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Revista Publiracing
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Pesquisa realizada pela Abimaq já indica o fechamento de 11 mil postos de trabalho


José Velloso, presidente executivo da Abimaq

A pandemia do novo coronavírus afetou a atividade produtiva em diversas frentes: adiando ou cancelando investimentos, interrompendo parte da cadeia de suprimento e restringindo transporte de mercadorias e a mobilidade da mão de obra. Essas são algumas da conclusões da pesquisa "Impacto da pandemia da COVID-19", realizada pela Abimaq – Associação Brasileira da Indústria de Máquinas entre os dias 30 de março e 3 de abril, junto aos seus associados, com o objetivo de aprimorar sua atuação em meio a crise.


De acordo com José Velloso, presidente executivo da entidade, a pesquisa buscou consolidar informações, que possibilitem a entidade entender como a crise vem influenciando no desempenho do setor, além de, avaliar o impacto das medidas já tomadas e identificar aquelas necessárias para mitigar os efeitos da pandemia. “A ideia central foi fornecer às indústrias e agentes públicos informações relevantes para o desenvolvimento de ações que possam reduzir os danos causados pelo novo coronavírus”, explicou.



O aspecto mais preocupante da pesquisa é com relação à manutenção dos empregos, alerta Velloso que explica: “esses números só vão agravar a situação de desemprego no País. A pesquisa revelou que 21,4% das empresas pesquisadas, demitiram cerca de 16,4% da mão de obra, gerando uma redução de 11.000 postos de trabalho – queda de 3% no nível de emprego da indústria de máquinas e equipamentos, ainda em março. Mas na quarta-feira, dia 22, voltam de férias os colaboradores da grande maioria dos respondentes, (78,6%) que, inicialmente, optou por conceder férias individuais (62,7%) ou utilizar banco de horas (46,2%).Ao longo da pandemia pretendem priorizar a redução de jornada, férias e banco de horas”.


Segundo Velloso, praticamente todas as empresas da mostra informaram que pretendem promover demissões nos próximos meses. “Ninguém pode dizer exatamente o número de demissões, mas estimamos que pode chegar a 15% do nível de emprego da nossa indústria, o que significaria 50 mil empregos diretos e mais 150 mil indiretos, o que pode chegar a 200 mil pessoas. Atualmente, o setor emprega 350 mil diretos e quase um milhão de indiretos.


Velloso explica ainda que a associação vem mantendo negociações com cerca de 80 sindicatos de trabalhadores em todo o País para ajudar na redução de jornada e salários ou na suspensão temporária de contratos, medidas previstas na MP 936. “E esse processo tem que ser muito ágil - explica - uma vez que os cortes podem ocorrer antes dos acordos serem fechados, caso esses demorem a ser concluídos”.


As empresas indicam queda forte de faturamento, podendo passar de 50% nos próximos dois meses.



MERCADO EXTERNO

Mais de 70% do universo pesquisado é constituído de empresas exportadoras, onde 54,2% registraram queda das exportações da ordem de 56,2%, com expectativa para os próximos 60 dias de encolher ainda mais (57%). Verificou-se ainda uma queda de 53% nas importações de insumos.


A sondagem realizada com a fabricantes de máquinas identificou, segundo Velloso, forte preocupação também com o aumento dos preços de matérias-primas e materiais intermediários utilizados na produção. Todos são fatores que concorrem com a competitividade.


Além disso, há, entre as preocupações, a desorganização ou interrupção da cadeia de suprimentos que, para além da queda de vendas, tem o potencial de inibir a atividade produtiva e o atendimento da carteira de pedidos.


Perguntado quais seriam as medidas que, se anunciadas emergencialmente, contribuiriam para a manutenção das atividades produtivas de máquinas e equipamentos, 95,1% das empresas participantes da pesquisa responderam que a postergação do pagamento dos impostos faria um papel importante nesse sentido e 82,2% informaram que o refinanciamento das dívidas deveria ser autorizado.



CAPITAL DE GIRO

“De outro lado – explicou o presidente executivo - a pesquisa identificou que 79% das empresas fabricantes de máquinas e equipamentos pretendem fazer uso de capital de giro adquirido no mercado bancário para cumprir suas obrigações com folha de salários, pagamento de fornecedores, impostos, parcelas de financiamentos assumidos e outras despesas fixas.


Até o dia 03 de abril, 32,4% já tinham procurado as agências bancárias na intenção de acessar capital de giro, mas apenas 11,4% das empresas de fato conseguiram o crédito.


Até aquela data, 21% das empresas que buscaram o capital de giro no mercado bancário não conseguiram. Os motivos informados foram diversos, mas entre eles estão as taxas de juros elevadas, a falta de crédito, CND negativa, excesso de garantias e ausência de informação.


As condições de financiamento encontradas pelas empresas que adquiriram o crédito dizem que em média a taxa de juros oferecida pelos bancos ao tomador de empréstimo foi de 14,3%, taxa extremamente elevada diante do atual quadro de contração da atividade produtiva e da renda das famílias e acima daquela observada antes da pandemia.



“Para contornar o aumento dos riscos que o setor financeiro se recusa a assumir, prossegue Velloso - o Governo precisa atuar oferecendo garantias, implementando medidas como a suspensão da exigência de CND, direcionando o depósito compulsório liberado, exclusivamente aos bancos compromissados em conceder o crédito, enfim, medidas que conduzam o crédito a quem realmente necessita”.


“O setor financeiro também precisa mudar sua postura em relação ao seu cliente na concessão de crédito, considerando, além das garantias convencionais (recebíveis, patrimoniais etc.), o potencial do negócio do tomador. O sistema bancário brasileiro, diferente do estabelecido em países de economia dinâmica, está muito longe de assumir riscos e, principalmente, de valorizar o potencial do negócio dos seus clientes”, finaliza o presidente executivo.


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