Citroën C3 e Peugeot 208
Revista Publiracing

Texto: Artur Jorge Semedo

Imagens:  Revista Publiracing

Avaliação: Citroën C3 e Peugeot 208, os mais econômicos de 2016

 

Após dezenas de avaliações realizadas ao longo de 2016 pela nossa redação, entre novos produtos, novas versões e novas motorizações, dois modelos, de duas marcas diferentes, mas que utilizam o mesmo motor, foram os destaques em eficiência energética e consumo. Eles foram uma escolha praticamente unanime de nossa equipe, sendo por isso muito justamente os destaques desta primeira pauta de 2017.

O Citroën C3 e o Peugeot 208 passaram por nós surpreendendo nos resultados conseguidos em consumo de combustível, aí os mais desatentos poderiam questionar se os dois veículos têm algo em comum. E a resposta é sim, o muito eficiente e tecnologicamente avançado motor 1.2 Flex de três cilindros do grupo PSA, o “coração” dos dois modelos.

Como as virtudes e defeitos dos dois modelos já foram descritas nas matérias publicadas ao longo do ano ( Citroën C3 e Peugeot 208 ), reservamos esta primeira pauta do ano para exclusivamente darmos atenção ao motor, afinal ele é o principal responsável pelos ótimos resultados conseguidos pelos dois modelos.

Beneficiado por tecnologias de última geração – como o sistema de partida a frio com aquecimento no injetor (elimina o “tanquinho”), duplo comando de válvulas variável, sistema de arrefecimento Split Cooling, bomba de óleo variável, coletor de escapamento integrado ao cabeçote, entre outros -, o novo motor PureTech 1,2l Flex carrega ainda soluções técnicas que ajudam a ampliar os ótimos resultados.

Graças à redução do peso (um cilindro a menos), a diminuição do número de peças móveis, e naturalmente, menos atritos no funcionamento do motor, o PureTech 1,2l Flex proporciona além da economia de combustível uma diminuição no nível de emissões, e não por acaso os modelos equipados com este motor conseguiram  “AAA” no programa “Etiqueta Nacional de Conservação de Energia”, do INMETRO.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mas o motor não é apenas econômico em sua utilização urbana, ele se mostrou também bastante ágil e dinâmico no seu comportamento em estrada, chamando a atenção pelo desempenho. São 90 cv com etanol e 84 cv com gasolina, disponibilizados na forma de um três cilindros verdadeiramente surpreendente.

De uma forma mais especifica, descrevemos as principais características do 1.2 Flex que entre outras qualidades é integrado aos dois modelos franceses disfarçando muito bem o natural trepidar tão característico deste tipo de motor, o condutor tem que estar muito atento para sentir o “bater” dos três cilindros.

O motor incorpora algumas características desenvolvidas especificamente pela PSA para a região (América Latina), incorporando ainda as mais novas tecnologias para este tipo de componente.

São 12 válvulas (quatro por cilindro) e sistema de partida a frio com aquecimento de combustível no injetor, permitindo a eliminação do reservatório de gasolina para a partida a frio quando o tanque está abastecido com etanol.

Destaque ainda para o duplo comando de válvulas variável, que favorece o enchimento dos cilindros em uma faixa de rotação mais ampla e torna o motor mais potente (tanto em baixas quanto em altas rotações), em um comportamento dinâmico muito eficiente e facilmente perceptível em ambos os modelos, seja no Citroën C3 ou no seu primo, o Peugeot 208.

Algumas outras especificações técnicas são destacadas pelo grupo responsável pelo desenvolvimento e adaptação do motor às características do Brasil: Correia banhada em óleo, bomba de óleo variável, sistema de arrefecimento dividido entre bloco e cabeçote (Split Cooling), e o coletor de escapamento integrado ao cabeçote.

Antes de chegar ao mercado, o motor fabricado no Centro de Produção de Thémery, na região leste da França, passou por uma longa fase de testes para se adequar às condições brasileiras. Foram centenas de milhares de quilômetros rodados para validação do motor e adaptação aos veículos, além de 5.400 horas de validação em bancada de teste (dinamômetro de motor). O PureTech 1,2l FLEX recebeu também várias alterações e adaptações em relação ao motor europeu, tais como:

- Pistões reforçados para utilização do etanol;

- Adoção de anéis de 1,2 mm de espessura, que favorecem a redução de atrito e, consequentemente, a redução do consumo de combustível;

- Bloco com mancais reforçados e com sistema de arrefecimento de pistões (jato de óleo no fundo dos pistões);

- Bronzinas reforçadas;

- Cabeçotes com sedes de válvulas reforçadas para utilização com etanol;

- Válvulas de admissão reforçadas (nitretadas);

- Eletroválvula de canister adaptada para uso com etanol;

- Chicote de motor específico para o motor Flex, adaptado para o sistema de partida a frio;

- Presença de coxins hidráulicos de motor e caixa de câmbio, minimizando vibrações e ruídos;

- Alterações na admissão de ar do motor, para um menor ruído e maior desempenho;

- Uma nova linha de escapamento;

- Uma calibragem de software motor e uma cartografia de pedal de acelerador específicas;

- Um acerto específico do conjunto de embreagem.

 

Claro que cada um dos dois modelos  tem características muito particulares, com isso sentimos  comportamentos naturalmente  distintos. O 208 é mais ágil, já o C3 mais macio e dócil, no entanto os dois modelos conseguiram resultados muito idênticos em termos de consumo, mostrando que realmente a “alma” destes dois produtos é o motor 1.2 Flex de três cilindros.

No Citroën o consumo foi de 12,7 Km/l na cidade e 14,2 Km/l na estrada. Já no Peugeot nossa equipe conseguiu 14 Km/l em condução urbana, e 15,7 Km/l circulando pela rodovia.

Em ambos os testes o combustível utilizado foi o etanol, surpreendendo o nível de eficiência dos produtos. Claro que o consumo pode sofrer alterações sensíveis de acordo com questões tão importantes como velocidade, peso, e até a forma de passar as marchas, entre outras, no entanto, otimizando os recursos que os dois modelos oferecem, a conta do posto de combustível, vai ficar com toda a certeza mais baixa para os felizes proprietários dos modelos, que são destaque também pelo apelo moderno de suas linhas, conforto, conectividade, tecnologia, e espaço interior.

Como referido no inicio de nossa matéria, foi praticamente unanime a decisão de destacar estes produtos como os mais econômicos que passaram pela nossa redação ao logo de 2016. Sem dúvida que a eficiência energética é uma preocupação constante, e cada vez maior das marcas, principalmente pelo percentual de importância que esse fator tem na hora de decidir qual o carro para comprar. Diversas variantes de motores menores (três cilindros) vêm surgindo, principalmente em mercados como o brasileiro, do 1.0 a este 1.2 que equipa os dois modelos avaliados, mas sem dúvida esta solução é muito interessante, se situando muito bem entre economia e versatilidade.

 

Como conclusão, ponto para as marcas francesas envolvidas neste teste, que não só oferecem tecnologia e economia, como ainda um motor dinâmico e ágil em todas as condições de utilização.

 

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