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Revista Publiracing

Editorial - Aumento do preço do transporte coletivo em São Paulo, a distante realidade de quem decid


Foi anunciado pelas Secretarias Municipal de Transportes e Estadual dos Transportes Metropolitanos de São Paulo, o aumento da tarifa de trens, metrô e ônibus a partir de 9 de Janeiro de 2016.

Com o novo preço anunciado de R$ 3,80, aumento de 0,30 centavos em relação aos atuais R$ 3,50, as respetivas secretarias parecem não temer os naturais protestos que vêm por aí!

O comunicado, referindo que o aumento de 8,57% é abaixo da inflação de 10,49%, segundo o IPC-Fipe, é primeiro que tudo, um ato de coragem, pois o momento atual, e difícil realidade vivida por paulistas e paulistanos, assim como por todos os brasileiros, deixa desde já antever, muitos protestos e reclamações, pois as famílias estão asfixiadas pela incompetência do poder publico que além de entregar serviços de péssima qualidade, tem provocado aumentos em cascata em todos os setores.

Mas onde definitivamente os gestores têm que mudar é no cinismo e na “cara de pau” utilizados para justificar o aumento através de dados matemáticos sobre a inflação, e que nos levam a relembrar que praticamente toda a operação do transporte coletivo em São Paulo é muito abaixo da necessária e obrigatória qualidade, pontualidade e frequência. É o poder público que tem para com a população que agora se vê atingida por esse aumento, um enorme défice de eficiência, até que se justifique um aumento, que o raciocínio de quem não aguenta mais pagar pelas burradas dos incompetentes, entenda.

São ônibus de péssima qualidade em sua grande maioria, sendo que a necessária renovação da frota deve andar bem mais lenta que os aumentos, basta para isso estar atento as quedas na produção desse tipo de veículos anunciadas pelos fabricantes nos últimos anos e a expectativas deles para o futuro.

Mão de obra, motoristas, cobradores e atendentes dos terminais, em sua grande maioria, não preparados adequadamente.

São ônibus que em determinadas regiões e horários andam com lotação muito acima de sua capacidade física e técnica, mas principalmente da necessária dignidade para o quem vai pagar uma tarifa mais cara, para continuar se espremendo, dentro de um veículo sem o mínimo de condições.

Passando do transporte sobre pneus para o transporte sobre trilhos, mais atributos de um sistema que justificaria uma reflexão, antes de se pensar em aumentar alguma coisa que não a qualidade.

Reduzidíssima rede de metrô que afeta e muito a mobilidade da cidade, e quando se planeja a necessária correção para essa falta de investimento que durou décadas, se esbarra nas duas principais características das obras públicas no Brasil, incompetência e corrupção. Se necessário fosse exemplificar esta observação, bastaria olhar para a equivocada opção pelo monotrilho, e quando se fala em crescimento da rede para algumas regiões através da construção de linhas que utilizam esta tecnologia, anunciada como mais barata para instalação e para operação, sabemos que o futuro se encarregará de mostrar que alguém, que não o público, ganhou com essa equivocada opção em detrimento da normal e já dominada tecnologia de veículo sobre trilhos.

Do metrô para a CPTM os mesmos problemas, lotação muito acima de necessária dignidade para quem paga passagem e tem que fazer sua viagem com o mínimo de condições. Investimentos paralisados e equivocados, e planejamento da operação com erros na sua gestão e que prejudicam principalmente os passageiros.

Com tudo isso fica claro que, antes de pensar em aumentar a tarifa, os gestores têm que pensar em aumentar a qualidade de todo o sistema, pois afinal, paciência tem limites, e até a natural resignação do brasileiro em relação aos devaneios de seus políticos parece estar chegando ao fim.

Um Feliz 2016 para todos!

Fotos: Revista Publiracing

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