A proposta parte de uma base pouco convencional para um exercício de elegância: o Bolide, modelo desenvolvido com forte orientação para as pistas. O Destrier preserva o monocoque de fibra de carbono e o conjunto mecânico do hipercarro, mas elimina asas, entradas de ar e outros elementos aerodinâmicos mais ostensivos para explorar as proporções fundamentais da plataforma.
O resultado é um carro com apenas um metro de altura, rodas de 20 polegadas na dianteira e 21 polegadas na traseira — contra 18 polegadas no Bolide — e uma carroceria completamente redesenhada. A tradicional linha em “C” da Bugatti é reinterpretada, enquanto a grade em formato de ferradura ficou mais larga. Na traseira, o aerofólio integrado à carroceria remete ao Chiron Profilée.
Para Frank Heyl, diretor de Design da Bugatti, a intenção foi justamente libertar as proporções do Bolide da busca permanente por downforce:
“O Destrier não é um carro que se compreende com a cabeça, é um carro que se sente com o coração. O Bolide nos deu as proporções mais extremas que já criamos e, ao libertá-las da busca incessante por downforce, deixamos que falassem como pura escultura.”


A carroceria recebeu a pintura exclusiva Sapphire Celeste, composta por múltiplas camadas e partículas de brilho, combinada a detalhes em alumínio polido e pequenas áreas de fibra de carbono aparente no splitter dianteiro e no difusor traseiro. O interior também se distancia do ambiente essencialmente funcional do Bolide: couro e nubuck em Ambre Voyageur são combinados a um tecido tridimensional tricotado com fios de cobre. “Cada material no Destrier foi escolhido da mesma forma que um alfaiate seleciona um tecido”, explica Sabine Consolini, responsável por Color and Trim, acrescentando que o objetivo foi criar superfícies táteis e específicas para o único proprietário do automóvel.
Sob essa nova carroceria permanece uma das mecânicas mais emblemáticas da história recente da Bugatti: o W16 8.0 quadriturbo, em sua configuração de 1.600 cv. Curiosamente, a fabricante procura colocar o desempenho em segundo plano neste projeto, privilegiando design e trabalho artesanal. A ligação com o passado aparece também em uma placa gravada a laser acima do para-brisa, mostrando o Type 57G Tank e o Type 57SC Atlantic — dois automóveis de propostas radicalmente diferentes que, assim como Bolide e Destrier, nasceram de uma mesma base. O novo Bugatti será apresentado durante a Monterey Car Week, com participação no Pebble Beach Concours d'Elegance em 16 de agosto de 2026.
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