Revista Publiracing

Avaliação: Argo Trekking, a face aventureira do hatch da Fiat

 

A aceitação que veículos de perfil aventureiro têm no Brasil, não parece ter paralelo com qualquer outro país pelo mundo. Assumindo essa realidade, a grande maioria das marcas que têm em seu portfólio veículos de carroceria Hatch compactos, recorrem a uma versão mais irreverente ou despojada para alcançar o público que não só busca um veiculo para o dia a dia, mas também um produto que de alguma forma possa ir um pouco mais além, ou que deixe marcado com selo de alguma exclusividade sua propriedade, outra característica muito apreciada quando se compra um automóvel.

 

 

Chevrolet Onix, Ford Ka, Hyundai HB20 e Renault Sandero, só para citar alguns bons exemplos, todos eles têm a sua versão aventureira, por isso mesmo a Fiat não podia ficar de fora, e seu hatch Argo recebeu algumas transformações para trazer para o lineup de opções o Argo Trekking. Inicialmente com a versão 1.3 de câmbio manual que mostramos para vocês neste teste, e mais recentemente, com a apresentação para o mercado da versão 1.8 de câmbio automático.

 

E a Fiat é a marca que talvez tenha ido mais longe, em termos de engenharia, na hora de personalizar sua versão aventureira.  Cabe naturalmente uma ressalva em relação a Hyundai, que na versão HB20x entrega uma proposta que tem inclusivamente alterações na carroceria e para-choques, entre outros aspectos.  Uma proposta com muitas diferenças em relação ao originário HB20.

 

Já em relação às principais versões aventureiras dos diversos modelos disponibilizados, a receita costuma passar por uma maior distância em relação ao solo através de ajustes na suspensão, proliferação de plásticos na carroceria no intuito de ressaltar sua característica, além de proteger a carroceria em eventuais saídas para um offroad leve, e ainda pormenores como barras de teto longitudinais, e alguns outros pontos no interior, são assim argumentos praticamente obrigatórios nestes produtos que são especialmente queridos pelo cliente brasileiro.

E quando referimos que a versão alvo de nossa atenção é uma das que se destaca pelo trabalho mais amplo de caracterização, é porque a Fiat não se limitou a utilizar a receita “padrão”, mas entrega o Argo Trekking 1.3 com alterações técnicas que passam, por exemplo, de pneus ATR com medida 205/60 R15 de uso misto, instalados em rodas de liga leve de 15” (opcionais) e com cor exclusiva.

 

Se refletirmos sobre o fato dos pneus serem a importante superfície de contato do nosso carro com o solo, logo enaltecemos a importância deste pormenor que imediatamente salta aos nossos olhos quando observamos o Argo por fora.  Com esta solução a Fiat verdadeiramente amplia os horizontes do proprietário do seu Argo aventureiro.

 

Ainda como destaques na estética do modelo, a caracterização Trekking, através de adesivos no capô, laterais e tampa traseira, faixa do para-choque e logos FIAT em preto, faróis de neblina e assinatura em LED. Ainda exclusividades do modelo o escapamento traseiro, também ele de design esportivo, retrovisores externos elétricos com sistema Tilt Down e com setas de direção integradas, sendo que a caixa é preta, harmonizando com o teto escurecido da proposta de pintura da carroceria bicolor  e que tem ainda na cor preta o evidente e esportivo aerofólio traseiro. Ainda atrás é destaque o para-choque traseiro com moldura inferior exclusiva da versão.

 

Além das tradicionais molduras nas caixas de roda e as barras longitudinais no teto, fechamos nossa observação externa com a referencia para a evidente maior altura da carroceria em relação ao solo, quando comparamos com outras versões do modelo, e praticamente fechamos assim o pacote estético do Argo Trekking.

Para finalizar um olhar sobre as principais dimensões do Argo Treckking, que são: 4 metros de comprimento, 1.72 de largura, 1.57 de altura e entre eixos de 2.52 metros.

 

Mas vamos então para o interior utilizando a chave do tipo canivete com telecomando, e com a qual podemos realizar tanto a abertura das portas, como abertura dos vidros e porta-malas. Já no seu interior ele mantem as características que fazem do Argo um dos mais interessantes e modernos habitáculos no segmento de hatch compactos.

 

Destacamos o acabamento interno em preto com detalhes exclusivos da versão, e que apesar de utilizar plástico em praticamente toda a sua estrutura, apresenta peças de boa integração, com pouquíssimos ruídos “estranhos” passando a sensação de solidez para o habitáculo. O quadro de instrumentos de 3,5" multifuncional e com informações do veículo em TFT, é personalizável e expõem o design do que consideramos um dos mais agradáveis painéis de instrumentos do segmento, tanto na forma como são apresentadas as informações, como na iluminação e praticidade de leitura e sua rápida configuração.

Ainda muito interessante e igualmente prática e agradável é a central multimídia de 7'' Touchscreen com Android Auto e Apple Car Play, Bluetooth, entrada USB e sistema de reconhecimento de voz. De série o Argo Trekking vem apenas com sensor de estacionamento traseiro, mas a Fiat disponibiliza por praticamente mil reais a câmera de ré fazendo parte de uma vasta lista de itens de opcionais e acessórios para a versão.

 

O Argo vem naturalmente com ar condicionado, bancos com encosto de cabeça nas cinco posições, assim como cinto de segurança de três pontos para todos os ocupantes sem esquecer o sistema de fixação Isofix para fixação da cadeirinha infantil. A versão disponibiliza ainda vidros elétricos com sistema de um toque nas quatro portas, iluminação no porta-malas, e já que falamos na área reservada para a bagagem, referir que o modelo entrega 300 litros de volume, um dos mais generosos do segmento. Igualmente interessante é o espaço interno, permitindo movimentos sem limitações de praticamente todos os ocupantes, embora com as naturais ressalvas para a posição central do banco traseiro, uma característica deste perfil de veículos e que no caso do modelo da Fiat é até bem atenuada pela ótima distribuição do espaço interno.

Após ajuste do volante, realizado apenas em altura, hora de dar partida ao nosso motor 1.3 (1.332 cm³) transversal, de 4 cilindros em linha, 8 válvulas, injeção eletrônica e naturalmente de tecnologia flex. Com esta motorização a Fiat entrega o Argo Trekking com o câmbio de cinco marchas manual, casamento do qual falaremos mais a frente, lembrando que na nova versão equipada com a motorização 1.8 e recentemente apresentada ao mercado, o câmbio disponibilizado é automático. Voltando ao motor da nossa versão ele tem como principais características, além da potência de 101 cv com gasolina a 6.000 rpm e 109 cv no etanol a 6.250 rpm, seu bom torque de 13,7 kgfm (G) a 3.500 rpm e 14,2 kgfm (E) a 3.500 rpm.

 

E é por aqui que iniciamos os elogios ao comportamento dinâmico do Argo Treckking da Fiat.  O motor e o câmbio estão muito bem afinados, e os engenheiros da marca deixaram a configuração tão acertada, que não são raros os momentos em que parece que estamos dirigindo um veículo de motor maior, já que a proposta entrega respostas rápidas, um torque que disponibiliza potencia em giros baixos, ficando sempre a sensação de alguma reserva de potência. Muito interessante este casamento e o acerto que a engenharia da marca preparou para uma versão que tem ainda algumas características especificas.

 

A suspensão, que deixou um espaço maior entre o solo e a carroceria, foi outro dos itens mecânicos muito bem trabalhado pela marca. Independente do tipo McPherson na frente e eixo de torção na traseira, e que apesar do maior centro de gravidade, equilibra de forma muito interessante o conforto, estabilidade e eficiência em estrada, e a capacidade de ultrapassar os obstáculos urbanos do dia a dia. Além disso, ajudado pelas características dos pneus, ele chega a permitir uma liberdade até maior que alguns SUVs compactos.

 

Já através da ótima direção elétrica, as reações do Argo são rápidas e precisas, e mesmo com a altura adicional ele não deixa de passar confiança em estrada e em velocidades mais elevadas, num ótimo ajuste da engenharia da marca que está de parabéns pelo resultado final.

 

Em relação aos freios a solução “básica” de discos na frente e tambor atrás, com ABS e EBD, e o suficiente para frear com eficiência os 1.130 kg de peso da proposta.  E já que falamos em segurança, referir que de série o Argo Trekking vem equipado apenas com duas bolsas frontais de airbag.

Falamos agora do consumo de combustível ao longo do nosso teste. Com o tanque de 48 litros abastecido com etanol e percorrendo o nosso habitual circuito misto, nosso Argo de motor 1.3 e câmbio manual fez uma média de 8,9 km/l, o que podemos considerar um bom resultado, considerando ainda que por vezes ele chega a entusiasmar, com isso temos a certeza que poderíamos melhorar ainda mais esse resultado.

 

Conclusão do editor: O Argo é hoje a quarta força no segmento dos hatch compactos, ficando atrás em números relativos ao licenciamento dos modelos Chevrolet Onix, Ford Ka e Hyundai HB20. Vendido nesta versão 1.3 MT Trekking por R$ 59.990 ou por R$ 62.990 com os opcionais da unidade que testámos, a versão aventureira do Argo é uma das responsáveis pelo sucesso do veículo. De acordo com os dados da Fenabrave foram 7 585 unidades do Argo emplacadas em Outubro e 8 270 em Novembro, e curiosamente dos poucos veículos que mesmo com 3 dias a menos de vendas no 11º mês do ano em relação ao mês anterior, ele conseguiu melhorar seu desempenho, somando em 2019, até ultimo dia do mês que acaba de terminar, 70 965 unidades emplacadas. O segmento é o mais competitivo do momento já que todos os principais atores tiveram seus modelos rejuvenescidos com novas propostas, casos de Onix, HB20 e Sandero, e só o Ford Ka aguanta firme entre os primeiros sem nenhuma recente grande atualização.

 

A versão que testamos agrada bastante pelo ótimo casamento do câmbio manual com o motor 1.3, muito bem ajustado chega a impressionar pela agilidade e reações prontas, e se a tudo isso juntarmos um ótimo trabalho no ajuste da suspensão, e um interior bem agradável, o Argo aventureiro é talvez o mais capacitado de todos os seus concorrentes, especialmente quando, além da rotina diária para ultrapassar as péssimas ruas das cidades brasileiras o condutor decide partir para alguma aventura em estrada de terra, ainda que leve. Seus pneus e suspensão permitem que também aqui ele tenha vantagem sobre a concorrência.  O resultado final de nosso teste mostra em números esta nossa avaliação, e apesar do alto nível das propostas o Argo Trekking leva atualmente uma pequena vantagem e aguardamos então a chegada a nossa redação da nova versão 1.8 de câmbio automático, brevemente ele estará por aqui, e contaremos para vocês.

 

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