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Revista Publiracing

Avaliação: Apaixonante e jovem, Peugeot 208 é conservador no desempenho


Um dos lançamentos mais esperados no ano de 2020 no Brasil foi, sem dúvida, o do Peugeot 208. As expectativas eram legitimas, já que tínhamos a oportunidade de receber um produto que chegava com relativa rapidez em relação a outros países e com o “selo” de carro do ano na Europa, o mais exigente e maduro mercado de veículos global.


Um hatchback compacto com um design harmonioso, moderno e atraente, resultado nem sempre fácil de ser conseguido numa proposta de carroceria com menos espaço para a criatividade. Mas a Peugeot conseguiu criar um projeto totalmente novo e inovador em suas linhas e que não deixa ninguém indiferente a sua presença.


Em relação à geração anterior (que em nossa opinião ainda continuava bastante atraente), suas dimensões foram ligeiramente ampliadas. O comprimento está agora maior, com 4.055 mm, são 80 mm a mais em relação ao modelo anterior. A largura também aumentou para 1.738 mm (mais 36 mm), curiosamente o entre-eixos ficou menor em apenas 2 mm, já que o anterior era de 2.541 mm e o do novo modelo é de 2.539 mm. Ainda perceptível numa primeira observação externa é sua altura, também menor, com 1.453 mm ele está mais baixo em relação aos 1.472 mm (menos 19 mm) da geração anterior.

Destaque imediato para o preto brilhante do teto e caixa dos espelhos retrovisores, contrastando com a cor predominante na carroceria. Por falar em espelhos retrovisores, e já antecipando, eles são de regulagem elétrica e têm luzes de sinalização de mudança de direção, disponível em todas as versões do modelo.


Além disso, chama à atenção as luzes de condução diurna em LED, fazendo lembrar os dentes do leão, em posição inferior aos faróis principais, e colocados de forma vertical, eles têm design único e arrojado, e ainda servem como distintivo para o conceito inovador do novo 208. Como referido, o “dente de Sabre” é um pormenor que dá continuidade ao atraente conjunto ótico dos faróis principais, que também têm três singulares traços em LED, entregando uma exclusiva assinatura para o modelo.


Ainda na frente destaque para a grade frontal preta com detalhes em cromado, com o leão em destaque, e a sigla 208 na área frontal do capô dianteiro.


Na traseira, a continuação dos traços elegantes e modernos do modelo. No grupo ótico traseiro, mais uma vez as garras do leão são aplicadas nas lanternas, em LED, interligadas por uma esportiva faixa em preto brilhante que “casa” muito bem com o esportivo aerofólio traseiro, colocado na parte superior do vidro traseiro, bem na continuação do teto e entregando uma proposta de presença marcante, esportiva e muito atraente.

Quase terminando nossa observação externa, referência para as maçanetas das portas na cor da carroceria e as molduras das janelas laterais em preto. Fechando o pacote, as elegantes rodas em liga de alumínio diamantadas de aro 16” onde são instalados pneus de medida 195/55 R16.


Hora de acessar ao interior do novo Peugeot 208, o que é realizado através do sistema do sensor de presença que permite a abertura e fechamento automático tanto das portas como do porta-malas traseiro. Já que falamos no compartimento para bagagem antecipar que ele tem 8 litros a menos que o da geração anterior, sendo agora de 265 litros.


O nível de equipamento ao serviço, tanto do conforto como da segurança, é, sem duvida, o grande destaque desta nova versão do 208 da Peugeot. Um universo de recursos que são um passo em frente em relação ao que estamos habituados nesta gama de veículos, tornando o pequeno 208, especialmente nesta versão topo de linha, o mais sofisticado carro do segmento.

No conforto podemos destacar o ar-condicionado automático digital, assistente de partida rampa, apoio de braço para o motorista, acionamento elétrico dos vidros com sistema de um-toque para descida e subida em todos eles, além do grande diferencial, o teto solar panorâmico, acabamento que amplia o ambiente interno e lhe dá um toque de exclusividade marcante.


Dando continuidade a nossa observação interna, referência para o volante, de acabamento em couro, ele é ao estilo Sport Drive de diâmetro reduzido, e com ajuste de altura e distância. Ainda no volante são disponibilizados os comandos para controle de áudio e telefone.


Já que falamos em áudio, o sistema disponibilizado em nossa unidade era de boa qualidade, com 4 Alto-falantes e 2 tweeters, sendo parte importante do conjunto de entretenimento que tem ainda a central multimídia com tela touchscreen de 7″, muito bem integrada ao painel, em posição elevada e com espelhamento para Android Auto e Apple CarPlay via cabo.

As versões Allure e Griffe têm ainda carregamento de smartphone por indução. Na tela é realizada a gestão de uma serie e funções inclusive ajustes do ar-condicionado e volume do áudio, além de serem disponibilizadas as imagens da câmera de ré. Numa opinião muito pessoal, mas que sempre ressaltamos, a falta de um botão rotativo para comando do áudio será sempre lamentável pela praticidade que entrega.


Voltando a expor o conteúdo da versão topo de linha do Peugeot 208, não faltam itens como o acendimento automático dos faróis através do sensor crepuscular, acionamento automático do limpador de para-brisa (sensor de chuva), alarme perimétrico, câmera de ré e controlador automático de velocidade de cruzeiro com limitador de velocidade.


O habitáculo do nosso hatchback mistura conforto com um nível de espaço interessante, mas o destaque vai inteiramente para seu grande diferencial, que é a visão revolucionária da marca através do novo painel digital de instrumentos. Além do habitual posicionamento superior, o novo 208 entrega também, nas duas versões mais completas do modelo, um dinâmico e atraente velocímetro com tecnologia holográfica em três dimensões, de modo que os números parecem vir em nossa direção. A Peugeot chama esta tecnologia de i-Cockpit 3D e realmente é de visualização muito agradável além de fácil leitura das informações.

Ainda no interior destaque para o acabamento das superfícies, com os painéis das portas em preto brilhante, o painel frontal com revestimento numa manta fina imitando a fibra de carbono, adicionando toque de requinte através da utilização do cromado para acabamento das maçanetas internas e friso dos difusores de ar no painel, sendo na versão testada por nós os bancos com revestimento em Alcântara. Já que falamos dos bancos referir que todas as cinco posições têm encosto de cabeça, com cinto de três pontos e atrás ponto de fixação para cadeirinha infantil (Isofix).


Já olhando para a segurança, o pacote de airbag de série é idêntico para todas as versões e inclui bolsas infláveis frontais, laterais e de cortina. Ainda referências para a estrutura com deformação programada nos impactos frontais, acendimento automático do pisca-alerta após imobilização brusca, alertas de colisão e de permanência na faixa com correção, detector de fadiga, freios ABS com distribuição eletrônica de frenagem e assistente a frenagem de emergência autônomo, reconhecimento automático das placas de velocidade e ainda controle eletrônico de estabilidade e tração.

É então chegado o momento de falarmos do comportamento dinâmico do novo Peugeot 208. Com uma motorização única e bem conservadora para todas as versões disponibilizadas nesta fase inicial de comercialização no Brasil, a motor com referência EC5M é o conhecido 1.6 (1.598 cm³) flex, de 4 cilindros em linha, dianteiro, em posicionamento transversal, com bloco e cabeçote de alumínio, com duplo comando de válvulas variável e 4 válvulas por cilindro. Um motor já com alguns anos de “estrada” e naturalmente limitado no desempenho. São 115 CV com gasolina ou 118 CV com etanol e em ambos os casos a potência máxima é entregue nas 5.750 rpm. Os valores de torque, já antecipam um pouco do seu comportamento, são de 15,4 kgf.m nas 4.000 rpm no caso de utilizarmos gasolina ou 15,5 kgf.m nas 4.750 rpm se abastecido com etanol.


Apesar do ótimo trabalho da engenharia da Peugeot no ajuste inteligente da relação entre o motor e o câmbio automático de seis marchas, o novo 208 se mostra um veículo de desempenho limitado. A Argentina, onde o modelo é fabricado no Centro de Produção de Palomar, recebeu uma das motorizações disponibilizadas em alguns países europeus, que é 1.2 turbo de 3 cilindros com 130 cv e 23,4 kgf.m. Este motor, com toda a certeza, daria todo o dinamismo que a proposta merece, e por isso mesmo não vimos a hora da chegada da versão elétrica GT para então sim, termos um legitimo “carro do ano”.


Acreditamos que questões comerciais como a necessidade de disponibilizar uma motorização flex, já desenvolvida em termos técnicos, e consolidada até em termos de produção, fez com que o conhecido 1.6 aspirado, já por aqui à alguns anos em diversos modelos Citroën e Peugeot, fosse a escolha da marca para esta fase inicial de comercialização do modelo.

Naturalmente com esta motorização não podemos esperar fortes emoções, contrariamente ao que acontece com o irreverente crossover 2008 Turbo, modelo que, aliás, falaremos detalhadamente nas próximas semanas, e que apresenta um desempenho agradavelmente nervoso. Mas se o desempenho do novo 208 é, por enquanto, conservador, todas as outras referências são muito interessantes, marcando uma evolução em relação à geração anterior do modelo.


O carro está mais dócil e suave na absorção das irregularidades, mas ao mesmo tempo mais eficaz em curva, sendo notório o bom trabalho de engenharia e o acerto no projeto, desde a plataforma, passando pelo monobloco, materiais utilizados e distribuição de pesos. A suspensão, independente do tipo McPherson na frente e eixo de torção na traseira, também contribui bastante para esta sensação, trazendo o segmento dos hatch compactos pra um patamar bem elevado em termos de comportamento dinâmico. Sem ruídos estranhos no interior e um bom isolamento acústico, fica também evidente o nível bem interessante de acabamento do novo 208.


Já nos testes que realizamos para avaliar o comportamento do carro em freadas mais bruscas, seja em curva, ou ainda situações de piso com baixa aderência, como chuva, as reações sempre nos deixaram bastante confiantes. Com disco ventilado na frente e tambor atrás, o conjunto auxiliado pelo ABS com sistema de distribuição de frenagem é suficiente para frear os 1.178 kg de peso o nosso 208 Griffe.

Outro item muito positivo é a direção de assistência elétrica que contribui para a ótima dirigibilidade do veículo, permitindo rápidas reações e proporcionando muito conforto e segurança, aliás, dirigir o 208, assim como outros modelos da Peugeot, é muito divertido.


Já em relação ao consumo, nossa unidade esteve abastecida ao longo do teste, exclusivamente com etanol nos 47 litros do tanque de combustível, e no final da avaliação o registro de 8,4 km/l de média, o que acaba por ser um valor muito de acordo com o que esperávamos para este motor.


O novo Peugeot 208, com a atual motorização, necessita ser encardo com pragmatismo. É claro que este 1.6 atmosférico deixa a desejar em termos de agilidade, especialmente se olharmos para as motorizações dos concorrentes, mas principalmente, sabendo das opções que existem na casa, como o 1.2 turbo disponibilizado na Argentina, ou o fantástico THP 1.6 turbo tão apreciado em alguns produtos da Peugeot e da Citroën, isto sem olhar para o vasto leque de opções disponibilizadas nos mercados Europeus. No entanto a proposta é robusta e confiável, e sua pouca aptidão para grandes acelerações não deve ser um problema para a grande maioria dos condutores. Numa rotina urbana, e para viagens em estrada sem grandes exigências, a motorização não deixa de ser uma proposta interessante, de bom casamento com o câmbio e entregando uma evolução bem coerente com as suas características, sendo linear na subida da rotação e trocando de marchas em giros baixos focando fundamentalmente no consumo.

O problema é termos a certeza que este produto, com a qualidade que tem em termos de acabamento, conforto, tecnologia, e claro, seu visual arrebatador e moderno, teria tudo para ser um sucesso imediato no Brasil, se a Peugeot tivesse sido mais arrojada. Acreditamos ainda que uma rápida chegada da versão elétrica, ainda que naturalmente com preço bem mais elevado, vai entregar a distinção que o modelo merece, um carro fantástico em todos os aspectos, mas em que seu coração por aqui não acompanha a irreverência e juventude da proposta.


Conclusão do editor – A Peugeot talvez tenha perdido uma das maiores chances de virar o jogo no Brasil. Com um carro de design muito atraente, um interior jovem e moderno, tecnologia que o deixa entre os melhores, se não mesmo o melhor hatch compacto da atualidade no Brasil, mas a questão da motorização, única, por enquanto, acabou por condicionar o desempenho comercial nestes primeiros meses. É claro que o ótimo pacote de tecnologia e conforto também tem seu preço, e o valor sugerido em torno de 95 mil reais para esta versão pode ser uma condicionante para que o modelo conquiste um publico mais vasto neste inicio de comercialização, muito especialmente se o comprador apenas comparar friamente as propostas na faixa de preço em que a versão se situa, sem olhar para o conteúdo do produto no segmento. Para nossos leitores terem uma ideia, foram apenas 1099 unidades vendidas em Novembro, logo após sua chegada ao mercado, naquele que acabou por ser seu melhor desempenho até agora, já que em Dezembro foram 1093 veículos saídos das concessionárias da marca, e em janeiro de 2021 apenas 778 unidades. Uma realidade que acreditamos poderia ser totalmente diferente com um motor de maior desempenho e que acompanhasse a juventude e qualidade do restante da proposta.


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Coluna de André Maranhão - Veículos híbridos e eletricos