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Revista Publiracing

SIMEA 2016 debateu estratégias, inovações e soluções para mobilidade sustentável


O XXIV Simpósio Internacional de Engenharia Automotiva – SIMEA 2016, promovido nos dias 5 e 6 de setembro, no Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo (SP), pela AEA - Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, trouxe nesta edição o tema “Eficiência Energética e Gases do Efeito Estufa: Impactos da Evolução da Tecnologia Automotiva”, firmando-se mais uma vez como maior e mais completo evento técnico de engenharia automotiva nacional.

O evento trouxe mais de 60 sessões técnicas sobre motores, emissões, combustíveis, materiais, veículos virtuais, simulações e segurança; dois dias de debates e palestras de conteúdo técnico sobre as inovações tecnológicas em prol da mobilidade e os desafios da eficiência energética, segurança e meio ambiente. O SIMEA 2016 recebeu aproximadamente 1000 profissionais do setor automotivo.

Durante cerimônia de abertura, o SIMEA 2016 dedicou uma homenagem especial ao engenheiro e general Aldebert de Queiroz (1918-2016) pelo seus mais de 50 anos dedicados à indústria automotiva brasileira. O certificado foi entregue ao filho, Eduardo Lobo de Queiroz.

“Tão atual quanto necessário para o setor, o programa Inovar-Auto, o mais importante da história dos 60 da indústria automotiva, tem como premissa qualificar o polo produtivo na exportação e minimizar a capacidade de produção ociosa, mas sem tecnologia é inviável”, afirmou Edson Orikassa, presidente da entidade.

A abertura oficial ainda contou com a participação de Ricardo Abreu e Rogério Gonçalves, presidente de honra e coordenador do SIMEA, respectivamente, Antonio Megale, presidente da Anfavea, Dan Ioschpe, presidente do Sindipeças, Luiz Rezende, vice-presidente da Abeifa e CEO da Volvo Cars, Murli Iyer, vice-presidente da Fisita Americas, e Margarete Gandini, diretora do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

“O Inovar-Auto criou base de sustentação. Agora, precisamos ampliá-lo, com grande articulação e amplo movimento para trazer à sociedade um futuro mais sustentável no ponto de vista ambiental. Precisamos integrar toda a cadeia e fazer com que haja previsibilidade para que todos possam se preparar e fazer deste programa algo que seja perene no horizonte a longo prazo”, disse Ricardo Abreu, presidente de honra do SIMEA.

De acordo com Megale, “também por conta do programa de incentivos, os investimentos na indústria automotiva entre 2012 e 2018 somam hoje R$ 85 bilhões, sendo R$ 15 bilhões somente na área da engenharia, incluindo modernização de várias fábricas já existentes e o aumento de 12% na eficiência energética”. “Que este novo ciclo traga maior integração do setor aos padrões internacionais, Vamos precisar de um salto de competitividade e fazer todo o percurso necessário para as questões trabalhistas, tributação, custos financeiros e aceleração das áreas mais atrasadas como a eletrônica”, informou Dan Ioschpe, do Sindipeças.

A diretora do MDIC, por sua vez, abriu a sessão de palestras com o tema “Relevância do Inovar-Auto para o País” e exibiu a visão do governo sobre o programa e seus inúmeros avanços em tecnologia automotiva. “É um setor com grande representatividade, com poder de arrasto para toda a indústria de manufatura. E chegamos em um patamar no qual o desafio é avançar mais a cadeia produtiva e fazer com que todo conhecimento seja enraizado e desça para a cadeia de produção do segundo e terceiro elo”, afirma Margarete.

Entre as resultados já alcançados, a diretora destacou a tecnologia downsizing de motores, motores três cilindros, novos materiais, investimentos em novas estruturas de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). No entanto, segundo Margarete, para o avanço é necessário produzir para o mundo, com sistemas estratégicos e a conectividade como o grande driver. “Mas qual é o modelo de negócio?”, questionou a diretora ao público presente no auditório do SIMEA.

Painel 1 – “Novas tecnologias de motores e veículos” abordou sobre as mais recentes soluções tecnológicas visando à eficiência energética, redução de consumo e dos gases responsáveis pelo efeito estufa. O palestrante Gino Montanari, diretor de P&D da Magneti Marelli, comentou em sua apresentação sobre as duas tendências mais relevantes para o setor: conectividade e os veículos híbridos e elétricos.

“É por meio da conexão que o veículo otimiza sua operacionalidade, com redução de consumo e conveniência para o usuário; interação com smartphone aprimora a segurança ativa, dá acesso a funcionalidade”, informou Montanari que aproveitou ainda para apresentar o PerfET, um modelo de arquitetura híbrida por meio do qual o veiculo com câmbio automatizado é integrado ao sistema elétrico acoplado no eixo secundário do carro, garantindo redução do consumo de combustível.

Novas tecnologias requerem novos insumos e, para Ricardo Abreu, diretor de P&D da Mahle, as emissões estão concentradas no que é denominado do “tanque à roda” e é preciso considerar as emissões nas várias etapas da produção e transporte, dos poços de petróleo, navios, carros que transportam até a usina, ou seja, todas essas etapas produzem o CO2 e devem ser observadas, um olhar à cadeia como um todo.

“Hoje discutimos a questão dos horizontes, dos requisitos reais para onde devemos depositar os melhores recursos”, disse Fábio Ferreira, diretor de engenharia da Bosch que apresentou alguns avanços no setor, como tecnologias específicas de powertrain, incluindo melhorias como atrito, eletrificação parcial, downsizing, desativação de cilindros, integração de transmissão e desempenho e redução de fricção.

O diretor de engenharia da BMW, Elmar Hockgeiger, mostrou a estratégia do grupo para atingir as exigências dos desafios ambientais e de mobilidade presente e futura. “De um lado, temos a eficiência do sistema de powertrain convencional (motor de combustão e transmissão) e a necessidade da otimização para evoluir; de outro, veículos inovadores baseados em sistemas de powertrain puramente elétricos ou híbridos, bem como serviços de mobilidade adequados, que precisam ser estabelecidos na mobilidade diária pessoal”, afirmou.

O Painel 1 foi encerrado após debate com a participação do público presente moderado pelo jornalista e editor da revista Quatro Rodas, Paulo Campo Grande.

Na visão de Rodrigo Custódio, diretor da Roland Berger, “a curto prazo as soluções de powertrain são fundamentais; no médio prazo, vemos os veículos híbridos e elétricos, sendo que a longo prazo, é notório a redução expressiva dos usos das tecnologias ciclo Otto e Diesel”, informou Berger durante apresentação “Eficiência energética e redução das emissões – Uma visão econômica”.

Em “Programas de eficiência energética no mundo – The Global Fuel Economy Initiative (GFEI)”, o diretor do centro Mário Molina Chile, Gianni López, usando técnicas de modelagem, propôs uma série de metas para melhorar a economia de combustível, resultando em melhora média global em todos os veículos de 50% até 2050. O GFEI atua em diversos países auxiliando a formação e o compartilhamento de práticas que buscam melhorias como economia de combustível, além de promover o desenvolvimento de dados e pesquisas. A palestra “Previsibilidade em programas de eficiência energética” foi ministrada por Keijiro Takai, gerente da Toyota Motor Corporation.

Painel 2 – A temática “Eficiência energética – Não é só questão de motor” discutiu opções para melhorar a eficiência energética além das tecnologias de motores. Combustíveis, lubrificantes, aditivos, pneus, materiais e recuperação de energia são áreas nas quais também se podem desenvolver tecnologias inovadoras para reduzir o consumo de combustível dos veículos.

Para Ron Fricke, gerente técnico de Combustíveis da Afton Chemical, um fator chave que vai permitir a evolução do motor e do combustível é o desenvolvimento da tecnologia eficaz do aditivo de combustível que permite a entrega de alta qualidade e garante desempenho do motor, sendo este um passo necessário e já reconhecido. A importância dos pneus para o aumento da segurança, redução de custo operacional e minimização do impacto ambiental durante o uso do transporte foi apresentada por Leonardo Bispo, gerente de Performance do Pneu da Michelin.

Já o gerente de Engenharia de Área Experimental da FCA Group, Sandro Soares, exibiu um conceito de desenvolvimento do automóvel baseado na Demanda Energética Veicular geral (VDE), fundamentado na busca pela eficiência para se deslocar, aumentando o rendimento de todos os sistemas auxiliares e componentes a bordo, como ar condicionado, assistência de direção, freios, demanda eletroeletrônica, sistema de arrefecimento do motor, aerodinâmica, óleos lubrificantes, entre outros, de forma a reduzi a demanda de combustível do motor.

A evolução das transmissões utilizadas em veículos comerciais, incluindo o aumento do número de marchas, novos materiais e a conectividade foi apresentada por Israel Valle, gerente de Engenharia da ZF. Este painel também foi encerrado após debate com o público presente moderado por Adriano Griecco, da AEA.

Durante o SIMEA 2016, a entidade ainda divulgou o Melhor Trabalho Técnico apresentado: “Cálculo da incerteza de medição para ensaios de emissões de motores pesados a diesel” foi o grande vencedor e desenvolvido pelos autores Tadeu Cavalcante Cordeiro Melo, Guilherme Bastos Machado, Marcos Fernando Mendes de Brito, Márcia Figueiredo Moreira, da Petrobrás e Dennis Rempel e Luiz Carlos Daemme, do Instituto Lactec.

Na ocasião, a entidade também premiou o melhor trabalho técnico relacionado ao tema de Eficiência Energética; o vencedor foi o trabalho “Low viscosity oils impacto n heavy duty diesel engine components” dos autores Edney D. Rejowski, Eduardo Antonio Tomanik e Juliano P. Souza, todos da Mahle Metal Leve.

A Escola Politécnica da USP recebeu homenagem por ser a instituição com maior número de trabalhos enviados e aprovados para serem apresentados no evento.

O SIMEA 2016 contou mais uma vez com o apoio como média partner da Revista Publiracing.

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