Anfavea critica retomada de incentivos para importação de veículos elétricos desmontados
- Redação Publiracing

- 24 de jun.
- 3 min de leitura

Entidade afirma que decisão do governo gera insegurança para investimentos já anunciados e pode reduzir estímulos à produção nacional de veículos eletrificados
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) manifestou preocupação com a decisão do Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex) de restabelecer incentivos para a importação de veículos elétricos desmontados e semidesmontados, nos regimes conhecidos como CKD (Completely Knocked Down) e SKD (Semi Knocked Down). Segundo a entidade, a medida altera uma política anteriormente definida pelo próprio governo e pode afetar investimentos planejados para a indústria automotiva nacional.
Em comunicado, a Anfavea argumenta que as cotas para importação desses kits haviam sido encerradas em fevereiro de 2026, conforme cronograma estabelecido após negociações entre governo e setor produtivo. Para a associação, a reintrodução dos benefícios ocorre num momento em que fabricantes já anunciaram investimentos de aproximadamente R$ 140 bilhões até 2033 destinados à eletrificação, pesquisa, engenharia, modernização industrial e ampliação da cadeia de fornecedores no Brasil.
A entidade sustenta que o mercado brasileiro já vive uma fase de forte expansão da mobilidade elétrica. De acordo com os dados apresentados, os emplacamentos de veículos eletrificados importados cresceram 214% entre 2023 e 2025. Paralelamente, a produção nacional também avançou. Em 2025, os veículos eletrificados fabricados no país representaram 25,9% das vendas do segmento, enquanto o mercado abastecido por modelos produzidos localmente cresceu 57% nos cinco primeiros meses de 2026 na comparação com igual período do ano anterior.
Para a Anfavea, a discussão atual não está mais centrada na introdução dos veículos eletrificados no mercado brasileiro, mas sim na capacidade de transformar essa expansão em desenvolvimento industrial local. A entidade defende que a continuidade de incentivos à importação, num momento em que novas fábricas e linhas de montagem estão em implantação, pode reduzir os estímulos para a nacionalização da produção, da engenharia e dos fornecedores.
O posicionamento da associação recebeu apoio de sindicatos, centrais sindicais e entidades ligadas à cadeia automotiva, que têm manifestado preocupação com os impactos da medida sobre empregos e investimentos. A entidade afirma que continuará a defender a descarbonização da frota e a ampliação da oferta de veículos eletrificados aos consumidores, mas entende que o debate passa agora pela definição do modelo de desenvolvimento industrial que o país pretende adotar para a nova era da mobilidade.
A decisão do Gecex reacende uma discussão que vem ganhando força no setor automotivo brasileiro: como equilibrar a aceleração da eletrificação com a construção de uma cadeia produtiva nacional capaz de gerar emprego, desenvolvimento tecnológico e maior valor agregado para a economia. Enquanto fabricantes e governo discutem os próximos passos, o tema deverá permanecer no centro das atenções da indústria nos próximos meses.
Quer estar sempre atualizado? Siga o nosso canal no WhatsApp e receba as notícias no seu celular.
👉 Acreditamos que setores fortes dependem de pessoas bem informadas — de conteúdos que orientam, contextualizam e geram valor real para o mercado.
É essa visão que nossos leitores, profissionais e marcas apoiam. Ao se associar à Publiracing, você fortalece uma cultura de jornalismo independente, fidedigno e relevante. Uma cultura que valoriza o contexto acima da superficialidade, o rigor acima do sensacionalismo e a credibilidade acima da desinformação.
Quando a informação é produzida com responsabilidade, todo o ecossistema ganha: o público fica informado e toma decisões conscientes, as marcas comunicam com maior impacto e o setor se desenvolve.
Saiba mais clicando aqui ou vá para o link de apoio abaixo









Comentários