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Revista Publiracing

Editorial: CET em São Paulo, espelho da ineficiência, é voraz na busca incessante por autuações.


Algumas semanas atrás, num bonito domingo de sol, procurava eu um lugar para parar o carro no bairro dos Jardins, em São Paulo, quando observo uma série de espaços vazios. Num bairro que vive sérios problemas de estacionamento, especialmente durante a semana, nada mais nada menos que 7 vagas destinadas a taxi estavam ali, do lado esquerdo da via de sentido único, e repito, todas elas sem taxi algum. Naturalmente por ser domingo, muito destes dignos trabalhadores (taxistas) também estavam curtindo seu merecido dia de descanso. Como ia parar por apenas alguns breves minutos, para carregar uma flor de uma loja que fica a não mais de 10 metros do local onde acabava de parar o carro, e utilizando um pouco da racionalidade que todo o ser humano deve ter, imaginei que minha momentânea parada não comprometeria nem o trânsito (inexistente) de taxis, muito menos o de veículos de passeio pela via publica, já que não iria estacionar, apenas utilizar um daqueles espaços ociosos naquele dia, por, repito, breves minutos.

Realizada a operação de carga da minha bonita flor, o que não demorou mais de 5 minutos, e já me preparando para sair, colocando o cinto de segurança e conversando com minha filha que ocupava o banco do lado direito, observo repentinamente no espelho retrovisor a imponente presença de um “digno” e voraz representante da engenharia de trafego paulistana, CET, ávido por resolver um “enorme” problema para o tranquilo trânsito do bairro naquele dia. Com sua arma (a caneta) e desprovido da menor capacidade de raciocínio e bom senso, a ilustre figura, sentada no seu veículo de duas rodas, já se preparava para tentar “assaltar” mais um habitante da cidade que cumpridor habitual das regras de trânsito, apenas parou por breves minutos em espaço naturalmente vazio naquele dia.

Esta situação foi o empurrão para escrever este texto, algo que já estava agendado faz algum tempo, e numa tentativa de expor o que penso sobre a CET e sua atuação no dia a dia de uma cidade como São Paulo.

A Companhia de Engenharia de Tráfego (ou CET) é uma empresa de economia mista vinculada à Prefeitura de São Paulo, responsável pelo gerenciamento, operação e fiscalização do sistema viário da cidade. Foi criada em 1976 pelo então prefeito Olavo Egídio Setúbal, e sua sigla e configuração se estendeu a outros municípios do Brasil.

Mas observo diariamente uma postura que me leva a questionar a utilidade da CET para a população e para a organização do trânsito nas vias de São Paulo. O que verifico é uma lista interminável de atitudes questionáveis e comportamentos inadequados e omissos, com muito pouco de “engenharia” e menos aínda de benefícios para motoristas e pedestres.

Se excluirmos as funções de sinalizar acidentes e obstáculos, e através de cones realizar alterações no sentido de algumas vias em horários de pico, pouco mais utilidade tem a CET, muito pouco para tanto custo humano e financeiro. No entanto sua principal atividade não é a de beneficiar a população, já que como quase tudo o que tem a mão da gestão publica por aqui, a CET é uma fábrica vergonhosa de autuar, sem o menor pudor ou bom senso.

Exemplificando essa minha constatação, explico uma situação vivida, precisamente alguns metros acima geograficamente em relação ao local da história que deu inicio a este texto. No final de uma manhã de sábado, aí sim o movimento de carros fervilhando no mesmo bairro, Jardins, a sinalização luminosa que deveria organizar o trânsito entre duas importantes ruas daquela região estava desligada, provocando incomodo, demora e insatisfação aos motoristas que circulavam, ou tentavam circular, por ali naquele horário.

No reflexo da mais evidente cara de pau e vergonhosa postura da organização e seus “dignos” representantes pelas ruas, os marronzinhos, observo dois empenhados representantes do CET, um de cada lado da rua, não preocupados com o bem estar do motorista, ou organização do trânsito naquela errada e complicada situação de inoperância do sinal, mas sim, acreditem, preocupados em verificar, um por um, se os motoristas estacionados dos dois lados da via tinham seus talões de zona azul em dia. Isto a apenas não mais de 30 metros do tal cruzamento do sinal desligado, com carros buzinando e motoristas se arriscando.

Este é apenas um dos milhares e milhares de exemplos do que ocorre de forma cotidiana nas ruas e avenidas da cidade de São Paulo e que exemplificam e explicam muito da rejeição que os marronzinhos têm por parte da população paulistana, que parece ter perdido, assim como todo o brasileiro, a capacidade de se indignar com tanta "cara de pau".

O CET nada mais é que uma máquina de produzir receita para a Prefeitura e para si mesma.

Em minhas viagens pelo mundo, tive a oportunidade de dirigir em diversas capitais espalhadas em alguns continentes, e o trânsito, em praticamente todas elas, é fiscalizado pelo departamento de trânsito das policias locais ou municipais. Isso leva a mais preparação, senso de responsabilidade, ética, bom senso, e mais foco no que realmente é importante para a população, para a mobilidade e organização das vias publicas. O posicionamento, mais militar, se assim quisermos chamar, não permite fechar os olhos ao necessário, para apenas correr atrás do que é lamentavelmente conveniente ( multar), como no caso dos agentes do CET. O quanto se pouparia de dinheiro e se ganharia em respeito da população, já para não falar da qualidade do serviço prestado, se a atividade de organizar e fiscalizar as vias das cidades fosse realizado pelo departamento de trânsito da Policia Militar, com toda a certeza com uma postura mais responsável, ética, eficaz e produtiva.

A CET é um cabide de empregos, que na ávida necessidade de produzir receita, coloca nas ruas comissionados robôs humanos cuja única função é tirar uma “casquinha” da carteira alheia. Da função para a qual ela foi criada, lá em 1976, apenas resta uma borrada maquiagem, afinal bons elementos existem em qualquer função.

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