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Revista Publiracing

Os 60 anos da ALPINE


A propósito do aniversário de 60 anos da Alpine, celebrados pela AAA (Associação dos Veteranos da Alpine), e que reuniu os apaixonados pela marca nos dias 11, 12 e 13 de setembro de 2015 em Dieppe, apresentamos a história desta emblemática marca, que ficou conhecida principalmente por ser o "braço" esportivo da Renault.

HÁ SESSENTA ANOS… O NASCIMENTO DA ALPINE

Olhando para trás, o destino de Jean Rédélé parece evidente. Envolvido desde a mais tenra idade em um universo onde automóveis, competições e Renault eram as palavras de ordem, ele também se destacou por uma visão vanguardista da tecnologia e do comércio.

Nascido em 17 de maio de 1922, Jean era o filho mais velho de Émile Rédélé, concessionário da Renault na cidade de Dieppe após ter sido o mecânico titular de Ferenc Szisz, primeiro “piloto de fábrica” da Marca no início do século. A partir do final de seus estudos na Escola de Comércio HEC, Jean não passa despercebido pela direção geral da Renault devido às suas ideias comerciais inovadoras. Com apenas 24 anos, ele se torna o mais jovem concessionário de França, assumindo os negócios de seu pai.

Considerando que “a corrida é o melhor banco de testes para os modelos de série e que a vitória é o melhor argumento de venda”, Jean Rédélé participa de suas primeiras competições com 28 anos. Após um pequeno teste no Rali Monte Carlo de 1950, ele vence o primeiríssimo Rali de Dieppe ao volante do novo 4CV, enfrentando modelos bem mais potentes! Este sucesso de escala nacional leva a Renault entregar a ele um 4CV ‘1063’ – a versão especial de corrida – na temporada seguinte. Alcançando novamente o sucesso, Jean Rédélé busca melhorar as performances de seu bólido. Sua busca o leva até a Itália, onde encontra Giovanni Michelotti, encomendando a ele um 4CV Special Sport, caracterizado por uma carroceria de alumínio bem mais aerodinâmica que a do modelo original. Com o tempo, a parceria entre o homem dos ralis francês e o designer italiano daria origem a três unidades excepcionais.

Aguardando a entrega de sua nova arma, Rédélé segue sua carreira ao volante do ‘1063’. Concessionário Renault nas cidades Paris e Étampes, seu amigo Louis Pons se torna seu companheiro de equipe. Sempre buscando mais performances, a dupla financia o desenvolvimento de uma caixa de câmbio de cinco velocidades, concebida por André-Georges Claude. Este artifício permite principalmente que ele vença em sua categoria na Mille Miglia, a famosa corrida entre Brescia e Roma.

A trajetória de Jean Rédélé passa em seguida pelas 24 Horas de Le Mans ou o Tour de France Automobile. Em 1953, ele finalmente recebe o seu 4CV ‘Spéciale’. Em sua primeira corrida, ele vence o 4º Rali de Dieppe à frente de duas Jaguar e uma Porsche! No ano seguinte, a equipe Rédélé / Pons conquista uma terceira vitória de categoria na Mille Miglia, e depois vence a Copa dos Alpes. “Percorrer os Alpes com meu 4CV de 5 marchas foi uma das melhores sensações que já vivi, e eu queria que meus clientes também passagem por esta experiência apaixonante com o carro que eu iria produzir. Foi por isso que escolhi o nome Alpine para minha empresa”, disse ele mais tarde.

A ideia de criar sua própria marca perturbava a mente de Jean Rédélé. Foi seu sogro que o ajudou a dar o primeiro passo. Como proprietário da Grande Oficina localizada na Praça de Clichy, localizada na Rua Forest, Charles Escoffier era um dos mais importantes concessionários Renault da época. Pedindo que seu genro o ajudasse a desenvolver e comercializar uma série de ‘coaches’ já encomendados à montadora de esportivos Chappe & Gessalin, ele o apoia na criação da “Société des Automobiles Alpine”, em 25 de junho de 1955.

A106: O INÍCIO DE UMA EPOPEIA FORMIDÁVEL

Projetando seus futuros automóveis, Jean Rédélé queria se basear em princípios elementares: uma mecânica simples mas competitiva, utilizando o máximo de peças de série, recoberta por uma carroceria leve e atraente. De um certo ponto de vista, o coach projetado por Charles Escoffier atende a estes requisitos… mesmo se Jean Rédélé não assume muito a paternidade!

Projetado por Jean Gessalin e montado pelos irmãos Chappe, o primeiro protótipo é apresentado por Charles Escoffier ao comitê diretor da Renault, em fevereiro de 1955. Uma vez validada a homologação, Jean Rédélé solicita algumas modificações, provenientes dos 4CV desenvolvidos com Michelotti. O coach assume a denominação de A106: A de Alpine e 106 em referência ao nome do código 1062 do 4CV, que serve de banco de órgãos.

No início de julho, três unidades do Alpine A106 com as cores da bandeira francesa – um azul, um branco e um vermelho – desfilam no pátio da sede da Renault, na cidade de Boulogne-Billancourt. Mesmo se ele não se afeiçoa muito pela a linhagem do primeiro Alpine, Jean Rédélé se sente bastante orgulhoso por ter se tornado um construtor de automóveis independente.

Mecanicamente, o Alpine A106 tem o mesmo chassi e os trens rolantes do 4CV. O motor de quatro cilindros em linha de 747 cm3 é oferecido em duas versões de 21 cv e 38 cv. Este primeiro Alpine se destaca em primeiro lugar por uma carroceria de poliéster, colada ao chassi original do 4CV.

Como opcional, é possível equipar o A106 com uma caixa de câmbio de cinco marchas ‘Claude’, ou a suspensão ‘Mille Miles’, com quatro amortecedores na traseira.

Fiel a seus princípios de melhoria contínua – em uma época em que o Kaizen ainda não fazia parte do vocabulário da indústria automobilística – Jean Rédélé buscava incessantemente o progresso do A106. Cansado das reticências de Chappe & Gessalin para fazer evoluir o A106, o cidadão de Dieppe acabou abrindo sua própria estrutura industrial, a RDL. Este grito de independência se traduziu pelo lançamento de uma versão cabriolé, projetada por Michelotti e apresentada no Salão do Automóvel de Paris de 1956. Uma terceira variante foi lançada em 1958: o A106 ‘Coupé Sport’. Era um cabriolé sobre o qual foi soldado um “hard top”!

Com 251 unidades produzidas entre 1955 e 1960, o A106 permitiu que Jean Rédélé desse início à sua empresa. Mais essa era apenas a primeira etapa…

A108: A PRIMEIRA BERLINETTE

É melhor falar do A108 ou dos A108? As variantes de carrocerias e de configurações são tantas que fica difícil resumir a história de um modelo que teve 236 unidades produzidas entre 1958 e 1965.

O nome A108 apareceu no Salão do Automóvel de Paris de 1957. As carrocerias do ‘coach’ A106 – produzido por Chappe & Gessalin – e do cabriolé RDL são inicialmente mantidas, pois é sob o capô que acontece a metamorfose: o motor do 4CV foi substituído pelo 845 cm3 “Ventoux” do Dauphine. Com as evoluções, seria possível optar por um bloco alesado para 904 cm3 e preparado por Marc Mignotet, ou para o motor do Dauphine Gordini (998 cm3).

O estilo também evoluiu, a partir de uma variante do A106 desenhado por Philippe Charles, um jovem projetista de 17 anos! Partindo do cabriolé desenhado por Michelotti, ele recobre os faróis com uma bolha de acrílico, e prolonga a traseira para obter uma linha mais esguia. Batizado de ‘berlinette’, este carro participa do Tour de France Automobile de 1960 com duas equipes, Féret e Michy, por Jean Rédélé. O sucesso agradou tanto que este novo visual se impôs rapidamente em meio aos cabriolés e cupês esportivos produzidos pela RDL.

Outro passo importante é dado em 1961, com a generalização do chassi do tipo monobloco para todos os modelos. Esta arquitetura era baseada em uma robusta viga central, na qual são instaladas travessas laterais para dar sustentação aos eixos dianteiro e traseiro. Melhorando a rigidez e a leveza, esta inovação constituía a chave das qualidades de rodagem dos modelos Alpine através das gerações.

WILLYS-INTERLAGOS: EXEMPLO DE UMA POLÍTICA DE EXPORTAÇÃO INOVADORA

Sabendo que um desenvolvimento internacional poderia ser uma fonte de crescimento, Jean Rédélé enfrentava uma falta de recursos, que não permitia que ele criasse e desenvolvesse uma rede de exportação tradicional. Ele escolheu outro caminho, oferecendo a parceiros industriais a possibilidade de fabricar seus automóveis sob licença.

É verdade que os Alpine são relativamente fáceis de montar, mesmo por pessoal não qualificado. Eles são também conhecidos por sua confiabilidade, pois sua mecânica tinha como origem o banco de órgãos (mecânicos) da Renault.

Após um fracasso na Bélgica – menos de 50 unidades do A106 fabricados pela empresa Small – foi no Brasil que Rédélé encontrou saída para seus modelos. A empresa Willys-Overland, que já fabricava os modelos Dauphine sob licença da Renault, lançou uma produção a partir de ferramental fornecido pela fábrica de Dieppe. A partir de 1960, a fábrica de São Paulo começa a fornecer os Interlagos, cujo nome remetia ao célebre circuito brasileiro. À primeira vista, apenas um olho treinado poderia distinguir um Interlagos de seu irmão gêmeo, o Alpine A108.

A parceria continuou com o A110. No total, mil berlinettes e cabriolés foram produzidos até 1966.

Assim como na França, estes Alpine produzidos do outro lado do Atlântico se mostravam à vontade nas competições, principalmente nas corridas de endurance, como as Mil Milhas. Foi após ter começado sua carreira com os Interlagos que José Carlos Pace, Emerson e Wilson Fittipaldi conquistaram a Europa, cujas carreiras culminaram com a Fórmula 1.

Esta parceria serviu de modelo para outros acordos no México (Dinalpin), Espanha (Fasa) e Bulgária (Bulgaralpine). Com isso, aproximadamente 15% dos Alpine foram fabricados sob licença no exterior.

A110: SIMPLESMENTE MÍTICO

Utilizando a identidade visual de Philippe Charles e a arquitetura do chassi monobloco, o A108 assentou as bases do A110, que apareceu em 1962. Após o 4CV para o A106 e o Dauphine para o A108, foi o Renault 8 que serviu de banco de órgãos para a última criação de Jean Rédélé.

Sempre muito próximas, as relações com a Renault se fortaleceram um pouco mais, quando a montadora decidiu incumbir a marca de representar seus interesses em competições. A partir de 1967, todos os carros produzidos tinham a denominação oficial Alpine-Renault.

Alavancada pelo sucesso da marca em ralis, a Berlinette se torna um grande sucesso comercial. Para responder a uma demanda crescente, a Alpine deve adaptar sua estrutura industrial, com uma produção dividida entre a oficina da Avenida Pasteur, a fábrica histórica de Dieppe e a nova unidade instalada na cidade de Thiron-Gardais (região de Eure-et-Loir).

O A110 evoluía a cada novo ano/modelo. O motor de 1108 cm3 passou sucessivamente para 1255, 1296, 1565 e 1605 cm3. As modificações estéticas eram pequenas, mas numerosas: grade com quatro faróis, para-lamas mais largos, radiador dianteiro, saia traseira desmontável… Em 1977, a produção é complementada pelo 1600SX, equipado com um motor de 1647 cm3.

DA BERLINETTE AO GRAN TURISMO

Projetado conforme as instruções de Jean Rédélé, o Alpine A310 permitiria que a marca se firmasse com o sucesso da Berlinette. Mas a crise do petróleo de 1973 configurou uma pausa no círculo virtuoso e as vendas caíram sensivelmente. Pouco a pouco, a Alpine conseguiu se recuperar, promovendo uma evolução em seu modelo: alimentação por injeção em 1974, montagem do motor V6 PRV em 1976, trem traseiro do R5 Turbo em 1981…

Em 1985, o novo GTA entrava em cena. Com este modelo, a Alpine se distanciava um pouco mais do conceito espartano da berlinette para se inserir no mundo do Gran Turismo. Em sua versão mais recente, com o motor V6 Turbo, o GTA desenvolvia 200 cv, o que lhe rendeu o atributo de avião de caça das pistas!

Em 1990, o A610 aparecia no catálogo com um V6 Turbo de 2963 cm3. Apesar de seus atributos de rodagem e seu comportamento dinâmico enaltecidos pela imprensa, este modelo não conseguiu atingir seu público-alvo, desaparecendo em 1995.

Após a interrupção da produção do A610, a fábrica de Dieppe manteve sua atividade com os vários modelos esportivos da Renault Sport, dos R5 Turbo aos Clio R.S. passando pelos Spider Renault Sport ou Clio V6, assim como ela já havia feito com os Renault 5 Alpine. Hoje, esta planta histórica – que sempre manteve o logo Alpine em sua fachada – está no coração do renascimento da marca.

A RENOVAÇÃO DA ALPINE

Frequentemente mencionada, ardentemente desejada pelos apaixonados há aproximadamente vinte anos, o relançamento da Alpine encontraria um contexto favorável.

A revelação do carro-conceito Alpine A110-50, por ocasião do 50º aniversário da Berlinette em 2012, era uma etapa que permitira conferir se a chama não havia sido apagada.

Em 5 de novembro de 2012, Carlos Ghosn anunciava oficialmente o renascimento da Alpine e o início da concepção de uma ‘Berlinette do século XXI até 2016.

Quando uma equipe de cinco A110 participa do Rali Monte Carlo Historique de 2013, 40 anos após o tricampeonato histórico de 1973, o entusiasmo obtido chega a tal ponto que é impossível recuar!

Dirigida por Bernard Ollivier, a Société des Automobiles Alpine trabalha atualmente na “Berlinette do século XXI”. O conceito geral e o estilo já estão definidos, e o trabalho segue atualmente na concepção de cada peça, execução de maquetes e produção. Para isso, a fábrica de Dieppe contou com investimentos importantes, enquanto que protótipos anônimos foram rodados para testar as diferentes soluções tecnológicas.

Aguardando a apresentação deste novo modelo, a Alpine honra sua imagem de competidor, com uma participação coroada de sucessos no Campeonato da Europa de Endurance e, a partir de 2015, no WEC (World Endurance Championship), culminando com as 24 Horas de Le Mans.

Em 2015, a Alpine também se destaca fora das competições, apresentando sucessivamente dois grandes shows cars.

- Alpine Vision Gran Turismo: herói do videogame que leva o mesmo nome, o modelo expressa toda a paixão da Alpine associando esportividade e modernidade. De forma original, o Alpine Vision Gran Turismo leva o “A em formato de flecha” a uma nova dimensão.

- Alpine Celebration: seu nome não deixa nenhuma dúvida: este show car foi especialmente concebido para comemorar o 60º aniversário da marca fundada por Jean Rédélé. Retomando o estilo dos carros emblemáticos de sua história, o Alpine Celebration remete ao DNA das competições e se associa ao lendário evento das 24 Horas de Le Mans, seguido do Festival de Velocidade de Goodwood, criando surpresa e emoção.

ALPINE VISION GRAN TURISMO

Fruto da imaginação dos designers e engenheiros responsáveis pelo desenvolvimento da Berlinette do século XXI, o Alpine Vision Gran Turismo estava dentro de casas espalhadas pelo mundo todo em março de 2015. Cada proprietário de um videogame Gran Turismo 6 podia baixar este modelo virtual e pilotar o mais incrível dos modelos da Alpine. E para o deleite dos apaixonados, este carro-conceito também foi produzido em escala 1:1.

A história começou em julho de 2013, quando o estúdio Polyphony Digital Inc. – responsável pelo desenvolvimento do videogame PlayStation® Gran Turismo – sugeriu que a Alpine enfrentasse o desafio de conceber um carro virtual. Ambas as empresas parceiras se motivavam pelo entusiasmo e a paixão. Logo as equipes da Alpine estavam envolvidas com o mesmo nível de exigência dedicado ao desenvolvimento do futuro modelo de produção em série.

Depois de um concurso interno que contou com a participação de aproximadamente quinze designers, o projeto apresentado por Victor Sfiazof foi escolhido: “Este é um autêntico carro esportivo, para comemorar o prazer da pilotagem e a paixão pelo automóvel. São muitos os detalhes que remetem ao passado, ao presente e ao futuro. Como a escolha de uma configuração ‘barquette’, diretamente originada do Alpine A450, que participou das 24 Horas de Le Mans. Na frente, a inspiração vinha principalmente do A110. As sinuosidades verticais na traseira são uma grande referência aos modelos A210 e A220, conferindo grande elegância ao visual. Apaixonado pela aeronáutica, também procurei incluir elementos deste universo. Assim, os freios aerodinâmicos proporcionam um lado ainda mais tecnológico à traseira. Este modelo exclusivo também remete ao futuro Alpine, mas por enquanto não podemos revelar mais nada”!

A descoberta do Alpine Vision Gran Turismo começa na frente, que definitivamente evoca o A110. O capô inclinado em forma de V é destacado por um vinco que percorre o eixo simétrico do carro. Outra pegada que remete aos anos 60 são os faróis de LED em formato de X, que lembram as fitas isolantes que eram coladas em formato de cruz para proteger os faróis das Berlinettes nos ralis. Estes referências ao passado se harmonizam à aerodinâmica mais atual: um splitter orienta o fluxo de ar de cada lado da carroceria, revelando os triângulos da suspensão.

O perfil também faz o coração bater mais forte. O ar direcionado para trás das rodas dianteiras é canalizado para amplas entradas de ar, que destacam o formato estreito da carroceria. Contribuindo para a harmonia geral, as longas sinuosidades nas laterais traseiras também evocam os modelos A210 e A220, que brilharam nas 24 Horas de Le Mans.

O apelo das linhas do Alpine Vision Gran Turismo também resulta de sua cabine aberta. O piloto fica posicionado à direita, uma arquitetura típica de protótipos esportivos, na medida em que a maioria dos circuitos curvam em sentido horário.

A visão traseira – a favorita dos gamers – constitui o toque final do design do Alpine Vision Gran Turismo. O fundo plano termina em forma de ogiva, enquanto que um spoiler na parte de baixo une as passagens de roda à extremidade da carroceria. Assim como na frente, a carroceria deixa entrever os triângulos duplos da suspensão. Os atributos mais marcantes do Alpine Vision Gran Turismo se manifestam na frenagem. Integrados ao perfil da traseira, freios aerodinâmicos são rapidamente acionados por atuadores hidráulicos, revelando ao mesmo tempo as lanternas de freio!

O Alpine Vision Gran Turismo pode ser virtual, mas deve ter um comportamento em pista digno de seus gloriosos predecessores. Terry Baillon, engenheiro de simulação e configuração de chassi do futuro modelo, está trabalhando neste veículo como se ele fosse um dia partir enfrentar o asfalto: “No início do projeto, determinamos as metas de performance e comportamento deste Alpine Vision Gran Turismo. Depois, transcrevemos as características técnicas com o objetivo de fazer com que o comportamento final no jogo fosse o mesmo que havíamos imaginado no início. Utilizamos nossos próprios softwares para o desenvolvimento, antes de enviar os dados para a Polyphony Digital, para que eles pudessem modelizar o veículo e transformá-lo em videogame”.

De frente para a tela, com o volante ou controle do PlayStation Dual Shock® em mãos, longas sessões de testes foram necessárias para afinar as regulagens do carro. Na fronteira entre o Alpine A450 de competições e a Berlinette do século XXI, o Alpine Vision Gran Turismo deixa entrever alguns detalhes do comportamento do futuro modelo de produção em série, ao mesmo tempo em que apresenta características típicas dos protótipos que participaram das corridas em Le Mans. Mas como se trata de um legítimo Alpine, foi dado destaque à agilidade, velocidade e o prazer proporcionado ao piloto!

SHOW CAR ALPINE CELEBRATION DIEPPE

Carro esportivo compacto inspirado no universo da Alpine oriundo das competições, o Alpine Celebration apresentado com seu visual Dieppe é um cupê de dois lugares com linhas fluidas e sofisticadas. O azul intenso da carroceria remete ao protótipo Alpine que fez um retorno vencedor em Endurance em 2013, enquanto que sua decoração inédita, criada especificamente para o encontro de Dieppe, evoca a campanha vitoriosa em rali do A110, coroado campeão do mundo em 1973.

Com modernidade, o Alpine Celebration Dieppe faz reviver os atributos atemporais do estilo Alpine: silhueta baixa, capô rebaixado e nervurado, flancos reentrantes, vidro traseiro característico, assim como outros detalhes que também trazem à memória o A110 e outros modelos que marcaram a gloriosa história da Alpine.

E nem são precisos artifícios para afirmar sua presença, pois a beleza do Alpine Celebration Dieppe se mostra na sobriedade. Elegante, apesar da frugalidade e despojamento ditados pela busca de eficácia, o show car Alpine Celebration Dieppe diz muito sobre a história da Alpine. Se ele sintetiza um estilo e valores familiares, ele também os integra com uma pegada moderna. Toques de carbono destacam os componentes mais técnicos da carroceria, como o spoiler, as partes laterais inferiores da carroceria, difusor, entradas de ar na traseira e retrovisores.

As máscaras aplicadas nos conjuntos óticos e os faróis redondos centrais com uma cruz branca servirão de lembrança aos apaixonados por automobilismo das fitas autoadesivas que eram colocadas nos faróis dos carros de corrida – artimanha utilizada para preservar sua integridade em caso de colisão.

Emoldurando uma frente provocante, o spoiler dá a impressão visual de sustentação, enquanto que a eficácia é destacada pelas laterais inferiores da carroceria com traços retilíneos e pontiagudos. Dotados de um fino espelho que flutua sobre a moldura para aumentar a aerodinâmica, os retrovisores externos evocam a leveza e a eficácia aerodinâmica. O célebre “A” em formato de flecha orna a grade de entrada de ar, os flancos, para-lamas dianteiros e o teto.

O desenho das rodas remete ao dos A110 e A310, que estava em voga nos anos 70. Elas deixam entrever os discos de freio dianteiros generosos e as pinças de freio na cor laranja. No centro, um cubo de alumínio concebido como uma peça fundida maciça contribui para o design geral.

Extremamente atlética, as colunas traseiras recebem entradas de ar para favorecer o resfriamento do motor. O protetor do motor, visível através de persianas no vidro traseiro, confirmam a posição central traseira do bloco motor.

Acima das passagens de roda, canaletas orientam o fluxo aerodinâmico em um estilo típico da Alpine. A traseira do veículo se caracteriza por um proeminente difusor integrando um farol central, emoldurado por duas saídas de escapamento em inox escovado. A estratégia de valorizar os elementos estruturais do carro e não mascará-los é omnipresente e aumenta a leveza, agilidade e performances.

Assim, o objetivo da apresentação do Alpine Celebration Dieppe reside em seu design, com curvas sensuais, que evoca apenas o prazer de dirigir à francesa.

COMPETIÇÕES, O FIO CONDUTOR DA HISTÓRIA DA ALPINE

Criada por um piloto emérito, a Alpine é uma marca cuja história é permeada de sucesso em competições, do Rali Monte Carlo às 24 Horas de Le Mans!

Mesmo se o temperamento do coach A106 não é exatamente o de um carro de corrida, pilotos com o naipe de Jacques Féret ou Jean Vinatier se encarregaram de condecorá-lo à altura, logicamente sem esquecer o brilhante segundo lugar na categoria, conquistado pelo próprio Jean Rédélé, durante a prova Mille Miglia de 1955. É também graças às competições que o A108 evoluiu para servir de base ao A110.

A partir de 1963, a Alpine começa a participar das 24 Horas de Le Mans, visando mais os “índices de performance” ou os “índices de rendimento energético” que a vitória absoluta. Com seus pequenos motores Gordini, os Alpine brilham por sua eficácia aerodinâmica. Duas vitórias pontuam esta participação, em 1964 com o M64 de Morrogh / Delageneste e em 1966 com o A210 de Cheinisse / Delageneste, brilhantemente complementados por dois tricampeonatos em termos de índice energético, em 1966 e 1968.

O nome da Alpine também aparece nas premiações de monopostos, com um título de Campeão da França de F3 para Henri Grandsire, em 1964. Alguns anos mais tarde, Patrick Depailler (1971) e Michel Leclère (1972) conquistam o mesmo resultado.

Nos ralis, a Berlinette A110 não demora a se tornar uma arma absoluta. Em 1968, Gérard Larousse chega perto da vitória em Monte Carlo. Mas é a equipe dos ‘Mousquetairese que permite que a montadora de Dieppe chegue ao topo. Jacques Cheinisse, então novo diretor esportivo da Alpine-Renault, reúne um dream team, formado por Jean-Pierre Nicolas, Jean-Claude Andruet, Bernard Darniche e Jean-Luc Thérier. Outros pilotos reforçam o quarteto, como Ove Andersson, que vence em Monte Carlo em 1971.

Em 1973, a equipe Alpine-Renault parte em busca do primeiríssimo título de Campeão do Mundo dos Ralis da história! A temporada começa arrebentando, com a vitória tripla de Andruet / Andersson / Nicolas em Monte Carlo. Em treze etapas, a Berlinette vence seis vezes, em diferentes circuitos: Monte Carlo (Andruet), Portugal (Thérier), Marrocos (Darniche), Acrópole (Thérier), Sanremo (Thérier) e Volta da Córsega (Nicolas). Este último é vencido em apoteose com nova vitória tripla, perfazendo uma epopeia inacreditável! Assim, a Alpine-Renault se torna Campeã do Mundo, à frente da Fiat Abarth e Ford.

Este temporada de 1973 marca também o relançamento do programa Endurance, que estava adormecido após os insucessos dos A220 no final dos anos 60. Desta vez, era o degrau mais alto do pódio que estava em linha de mira. Ano após ano, a Marca se aproximava de sua consagração, conquistada em 1978, quando Jean-Pierre Jaussaud e Didier Pironi venceram com o Alpine Renault A442-B, e o A442 de Guy Fréquelin e Jean Ragnotti terminou em quarto! Com o objetivo alcançado, a Renault partiu rumo à Fórmula 1, com o motor V6 de 1500 cm3 turbo.

O Alpine A310 também rendeu bons momentos, com sucessos registrados no currículo de Jean Ragnotti, Bruno Saby, Jean-Pierre Beltoise (todos três Campeões da França de Rallycross de 1977 a 1979) e Guy Fréquelin (Campeão de França dos Ralis em 1977). Após a organização do Alpine Europa Cup – disputado na abertura dos Grande Prêmios de Fórmula 1 com os GTA – a atividade de competições da Marca foi interrompida, em 1988.

Ao final de 2012, quando a renascimento da Alpine foi anunciado, o retorno às competições também estava sendo considerado. Estabelecendo uma parceria com a equipe Signatech, a Alpine participou do Campeonato da Europa de Endurance (ELMS) e das 24 Horas de Le Mans. A partir da primeira temporada, em 2013, o A450 venceu o título europeu. A equipe Signatech-Alpine manteve a coroa em 2014, conquistando um pódio na categoria LM P2 em Le Mans. Esta performance foi acompanhada por um 7º lugar na classificação geral, ou seja, o segundo melhor resultado da história após a vitória de 1978! A história continuou em 2015, com uma participação no campeonato do Mundo de Endurance (WEC)…

ALPINE A450B

O nome remete à herança dos A441, A442, A442b e A443, que correram e venceram em Le Mans nos anos 70.

Evolução do Alpine A450 que participa de corridas a partir de 2013, ele exibe seu patrimônio com o número “50”, simbolizando o 50º aniversário da primeira participação de um Alpine oficial nas 24 Horas de Le Mans, em 1963.

O Alpine A450B atende a regulamentação ACO LM P2, que se insere em uma ideia de frugalidade engenhosa, exaltada pela marca. Estes protótipos com chassi monocoque de carbono atendem a restrições em termos de custos.

Após ter vencido duas vezes o campeonato ELMS LMP2 a partir de sua primeira participação em 2013 e em 2014, e também após ter obtido um pódio nas 24 Horas de Le Mans em sua categoria em 2014, a equipe Signatech-Alpine participa agora do WEC (FIA World Endurance Championship) sob o comando dos pilotos franceses Paul-Loup Chatin, Nelson Panciatici e Vincent Capillaire.

Duas evoluções técnicas são autorizadas por ano: uma antes da primeira prova da temporada e a segunda antes das 24 horas de Le Mans.

Utilizando uma base comprovada, o Alpine A450B recebe um motor derivado de um bloco montado sob o capô dos carros de série da Aliança Renault-Nissan.

Chassi: Alpine A450B

Motor: V8 Nissan VK45 550ch.

Caixa de câmbio: XTrac de 6 velocidades

Velocidade máxima: 330 km/h

Comprimento: 4,61 m

Largura: 1,95 m

Entre eixos: 2,87 m

Peso: 900 kg

Direção: Assistida hidráulica

Pneus: Dunlop

Freios: Carbono – Brembo

PUBLIRACING / Renault Press

Fotos - Renault Press


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