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Revista Publiracing

Em entrevista exclusiva, Pedro Machado fala sobre a atual situação do sistema metroferroviário da re


A Revista Publiracing realizou uma entrevista exclusiva com o presidente da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Metrô – AEAMESP, Pedro Machado. Ele falou sobre a 23ª Semana de Tecnologia Metroferroviária e sobre a atual situação do sistema sobre trilhos.

Revista Publiracing (RP) - Quais os principais objetivos para o seu período à frente da AEAMESP?

Pedro Machado (PM) - A Chapa “Conexão e Modernidade” foi eleita com a proposta de assegurar o prestígio alcançado pela Associação ao longo de sua história, promovendo a renovação do quadro associativo, em conexão com os desafios e complexidades impostos pela modernidade.

Firmamos como Compromissos de Diretoria: escutar os anseios dos profissionais das empresas do setor metroferroviário, com responsabilidade e seriedade, posicionando-se quanto às mudanças no setor e assegurando a expressão do corpo associativo, através de sua diretoria e conselho deliberativo; reforçar e zelar pela imagem da associação junto aos parceiros e entidades; aumentar a participação dos profissionais das empresas do setor, bem como captar novos associados em nível nacional; promover eventos de interesse dos associados, além da Semana de Tecnologia Metroferroviária; promover a implementação de projetos metroferroviários eficientes como primordiais para assegurar a mobilidade e o desenvolvimento socioeconômico; cooperar nos processos de retenção de tecnologia de ponta do setor; buscar e manter o apoio das diversas lideranças do setor; participar das instâncias que tratam assuntos de interesse do setor, sejam municipais, estaduais ou federais.

RP - Como foi preparar a 23ª Semana de Tecnologia Metroferroviária no momento em que as empresas do setor passam por um momento difícil com investimentos no setor paralisados, sendo que que o apoio delas é fundamental para a realização do evento?

PM - Só temos a agradecer aos parceiros que deslocaram esforços, sejam financeiros ou de ações, para a realização do evento. Em tempos difíceis como estes mostramos que é possível fazer acontecer grandes ações se todos colaborarem.

Houve momentos em que pensamos que o baque era tamanho que precisaríamos cancelar a 23ª Semana de Tecnologia Metroferroviária, mas foi neste momento que surgiram as mais fundamentais colaborações e o evento acabou ganhando estabilidade e concretude.

Apesar das dificuldades de cunho financeiro, o conteúdo está cada vez mais rico e o evento se consolida como voz anual do setor para a discussão de nossos assuntos de interesse.

RP - Investimentos equivocados, ou a falta deles, deixaram o sistema metroferroviário paulistano e metropolitano no limite de sua capacidade. Na sua opinião, quais as prioridades para os próximos anos? É a modernização de via permanente e seus sistemas de sinalização e controle de tráfego, que permitam maior frequência e rapidez das composições, ou são mais composições. Ainda na sequência, apesar da natural necessidade de ampliar (e muito) a rede de trens e metrô na cidade de São Paulo, uma ampliação dessa malha enquanto não forem resolvidas questões de infraestrutura e equipamento atuais, vai trazer mais público para um modal já saturado. Qual a sua opinião sobre estas observações?

PM - Respondendo as perguntas 3 e 4 de forma conjunta, na opinião da Associação, a sequência técnica para desenvolvimento da rede metroferroviária deve levar em consideração o crescimento sustentável, buscando não onerar ainda mais os trechos mais carregados e levar o atendimento a novas regiões da cidade. Paralelamente, a melhoria da via permanente, sinalização e as novas composições permitirão melhorar o serviço já prestado, sendo também uma ação que assegura melhoria do atendimento. Não há uma ação prioritária, mas sim faces de uma mesma moeda.

RP - Existe algum trabalho conjunto entre as empresas que atuam sobre trilhos e as prefeituras da região para um desenvolvimento planejado da ferrovia de acordo com o desenvolvimento urbanístico das cidades na região metropolitana?.

PM - Ao nível político essa ação se desenvolve, como pode ser observado nas notícias do setor. No setor técnico esse diálogo poderia se ampliar e isso seria benéfico pois geraria não só propostas de gestão, mas sim, das instituições responsáveis pelo transporte, um compromisso que poderia perdurar além das atuais gestões.

RP - Muito se tem falado de ligações ferroviárias, importantes e fundamentais, entre importantes cidades do estado e da federação. Qual a sua opinião sobre essa necessidade, e existindo estudos sendo desenvolvidos, em que situação atualmente eles estão?

PM - Existem diversos estudos sendo desenvolvidos de ligações entre as metrópoles paulistas e mesmo entre as duas grandes metrópoles brasileiras, São Paulo e Rio. Alguns deles foram objeto de painéis nos últimos três anos e podem ser consultados no nosso site nos eventos anteriores, garantindo fonte de informação e contato com as empresas responsáveis por desenvolver esses projetos.

É fato que as rodovias não darão conta de transportar o fluxo entre as metrópoles nos próximos anos, portanto é premente que se pense no transporte sobre trilhos como solução para estes fluxos.

RP - Muito especificamente em relação ao metrô de São Paulo, fica claro que o investimento em tecnologias que não eram dominadas ou habituais como o monotrilho, foi equivocada, não só a nível de instalação e infraestrutura como futuramente no custo de sua operação, que, contrariamente ao argumento inicial não vêm ficando com um custo menor. Qual a sua opinião sobre os projetos de investimento no monotrilho como solução para diversos bairros, muitos deles já reduzidos na sua distância e amplitude, outros completamente abandonados.

PM - Os diversos modos possuem faixa de atuação que pode ser obtida em diversos estudos técnicos. Não é legítimo dizer que um modo que ainda nem entrou em atividade plenamente na cidade foi equivocado. Quanto à questão do custo, considerando sempre o local de inserção, os Relatórios de Sustentabilidade do Metrô-SP mostram sim a relação de menor custo do monotrilho. Vide uma comparação de km entre a Linha 17 e Linha 5, por exemplo, ambas na mesma região, ou de projeção para a Linha 2 quando comparada à Linha 15. O que não há é uma aderência ao valor inicialmente planejado, algo completamente compreensível dada a mudança de conjuntura nacional em relação aos preços que mantém relação de dependência com mercado internacional em vários itens.

#AEAMESP #FERROVIA #TREM #METRÔ

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